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Campo Grande, Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018

21/02/2017 09:52

Torcida reencontra o Morenão, mas ainda longe da glória do passado

Paulo Nonato de Souza
Na fase áurea do nosso futebol, os torcedores do Operário, o Galo da Bandeirantes, batiam recordes no Estádio Morenão (Foto: Arquivo/Divulgação)Na fase áurea do nosso futebol, os torcedores do Operário, o Galo da Bandeirantes, batiam recordes no Estádio Morenão (Foto: Arquivo/Divulgação)

Para quem não tinha quase nada, um pouquinho mais já é bastante. É o que se nota pelo clima de euforia com o público pagante de 6.751 torcedores no clássico entre Operário 3 x 1 Comercial, realizado no ultimo final de semana no Estádio Morenão.

Sem dúvida beira o espetacular a marca de quase sete mil torcedores em um clássico que há muito tempo andava esquecido. Ainda está muito longe, por exemplo, do Comerário de 11 de agosto de 1974, que teve 23.267 torcedores, o maior público pagante da história dos confrontos entre Comercial e Operário na era da profissionalização do futebol sul-mato-grossense, mas é um aceno importante de recomeço.

Na década de 1970 e até meados da década de 1980, no auge da dupla Comercial e Operário, chegar ao Estádio Morenão era certeza de enfrentar engarrafamento a partir do centro da cidade pela Avenida Costa e Silva, única via de acesso na época, fosse um clássico Comerário ou qualquer outro confronto pelo Campeonato Estadual ou Campeonato Brasileiro.

“Era uma época gloriosa e vivi isso a minha adolescência inteira. O estacionamento do Morenão ficava lotado e para sair do estádio demorava mais de duas horas. Para chegar ao estádio era muito difícil porque tinha engarrafamento e você tinha que ir para o jogo pelo menos duas horas antes”, lembra o operariano Flávio Luiz Andrade, de 57 anos.

Lições importantes – Para o comercialino Renato Gomes, que também viveu intensamente o período de glória do futebol em Campo Grande, é possível tirar pelo menos duas lições fundamentais na comparação entre o passado e o presente.

“Quando a gente tinha o Morenão lotado em todos os jogos, a única preocupação era com a formação dos times. Os dirigentes não atentaram para a necessidade de construir uma estrutura de clube profissional, e pouco ou quase nada ficou como legado. Cheguei a ser presidente do Comercial e fui até diretor da Federação quando o presidente era o Ari Rodrigues dos Santos (já falecido), e não me arrependo de ter sido dirigente, mas sinto que faltou na época essa visão de futuro”, disse.

Time do Comercial em 1975 com o Morenão lotado: Aranha, Lulinha, Gamarra, Henrique Pereira, Jorge Carraro e Diogo. Agachados: Carlinhos, Juarez, Dante, Golê e Tonico. Os mascotes são o jornalista Carlos Voges e o advogado e ex-deputado federal Fábio Trad.(Foto: Arquivo pessoal/Diogo Pessoa)Time do Comercial em 1975 com o Morenão lotado: Aranha, Lulinha, Gamarra, Henrique Pereira, Jorge Carraro e Diogo. Agachados: Carlinhos, Juarez, Dante, Golê e Tonico. Os mascotes são o jornalista Carlos Voges e o advogado e ex-deputado federal Fábio Trad.(Foto: Arquivo pessoal/Diogo Pessoa)

Segundo Renato Gomes, outra lição que o presente pode tirar do passado tem a ver com civilidade.

“Naquela época a gente ficava torcendo para chegar logo o domingo e depois a quarta-feira porque tinha jogo no Morenão. O estádio ficava completamente lotado e não havia brigas. No setor das cadeiras era todo mundo misturado, operarianos e comercialinos, e tudo corria na paz. Era uma grande família com mais de 20 mil, 30 mil pessoas. Eu tinha 13 ou 14 anos e aquilo ficou na minha lembrança para sempre. Era de arrepiar”, contou Renato Gomes.

Olhar no futuro – Ao longo do período de decadência, pós 1986, ano da última participação na divisão principal do Campeonato Brasileiro, Comercial e Operário foram ao fundo do poço, graças a uma sequência de administrações desastrosas.

Identificados pela imprensa da época como “Colorado da Vila Olímpica” e “Galo da Avenida Bandeirantes”, ambos perderam suas sedes por dívidas trabalhistas, e o esforço que as duas diretorias atuais fazem para tentar renascer das cinzas inclui até mesmo a falta de locais próprios e adequados para treinar.

Por exemplo, o Operário Futebol Clube de 2017 tem como sede o Clube Ypê, e o Esporte Clube Comercial assumiu como sede uma casa de 900 metros quadrados alugada na rua Jeribá, no bairro Chácara Cachoeira, batizada de Casarão de Jeribá. Sem local fixo para treinar, o Comercial tem usado o campo do Centro Municipal de Múltiplas Referências e Convivência do Idoso, o Vovó Ziza, e os operarianos usam o Centro de Treinamento do Cene, no bairro Los Angeles.

Torcida do Comercial no Comerário do último domingo no Morenão (Foto: André Bittar)Torcida do Comercial no Comerário do último domingo no Morenão (Foto: André Bittar)

O torcedor tem sinalizado com seu voto de confiança na recuperação do futebol profissional em Campo Grande, desde a reabertura do Estádio Morenão, em 29 de janeiro deste ano, depois de quase três anos de interdição por determinação da Justiça.

Cabe aos dirigentes do futebol local, sobretudo de Comercial e Operário, entenderem esse sinal, ainda distante do que era nas decadas de 1970 e 1980, mas já muito significativo, e começarem a pensar não apenas no presente, mas também no futuro das duas equipes.

“De novo o torcedor está voltando a acreditar. Tomara que as pessoas no comando dos clubes e da Federação saibam aproveitar esse embalo para fazer ressurgir o nosso futebol ”, frisou o comercialino Renato Gomes, de 57 anos.

OLHAR ESTRANGEIRO - “Apareceu um OVNI e foi-se o futebol”, diz o jornal português “Público” em matéria especial do jornalista Tiago Pimentel sobre a suposta aparição de um objeto voador não identificado no Estádio Morenão no jogo pelo Campeonato Brasileiro entre Operário e Vasco da Gama em 6 de março de 1982.

“Quando estava no auge, o Operário chegou a fazer tremer os gigantes do futebol brasileiro. Mas entrou em decadência após um acontecimento sobrenatural”, sugere a matéria publicada em 24 de maio de 2014. Na verdade a queda tem a ver com má gestão e falta de visão de futuro. É hora de aprender a lição e não repetir o passado.

Os operarianos também marcaram presença em grande número no Morenão no clássico do final de semana (Foto: André Bittar)Os operarianos também marcaram presença em grande número no Morenão no clássico do final de semana (Foto: André Bittar)
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