IA chegou às escolas antes de professores estarem preparados para mudança
Professora da UFMS coordena formação de mais de 6 mil profissionais em educação digital no país

Enquanto estudantes incorporam ferramentas de inteligência artificial à rotina escolar, redes públicas de ensino ainda enfrentam dificuldades para garantir formação adequada de professores, infraestrutura tecnológica e conectividade. O cenário, marcado por profundas desigualdades entre os municípios brasileiros, tem levado universidades e gestores públicos a acelerar ações de capacitação voltadas à educação digital.
RESUMO
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Redes públicas de ensino enfrentam dificuldades para integrar a inteligência artificial devido a carências em infraestrutura e formação docente. Para mitigar as desigualdades regionais, a UFMS e o Ministério da Educação lideram uma iniciativa nacional que capacitou mais de 6,2 mil profissionais em 4,5 mil municípios. O programa foca no uso ético e crítico de tecnologias, abordando temas como cidadania digital, segurança de dados e aplicações pedagógicas de ferramentas tecnológicas.
Segundo a diretora da Aged (Agência de Educação Digital e a Distância) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), professora Daiani Damm Tonetto Riedner, o avanço tecnológico, especialmente da inteligência artificial, impôs novos desafios às redes públicas de ensino.
“Os desafios passam muito pela formação dos professores, pela formação inicial e continuada e ele se complexifica quando a gente pensa lá no chão da escola, e as condições reais que os professores têm de trabalhar a educação digital e midiática nas suas realidades”, afirmou.
A tecnologia tem avançado em velocidade maior do que a capacidade de preparação das redes de ensino, fato que se tornou um dos principais desafios enfrentados atualmente pela educação pública brasileira.
A professora coordena uma das maiores iniciativas nacionais voltadas à formação em educação digital. Em parceria com o Ministério da Educação, a UFMS lidera a assessoria técnica e pedagógica para implementação do currículo de educação digital nas redes municipais e estaduais de ensino.

Formação de professores - Segundo Daiani, mais de 6,2 mil profissionais indicados pelas secretarias municipais participaram do curso de especialização em Educação Digital e Inovação Pedagógica na Educação Básica, representando mais de 4,5 mil municípios brasileiros.
“Não é só um curso de especialização que vai dar um certificado de especialista, mas a gente está formando efetivamente embaixadores de educação digital e midiática que vão levar essa formação e as informações qualificadas para os seus municípios”, explicou.
A formação foi estruturada para atender diferentes realidades regionais do país. Além da UFMS, participaram da iniciativa a Universidade Federal de São Carlos, responsável pela região Sudeste; a Federal Rural de Pernambuco, pelo Nordeste; a Universidade Federal do Pará, pelo Norte; e a Federal de Santa Catarina, pela região Sul.
Desigualdades regionais - De acordo com a diretora da Aged, um dos principais desafios foi justamente considerar as desigualdades existentes entre os municípios brasileiros.
“Estamos falando de diversos contextos, tanto de formação dessas pessoas como de realidade de conectividade, de infraestrutura física das redes, de infraestrutura de profissionais”, disse.
O curso teve 360 horas de duração e abordou temas como currículo de educação digital. Segundo a diretora, a educação midiática está relacionada à compreensão da sociedade digital e ao uso crítico, ético e responsável das tecnologias. O tema foi trabalhado a partir de conceitos como cidadania digital, direitos digitais, cultura digital e pensamento computacional, além de discussões sobre uso seguro da internet, proteção de dados, LGPD, cyberbullying e comportamentos online. O curso também abordou os limites, riscos e possibilidades pedagógicas da inteligência artificial dentro das escolas.
Na disciplina voltada à inteligência artificial, os participantes discutiram não apenas o uso das ferramentas, mas também os impactos éticos e pedagógicos da tecnologia.
“A gente trabalhou fundamentos da IA, as aplicações, conceito, a questão ética, privacidade, proteção de dados, não só para usar as ferramentas, mas para formar também gestores e professores que sejam capazes de avaliar criticamente os usos, os limites, os riscos e principalmente as possibilidades de uso pedagógico da IA”, afirmou.
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