Na estrada, caminhoneiros se viram para tentar assistir Brasil x Marrocos
Entre postos, celular e paradas apertadas, motoristas tentam acompanhar a estreia da Seleção na Copa
Para quem vive na estrada, assistir a um jogo do Brasil na Copa do Mundo nem sempre depende só de vontade. Depende de horário, carga, entrega, posto com espaço, sinal de celular e, às vezes, da boa vontade de quem deixa o caminhoneiro parar por alguns minutos. Nesta sábado, dia de Brasil x Marrocos pela primeira rodada da Copa, motoristas ouvidos pelo Campo Grande News contaram como pretendem acompanhar a estreia da Seleção, marcada para as 18h (de MS).
RESUMO
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Caminhoneiro há 27 anos, José Cláudio, de 47 anos, diz que futebol é compromisso levado a sério. Sempre que consegue, para em postos para assistir aos jogos da Seleção. Segundo ele, o ambiente acaba virando ponto de encontro improvisado entre motoristas que estão longe de casa, mas unidos pelo mesmo placar.
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“Para nos postos e é aquela festa, todo mundo fica louco. Faz amizades novas, é divertido, é bom”, contou.
Para José Cláudio, a torcida não tem mistério. Mesmo longe da família e em meio à rotina pesada da estrada, ele diz que o Brasil continua sendo prioridade quando a bola rola. “É nosso país, como que a gente vai torcer pra outro país? Tem jeito não. Acredito, a gente tem que acreditar no Brasil, a gente tem que acreditar no nosso país, uma hora melhora”, afirmou.
Mas nem todo caminhoneiro consegue transformar jogo em pausa. Parado na estrada, Cícero, conhecido como Tom, de 50 anos, morador de Bataguassu, reclamou da falta de estrutura para os motoristas. Segundo ele, o problema vai além do futebol: falta local seguro para estacionar, pernoitar, cozinhar e descansar. Em dia de jogo, a dificuldade só aparece com mais força.
“Você não tem um local pra ficar seguro, pra ficar parado e pernoitar, fazer uma comida. Hoje, no jogo do Brasil, não tem lugar pra você ficar. Muitas vezes onde você chega, em um posto de gasolina que você chega, o cara fala ‘se não abastece, você não pode ficar aqui’”, relatou.
Já Vladmir Gonçalves, de 50 anos, caminhoneiro há duas décadas, conseguiu ajustar a rota para ver a partida. Ele contou que vai descarregar em Corumbá e, depois da entrega, pretende parar para acompanhar o jogo. “Hoje eu vou conseguir assistir em Corumbá. Vou descarregar lá, tenho uma entrega pra fazer lá e aí consigo assistir lá”, disse.

Para Joel Muzi, de 44 anos, a realidade é mais apertada. Ele afirma que a cobrança sobre os caminhoneiros é grande e que a rotina de prazos, burocracias e horários dificulta até uma parada simples. Quando dá, a alternativa é acompanhar pelo celular durante algum descanso.
“Não dá pra parar, a gente tem muita burocracia, horário, tudo tem empecilho, como se dizem. Hoje a cobrança em cima do motorista, do caminhoneiro é muito grande, então você não tem tempo pra fazer essas coisas. Se tu fizer uma paradinha, um descanso, você consegue ver no celular, é que eu não acompanho muito”, explicou.
Entre quem para no posto, quem vê pelo celular e quem depende da entrega terminar a tempo, Brasil x Marrocos também será acompanhado no asfalto. Para os caminhoneiros, a Copa entra na boleia como dá: espremida entre a carga, o relógio e a estrada.
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