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Campo Grande, Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2019

13/02/2019 17:18

Semagro soube de contaminação dias antes de comunicado sobre carne com bactéria

Em nota, Semagro confirma notificação anterior da empresa sobre problemas com lotes de frango produzido em Dourados; 464 toneladas de carne serão retiradas do mercado

Ângela Kempfer
Semagro afirma que vistoriou documentos sobre chegada de animais à fábrica e, agora, aguarda Mapa para eventuais providências. (Foto: Semagro/Divulgação)Semagro afirma que vistoriou documentos sobre chegada de animais à fábrica e, agora, aguarda Mapa para eventuais providências. (Foto: Semagro/Divulgação)

A Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul) soube “dias antes” do recolhimento de 164,7 toneladas de carne de frango in natura da marca Perdigão, devido ao risco de contaminação pela bactéria salmonella. 

Cortes congelados de coxas e sobrecoxas, meio peito sem osso e sem pele, filezinho (sassami), miúdos/coração e filé de peito foram fabricados no frigorifico da empresa BRF, em Dourados (MS) e chegaram a ser comercializados nos estados do Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Em matéria publicada hoje no site da Semagro, a Secretaria informou que foi informada pela BRF "dias antes" do comunicado oficial de recolhimento dos produtos, sem especificar o período exato da notificação.

Também informou que a única medida tomada depois de receber a informação foi a analise de relatórios de fiscais agropecuários sobre “ações rotineiras de vigilância sanitária” por eles realizados no frigorífico. Nesse estudo, os dados da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) não apontaram "notificações ou intercorrências que apontassem a origem da contaminação de um lote de carnes pela bactéria salmonela". 

Agora, o órgão justifica que aguarda orientações do Ministério da Agricultura para a tomada de possíveis medidas posteriores. 

Pela manhã, foi decretado o recall de 464 toneladas do produto processado pela BRF Foods, detentora da marca Perdigão, em Dourados. Do total, 164,7 toneladas in natura foram distribuídas no mercado nacional, e 299,6 toneladas seguiriam para outros países. Em comunicado ao mercado, a empresa informou que, no Brasil, seriam retirados das prateleiras coxas e sobrecoxas sem osso, meio peito sem osso e sem pele (embalagens de 15 kg), filezinhos de frango (1 kg), filé de peito (2 kg) e coração (1 kg).

Os lotes foram produzidos em 30 de outubro e entre 5 e 12 de novembro de 2018 na unidade de Dourados, recebendo selo de inspeção do SIF (Serviço de Inspeção Federal) vinculado ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

A Semagro afirma que a BRF descartou, antes de anunciar o recall, o fechamento da planta em Dourados ou mesmo a paralisação de abates ou medidas que reduzissem o quadro de pessoal, prometendo ajustar e ampliar seu “rigor sanitário”.

Problema foi identificado em produção da unidade de Dourados. (Foto: Arquivo)Problema foi identificado em produção da unidade de Dourados. (Foto: Arquivo)

Mapa – Titular da Semagro, Jaime Verruck disse que equipes estão de prontidão à espera de mais informações “para que outras providências sejam tomadas”. A assessoria, porém, argumenta que os próximos passos do acompanhamento cabem apenas ao Mapa, responsável pela fiscalização dos produtos industrializados.

A salmonella é resistente ao cozimenot e pode causar infecção gastrointestinal, com dores abdominais, diarreia, febre e vômito. A contaminação é considerada forte e perigosa, pois pode se espalhar rapidamente para outros órgãos.

Em nota, o Mapa e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Agropecuária) confirmou o recolhimento de produtos em 13 Estados, bem como da carga destinada ao exterior.

José Guilherme Leal, secretário de Defesa Agropecuária, disse que o procedimento da BRF de realizar o recolhimento voluntário foi “correto”. O trabalho é acompanhado pelo SIF, que também vai analisar a destinação correta dos produtos e o que retornará à indústria.

A BRF criou uma página para orientar os consumidores sobre o que fazer durante o recall.

Semagro soube de contaminação dias antes de comunicado sobre carne com bactéria


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