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Campo Grande, Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2019

13/01/2019 07:18

Após 8 anos parado, prefeitura retoma processo de tombamento do Mercadão

Decreto assinado pela prefeita em exercício, Adriane Lopes, nomeia servidores que vão formar comissão para perícia no prédio

Tatiana Marin
Mercado Municipal de Campo Grande, mais conhecido como Mercadão. (Foto: Kísie Ainoã)Mercado Municipal de Campo Grande, mais conhecido como Mercadão. (Foto: Kísie Ainoã)

Ponto obrigatório de turistas no Centro e local tradicional de compras para os campo-grandenses, o Mercadão Municipal, que completou 60 anos em 2018, está mais próximo de ter seu prédio tombado como patrimônio histórico. No diário oficial desta sexta-feira (11) foi publicado um decreto assinado pela prefeita em exercício, Adriane Lopes, dando prosseguimento ao processo que começou em 2011. Desde então, já estava proibida qualquer intervenção na arquitetura do prédio, por conta de tombamento provisório estabelecido pelo prefeitura.

A medida cria uma comissão composta por três servidores “para comporem a Comissão de Peritos, que realizará a Perícia do Bem Imóvel a ser tombado”, diz trecho do decreto. O título é conferido a prédios que têm valor afetivo para a população. Um prédio tombado como patrimônio é impedido de ser derrubado ou descaracterizado.

Painel que conta um pouco da história do Mercadão. (Foto: Kísie Ainoão)Painel que conta um pouco da história do Mercadão. (Foto: Kísie Ainoão)
Corredor de acesso do Mercadão. (Foto: Kísie Ainoã)Corredor de acesso do Mercadão. (Foto: Kísie Ainoã)

O decreto pegou os envolvidos de surpresa. A Associação dos Comerciantes do Mercado Municipal de Campo Grande tomou conhecimento do ato através da imprensa e informou que não foi comunicada formalmente. Mesmo a Sectur (Secretaria Municipal de Cultura e Turismo) ainda estava se colocando a par do processo de tombamento. Comerciantes e clientes, sem saber ao certo o que significa o ato, apreciaram a ideia.

"Importante"

O mais antigo no Mercadão, seu Manoel Bento Martins, de 67 anos, dos quais 52 foram dedicados ao centro comercial. “Desde ‘gurizotinho’ eu vendia salgado aqui. Quando cheguei aqui (a construção) tava no finalzinho”, conta e diz não viu a proeza da construção da estrutura que sustenta o teto, mas enaltece a engenharia. “Até hoje ‘nego’ quer saber ... engenheiro não sabe como é que esses caras fizeram isso aí. Ninguém entende. Não existe um arco desse sem escora no meio. Tem peso puxando tudo para baixo e não arrebentou até hoje. Como antigamente as coisas eram bem feitas! Não tem uma rachadura essas paredes”, descreve.

Arcos de madeira que sustentam o telhado. (Foto: Kísie Ainoã)Arcos de madeira que sustentam o telhado. (Foto: Kísie Ainoã)

“Toda vida foi desse jeito”, simplifica, mas ressalta que houve “umas 4 ou 5 reformas”. Já os arcos de madeira, que hoje são laranja, eram pintados de azul. E foi somente esta a mudança na estrutura. “Nas madeiras nunca mexeu nada, mas cada prefeito muda a cor. Agora já mudaram a cor lá fora, daqui uns dias vem pintar aqui dentro”, prevê.

(Foto: Kísie Ainoã)(Foto: Kísie Ainoã)

Sobre o prédio ser tombado como patrimônio histórico ele concorda. “Tem que ser, por enquanto ‘nós’ não sabe nada. Já teve história, mas o que vai acontecer é isso aí mesmo. Vai fazer o que? Isso aqui dura a vida toda. Se sofisticar muito o povo corre”.

Nara Lúcia de Souza Gomes, de 50 anos, que trabalha na relojoaria que o marido herdou do sogro, também manifestou a favor da medida. “Acho importante, quantos anos tem esse prédio! É uma referência para o estado, as pessoas vem pra cá. Acho interessante”, pontua. “Acho uma maravilha. Acredito que é fundamental. O Mercadão é muito representativo para Campo Grande”, diz Márcio Rios, de 45 anos, que vende calçados de couro há 6 anos no prédio.

Escada que leva ao mesanino. (Foto: Kísie Ainoã)Escada que leva ao mesanino. (Foto: Kísie Ainoã)

Há 22 anos vendendo produtos naturais, seu Antônio Denadai, de 73 anos, se une ao coro e ressalta o papel do Mercadão na vida do campo-grandense e para o turismo. “Aqui no centro, o ponto turístico de Campo Grande é o mercadão. Dificilmente quem vem a Campo Grande não vem ao Mercadão. Tem pessoas de Campo Grande que parece que é uma devoção, vem sempre, principalmente nos finais de semana. Onde se encontram os amigos. As pessoas vêm comprar pastel, carne. A gente fez muita amizade”, conta.

O único a reagir com desconfiança ao ser inquirido pelo tombamento, foi seu José Sebastião de Oliveira, de 69 anos. “Não vão tomar de nós, não?”, questionou. Após entender do que se tratava, com simplicidade ele disse que vai ser bom.

Climatizadores adicionados recentemente não poderiam ser incluídos se o prédio já fosse patrimônio histórico, pois descaracterizam a arquitetura. (Foto: Kísie Ainoã)Climatizadores adicionados recentemente não poderiam ser incluídos se o prédio já fosse patrimônio histórico, pois descaracterizam a arquitetura. (Foto: Kísie Ainoã)

Entre os clientes, a notícia também foi apoiada. “Está na história de Campo Grande e representa a cultura do Estado”, disse o militar Mateus Lacerda, de 20 anos. “Vai ajudar a preservar”, declarou a depiladora Marlene Luz, de 55 anos. “É uma referência. está passando da hora”, opina o policial militar, Alan Santos, de 24 anos.

Entre todos os entrevistados, a principal mudança apontada entre todas as reforma foi a climatização. O piso, que antigamente era de cimento e não propiciava a higiene, também foi citado. Intervenções que foram apontadas como grandes melhorias. Mas a partir do momento em que o processo for finalizado, obras que descaracterizem o prédio não mais poderão ser executadas.



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