ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JUNHO, SEXTA  19    CAMPO GRANDE 20º

Educação e Tecnologia

Mulheres ampliam vantagem na escolarização após os 15 anos em MS

Levantamento do IBGE mostra que elas têm maior presença no ensino médio e superior

Por Jhefferson Gamarra | 19/06/2026 15:38
Mulheres ampliam vantagem na escolarização após os 15 anos em MS
Estudantes saindao da escola em Campo Grande (Foto: Arquivo/Campo Grande)

A diferença entre homens e mulheres na trajetória educacional em Mato Grosso do Sul se tornou ainda mais evidente em 2025. Dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Educação, divulgados nesta sexta-feira (19) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que, embora os meninos apresentem taxas de escolarização mais elevadas até os 14 anos, a partir dos 15 anos as mulheres passam a liderar todos os indicadores relacionados à permanência e progressão nos estudos.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Dados da PNAD Contínua Educação 2025, divulgados pelo IBGE, revelam que mulheres superam homens em todos os indicadores educacionais a partir dos 15 anos em Mato Grosso do Sul. Na faixa de 18 a 24 anos, a taxa de escolarização feminina chegou a 40,2%, contra 28,7% masculina. O estado registrou queda na escolarização de crianças de 0 a 5 anos, de 57,9% para 57%, caindo da 12ª para a 18ª posição nacional. Desigualdades raciais persistem, com brancos apresentando 42,4% de escolarização ante 28,9% de pretos e pardos.

O levantamento também revela desafios persistentes para o estado. Mato Grosso do Sul registrou queda na escolarização das crianças de 0 a 5 anos, perdeu posições no ranking nacional desse indicador e apresentou redução na frequência escolar líquida ajustada entre adolescentes do ensino médio e jovens do ensino superior.

A taxa de escolarização, indicador que mede a proporção de estudantes em relação ao total de pessoas de uma determinada faixa etária, foi de 57% entre as crianças de 0 a 5 anos em Mato Grosso do Sul em 2025. O resultado ficou abaixo dos 57,9% registrados em 2024 e fez o estado cair da 12ª para a 18ª posição entre as unidades da federação.

No cenário nacional, os melhores resultados foram observados em São Paulo (70,5%), Santa Catarina (67%) e Ceará (61,5%). O menor percentual foi registrado no Amapá, com 30,7%.

Entre os grupos etários analisados, a maior taxa de escolarização em Mato Grosso do Sul foi observada entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, alcançando 99,5%. Já o menor índice apareceu entre pessoas de 25 anos ou mais, faixa em que apenas 5,2% estavam frequentando alguma instituição de ensino.

Mulheres superam homens após os 15 anos - Os dados evidenciam uma mudança no padrão educacional conforme a idade avança. Até os 14 anos, os homens apresentam taxas de escolarização ligeiramente superiores. A partir dos 15 anos, entretanto, as mulheres passam a apresentar participação mais elevada no sistema educacional.

A maior diferença foi registrada entre jovens de 18 a 24 anos. Nessa faixa etária, a taxa de escolarização masculina foi de 28,7%, enquanto entre as mulheres chegou a 40,2%, uma vantagem de 11,5 pontos percentuais.

O estudo também mostra uma redução na presença masculina na educação nessa faixa etária ao longo da última década. Em 2016, a taxa de escolarização dos homens entre 18 e 24 anos era de 33,3%. Em 2025, caiu para 28,7%, uma retração de 4,6 pontos percentuais.

Diferenças raciais persistem entre jovens - Os dados por cor ou raça apontam desigualdades importantes, especialmente entre os jovens adultos.

Na faixa de 18 a 24 anos, a taxa de escolarização das pessoas brancas atingiu 42,4%, enquanto entre pessoas pretas ou pardas foi de 28,9%.

O comportamento do indicador é diferente entre as crianças pequenas. Na faixa de 0 a 5 anos, a escolarização foi maior entre pretos e pardos (60,5%) do que entre brancos (53,6%).

Ensino fundamental supera meta nacional - Outro indicador analisado pela pesquisa é a taxa ajustada de frequência escolar líquida, que considera os estudantes matriculados no nível adequado para sua idade e aqueles que já concluíram a etapa correspondente.

Em Mato Grosso do Sul, a taxa ajustada de frequência líquida no ensino fundamental para crianças e adolescentes de 6 a 14 anos alcançou 96% em 2025, crescimento de um ponto percentual em relação ao ano anterior.

Com esse resultado, o estado atingiu a meta prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE 2026-2036), que estabelece que pelo menos 95% dos estudantes concluam o ensino fundamental na idade adequada.

Apesar do avanço, Mato Grosso do Sul ficou apenas na 18ª colocação nacional.

Recuo no ensino médio e superior - Nos demais níveis de ensino, os indicadores apresentaram queda. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, a taxa ajustada de frequência escolar líquida no ensino médio foi de 72,2%, recuo de 0,5 ponto percentual em relação a 2024.

Já entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa de frequência líquida ajustada no ensino superior caiu de 31,1% para 30%, uma redução de 1,1 ponto percentual.

As diferenças raciais também aparecem com força nessa etapa da educação. Entre os jovens brancos de 18 a 24 anos, 42% frequentavam ou haviam concluído o ensino superior na idade adequada. Entre pretos e pardos, o percentual foi de 21,9%, diferença de 20,1 pontos percentuais.

Mulheres lideram no ensino médio e superior - A superioridade feminina é observada em todas as faixas analisadas pela taxa ajustada de frequência escolar líquida.

No ensino médio, entre jovens de 15 a 17 anos, a taxa das mulheres chegou a 79,1%, enquanto a dos homens ficou em 65,3%, diferença de 13,8 pontos percentuais.

No ensino superior, entre pessoas de 18 a 24 anos, as mulheres registraram taxa de 36,5%, contra 23,7% dos homens. A distância foi de 12,8 pontos percentuais.

Ensino fundamental concentra maior número de estudantes - A PNAD Educação também mostra a distribuição dos estudantes por nível de ensino. Em Mato Grosso do Sul, o ensino fundamental concentrou o maior contingente de alunos em 2025, com 382 mil estudantes. Quando somados os matriculados na Alfabetização de Jovens e Adultos (AJA) e na Educação de Jovens e Adultos (EJA) do ensino fundamental, o total chega a 385 mil.

Na sequência aparecem:

  • Ensino superior (graduação): 140 mil estudantes;
  • Creche e pré-escola: 135 mil;
  • Ensino médio e EJA do ensino médio: 120 mil;
  • Especialização, mestrado e doutorado: 31 mil.

Os dados mostram que a rede pública continua predominante na educação básica. Dos 385 mil estudantes do ensino fundamental e modalidades equivalentes, 334 mil estavam matriculados em instituições públicas.

A rede privada supera a pública apenas nos níveis mais elevados de ensino. Na graduação, havia 92 mil estudantes na rede privada e 48 mil na pública. Na pós-graduação, especialização, mestrado e doutorado, eram 20 mil alunos na rede privada e 11 mil na pública.

Participação das universidades públicas cresce - A série histórica da pesquisa aponta um avanço da participação das instituições públicas no ensino superior em Mato Grosso do Sul.

Em 2016, havia 36 mil estudantes de graduação na rede pública. Em 2025, esse número alcançou 48 mil.

No setor privado ocorreu estabilidade com leve redução, passando de 93 mil estudantes em 2016 para 92 mil em 2025.

Ensino médio é o maior nível de instrução da população adulta - Entre os 1,86 milhão de moradores de Mato Grosso do Sul com 15 anos ou mais, o maior grupo é formado por pessoas que concluíram o ensino médio, a EJA do ensino médio ou curso equivalente.

São 719 mil pessoas nessa condição, o que corresponde a 38,6% da população adulta do estado.

O levantamento mostra ainda que as mulheres concentram os maiores níveis de escolaridade. Entre elas, 20,5% frequentaram ou concluíram a graduação e 8,6% alcançaram especialização, mestrado ou doutorado.

Entre os homens, os percentuais foram menores: 17,1% tinham nível superior e 4,3% possuíam pós-graduação.

Desigualdade racial permanece no acesso ao ensino superior - A análise por cor ou raça reforça a desigualdade educacional existente no estado. Entre as pessoas brancas com 15 anos ou mais, 24,4% haviam frequentado ou concluído a graduação. Entre pretos e pardos, o percentual era de 14,6%.

Na pós-graduação, a diferença também aparece: 8,8% dos brancos tinham especialização, mestrado ou doutorado, contra 4,8% dos pretos e pardos.

Por outro lado, os maiores percentuais de pessoas com escolaridade limitada ao ensino fundamental ou equivalente continuam concentrados entre a população preta e parda, indicando que as desigualdades de acesso e permanência nos níveis mais altos de ensino ainda permanecem como um dos principais desafios educacionais de Mato Grosso do Sul.