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Arquitetura

Após sonho com morte, Noemia transformou a própria casa

No sonho, ela viu que receberia hóspedes diante de situação difícil, por isso, começou a expandir a casa

Por Bárbara Cavalcanti | 20/06/2021 07:10
Noemia Botti Schmitt abre sua casa toda feita por ela mesma. (Foto: Henrique Kawaminami)
Noemia Botti Schmitt abre sua casa toda feita por ela mesma. (Foto: Henrique Kawaminami)

“Sonhar pra mim era coisa difícil, pois eu sempre virava a noite lendo um livro. Mas um dia eu sonhei que eu estava no mundo espiritual, e na minha frente havia uma mesa de julgamento com várias entidades. Não lembro exatamente todos os detalhes da conversa, mas a única coisa que ficou marcado foi que uma delas me disse que meu irmão iria morrer, e três pessoas da casa dele então viriam morar comigo. Assim, eu comecei as obras na casa, afinal eu morava sozinha, precisava me preparar para recebê-los”, relata a aposentada Noemia Botti Schmitt ao Lado B.

Ninguém imagina, mas essa é a história de uma casa cheia charme encontrada no Airbnb. Ela fica no Bairro Tiradentes e de fora nem dá para perceber todo o trabalho e esforço que Noemia colocou em todos os detalhes.

Antes, o terreno de 10x20m tinha uma única casa de 42m², que hoje viraram três kitnets e a casa maior que ela descreve como “Apartamento Colonial” na plataforma de aluguel de imóveis por temporada.

Casa de Noemia, toda feita e decorada por ela mesma, está disponível para aluguel por temporada no Airbnb. (Foto: Henrique Kawaminami)
Casa de Noemia, toda feita e decorada por ela mesma, está disponível para aluguel por temporada no Airbnb. (Foto: Henrique Kawaminami)

O sonho que levou à expansão aconteceu da década de 90, quando Noemia ainda vivia sozinha. Natural do estado do Paraná, chegou em Mato Grosso do Sul em 1984, trabalhou por um ano no jornal Correio do Estado e depois como jornalista na Sanesul. O terreno com a casa simples foi sorteado pelo Governo do Estado aos trabalhadores dos órgãos públicos que ainda não tinham moradia própria.

Tudo foi projeto da própria Noemia, ela mesma quem pensou e desenhou. “O pé direito da cozinha ficou muito alto”, ri. O “apartamento” tem dois andares, e a parte de cima é dividida por um mezanino, idealizado por Noemia. Muitos dos móveis são reutilizados, mas tudo em ótimo estado de preservação, e cada um deles também traz um pedaço de episódios da vida de Noemia.

A cama foi restaurada e está em perfeito estado. Guarda roupas era da filha de Noemia e foi ela mesma quem pintou. (Foto: Henrique Kawaminami)
A cama foi restaurada e está em perfeito estado. Guarda roupas era da filha de Noemia e foi ela mesma quem pintou. (Foto: Henrique Kawaminami)

A decoração da casa também tem toques da proprietária: por meio de tutoriais no Youtube, ela fez quadros com aquarela, a pintura em um dos armários, os mosaicos com pequenos azuleijos em nos espelhos da sala e do banheiro. “Fiz também alguns móveis. Montei as cadeiras, só a mesa que achei meio complicado”, detalha.

E o sonho se tornou realidade, mas felizmente sem a tragédia. Com o tempo, Noemia casou e adotou uma filha. O irmão dela realmente sofreu com um aneurisma cerebral, mas sobreviveu e ficou bem, sem a necessidade de que sua família se mudasse para a casa dela. Mas ainda sim, o sonho não deixou de se concretizar, mesmo que com outras pessoas.

“Somos todos irmãos espirituais, então eu acredito que o sentido continua o mesmo. Ao invés do meu irmão, veio o irmão do meu ex-marido junto com o filho, todos de lá da Bahia. Além disso, meu ex-marido tem um filho do relacionamento anterior, e quando a mãe desse menino ficou sabendo que tínhamos adotado uma menina, enviou o adolescente para cá também. Então as três pessoas do sonho se tornaram meu cunhado, sobrinho e enteado”, explica.

Mosaico no espelho na entrada Noemia fez sozinha. Antes, era uma porta antiga. (Foto: Henrique Kawaminami)
Mosaico no espelho na entrada Noemia fez sozinha. Antes, era uma porta antiga. (Foto: Henrique Kawaminami)

Os anos se passaram, os rapazes voltaram para a Bahia, o casamento se desfez e a filha de Noemia hoje já está adulta. Mas a casa não esvaziou. Desde o ano passado, está disponível para aluguel pelo Airbnb e as demais kitnets também estão alugadas, se transformaram em uma fonte de renda extra, além da aposentadoria.

Apesar de toda construção, e inclusive dos planos de continuar aprimorando o espaço, percebe que a qualidade dos atendimentos é ainda mais importante. Na plataforma, tem a classificação máxima e apenas elogios dos hóspedes.

“No começo, foi trabalhoso. A gente que é da terceira idade muitas vezes acha que já sabe de tudo, mas ainda tem muito a aprender. Mas já conquistei a marca de superhost na plataforma, e é isso que o hóspede precisa, a atenção, o cuidado. Esse estilo de aluguel é de muita troca. Desde que comecei, o único prejuízo que tive foi a perda de um cobertor”, detalha.

Noemia gosta de estudar sobre arquitetura e é entusiasta do movimento Tiny House. (Foto: Henrique Kawaminami)
Noemia gosta de estudar sobre arquitetura e é entusiasta do movimento Tiny House. (Foto: Henrique Kawaminami)

Noemia é entusiasta do movimento Tiny House, estilo de arquitetura que une criatividade e conforto em pequenos espaços. “Ainda tenho um pedaço do meu terreno em que quero fazer mais kitnets, nesse estilo também, com criatividade”, expressa.

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