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Economia

Rio Paraguai é determinante para crescimento, diz diretor de mineradora

Mineradora do Grupo J&F instalada em Corumbá quer dobrar produção em dois anos

Por Maristela Brunetto | 22/04/2026 17:27
Rio Paraguai é determinante para crescimento, diz diretor de mineradora
LHG apontou que escoa 80% do minério pelo Rio Paraguai e navegação foi determinante para ampliação da capacidade (Foto: Arquivo Semadesc)

O escoamento do minério de ferro por meio de embarcações no Rio Paraguai foi determinante para a ampliação na produção já alcançada pela LHG Mining, permitindo à empresa quadruplicar a produção em dois anos e prever dobrá-la nos próximos dois anos. A análise foi feita pelo diretor de Navegação da LHG Mining, Iclacir Mascarello, durante o Diálogos Hidroviáveis, realizado nesta quarta-feira em Manaus (AM), para discutir investimentos no transporte fluvial.

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A LHG Mining quadruplicou sua produção de minério de ferro em dois anos graças ao escoamento pelo Rio Paraguai e prevê dobrar a capacidade nos próximos dois anos. A empresa, que atua em Corumbá e Ladário (MS), investiu R$ 3,7 bilhões via BNDES para ampliar sua frota para 28 rebocadores e 400 barcaças, escoando 80% da produção até o Uruguai e depois à China e Europa. A transformação do Rio Paraguai em hidrovia está em debate pelo governo federal.

O diretor contou que cerca de 80% do minério extraído segue pelo rio até o Uruguai, para ser levado por transporte marítimo até à China e à Europa. Para garantir condições de navegação, uma vez que o rio é afetado pela redução do nível de água durante períodos de estiagem, Mascarello explicou que são feitas dragagens e derrocamento, que têm funcionado com as parcerias mantidas pela empresa.

Ele mencionou que foi possível aprofundar o leito em cerca de 2 pés entre 2024 e 2026, algo em torno de 60 centímetros. O Ministério de Portos e Aeroportos quer transformar o Rio Paraguai em uma hidrovia, com uma concessão sendo discutida, debate que envolve também os países vizinhos Paraguai e Bolívia, por haver trechos compartilhados. Por se tratar do principal rio do Pantanal, o debate envolve a limitação de interferências no leito, para não prejudicar o Bioma.

Entre os debates já realizados sobre a concessão, houve compromisso de realização somente de dragagens de manutenção, sem alterar o fluxo do rio. No evento desta tarde, organizado pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior, a Hidrovia Paraguai Paraná foi mencionada como o projeto mais avançado. O Governo Federal também elencou rios do Norte do Brasil, mas em relação ao Madeira, que estava mais adiantado, junto com o Paraguai, houve a decisão de retomar estudos técnicos.

Barcaças – Sem expectativas com a retomada do transporte ferroviário, a LHG apostou em ampliar as condições do uso da navegação para reduzir a dependência do uso de rodovias para escoar a mineração. O diretor mencionou que a empresa elevou o número de rebocadores de 18 para 28 e contará com 400 barcaças para descerem o Rio rumo ao Paraná e chegarem ao Uruguai. Ela recebeu financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em 2024 de R$ 3,7 bilhões do FMM (Fundo de Marinha Mercante) para ampliar a estrutura de navegação.

A LHG Mining possui porto próprio e atua nos municípios de Corumbá (MS) e Ladário (MS), onde estão localizadas as minas de Santa Cruz e Urucum, com vastas reservas de minério de ferro de alto teor e manganês. A empresa entrou no mercado em 2022, sucedendo a Vale na mineração. Ela apresentou plano de investimento de R$ 4 bilhões para aumentar a produção anual de minério de ferro de alto teor, de 12 milhões para 25 milhões de toneladas, consolidando a empresa como uma das três maiores detentoras de jazidas de ferro de qualidade superior no mundo.

No começo do ano, o Governo do Estado do Mato Grosso do Sul declarou uma área de 845,9775 hectares como utilidade pública, localizada em 12 trechos de fazendas de Corumbá, para que a mineradora LHG Mining Corumbá S.A., empresa controlada pela J&F, possa usar as áreas para a instalação de um TCLD (Transportador de Correia de Longa Distância) e um terminal ferroviário e pátio de produtos como parte do seu plano de expansão.

Conforme ele, a empresa já tinha 80 barcaças prontas e contratou também a construção de 15 rebocadores, sendo que o primeiro será entregue no fim do ano e um novo será concluído a cada trimestre. Um dos pontos centrais do evento foi a ampliação da indústria naval, sendo a criação de hidrovias apontada como um dos fatores determinantes para incentivar o setor, uma vez que vai possibilitar o crescimento do transporte fluvial, apontado como mais barato e menos poluente.

Ao debater sobre a ampliação da indústria naval, Mascarello falou sobre a relevância da navegação para a mineradora, com estrutura própria e de terceiros para escoar 10 milhões de toneladas. Mencionou desde barcos antigos, de 60 anos, até barcaças que poderiam ter tamanho superior para escoamento. Ele aponta que para aumentar a rentabilidade da empresa, a eficiência no transporte ajuda a tornar a produção mais barata.

Segundo o diretor, houve pesquisas de mercado em outros países para o plano de fabricação das 400 barcaças e os 15 rebocadores, mas o apoio do financiamento do BNDES, com recurso do FMM, permitiu “de longe” encontrar as melhores condições no Brasil.