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Campo Grande, Sábado, 20 de Outubro de 2018

11/05/2018 07:46

Preservada, casa de 83 anos é lugar que quase não se percebe na Afonso Pena

Mas quem para para olhar encontra quase intacta a arquitetura de 1935, em portas, janelas e histórias da família que ainda vive no lugar

Thailla Torres
Casa construída em 1935 resiste ao tempo na Avenida Afonso Pena. (Foto: Fernando Antunes)Casa construída em 1935 resiste ao tempo na Avenida Afonso Pena. (Foto: Fernando Antunes)

A casa com fachada amarela em contraste com o verde desbotado da janela de madeira é o que restou de mais antigo na avenida Afonso Pena. Apesar de toda a mudança em volta, nada se transformou no cenário do imóvel erguido em 1935, que continua na mesma família. 

O portão de ferro é o detalhe que separa o passado da avenida, que apesar de ser a mais movimentada da cidade, ainda esconde tamanha relíquia, quase invísivel para quem costuma passar pela Afonso Pena sem olhar para os lados. 

Lá dentro, parte da família ficou para contar a história da casa, em um lugar de aproximadamente 800m², comprado em 1937 por dona Isabel Chaparro Barbosa, fazendeira que chegou à região e comprou parte dos imóveis que já existiam naquele trecho, perto de onde hoje fica a igreja Perpétuo Socorro.

Janelas e fachada são vestígios do passado de uma das famílias mais antigas da Avenida Afonso Pena. (Foto: Fernando Antunes)Janelas e fachada são vestígios do passado de uma das famílias mais antigas da Avenida Afonso Pena. (Foto: Fernando Antunes)

Longe do asfalto e da movimentação, o lugar era de uma calmaria hoje desconhecida "Naquela época, a cidade terminava na Calógeras. Aqui era, praticamente, tudo chácara. Minhas tias contam que era preciso atravessar o córrego em um pinguela de madeira para ir à escola", conta o técnico de informática Paulo Martins Baudenarok, de 52 anos, um dos nove netos de Isabel que morreu em 2007.

O local é um dos imóveis que a fazendeira deixou para os filhos na avenida. "Ainda está em processo de inventário, mas é demorado", explica o neto que vive na casa com a mãe, diagnosticada com Alzheimer há 8 anos.

Do lado de fora, a arquitetura intocada é o que mais chama atenção. Um desejo da avó que nunca foi ligada às mudanças, mas que valorizava como ninguém a beleza da casa. "Ela nunca sentiu vontade de mudar, pelo menos nunca falou. Os filhos também não, todo mundo foi muito feliz nessa casa".

A obra que terminava no meio do terreno foi ampliada na década de 1980. "Foram ampliando conforme a necessidade", mas o que existia desde 1935 nos primeiros cômodos permaneceu intacto. Dentro, o mobiliário antigo deu lugar ao vazio. Há poucos móveis, mesmo assim é de se admirar o tamanho das janelas, a porta imponente e o pé direito com aproximadamente 5 metros de altura.

Detalhe da porta e os pisos ainda intactos. Detalhe da porta e os pisos ainda intactos.
Banheiro colorido desde 1980.Banheiro colorido desde 1980.
Relíquia deixada pelo pai de Paulo.Relíquia deixada pelo pai de Paulo.

No banheiro, azulejos antigos casam com o vaso sanitário colorido e com um dos pisos renovados na década de 1980. De resto, o ladrilho hidráulico da sala e alguns quartos também permanecem intactos.

Será assim até que a família decida que destino dar ao lugar que por anos foi alegria da família e vista privilegiada para a transformação da cidade. "Aqui minha avó viu muita coisa acontecer, a cidade foi crescendo, tomando conta da região. Tudo mudava, menos a casa dela".

Nos álbuns antigos, as fotografias com a família na Afonso Pena, já existente na porta de casa. Em uma das fotos é possível ver um prédio antigo que hoje dá lugar a um dos bancos da região. Outro retrato, abriga a primeira casa de planta circular da cidade e a criançada que fazia do canteiro central um ponto para brincadeiras.

Na garagem, outra relíquia, a Variant de  1973 guardada por Paulo desde que o pai faleceu. "Ele gostava muito desse carro. Mesmo com outros veículos ele não se desfazia. É um lembrança que a gente quis guardar dele".

Se por ali algumas casas históricas desapareceram do cotidiano do campo-grandense, ao tornarem-se pontos comerciais, Paulo acredita que a casa amarela ainda tem muito pela frente. "Enquanto pertencer a família,  será cuidada e mantido do jeito que nossa avó deixou".

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Dona Isabel ao lado do marido e um dos netos.Dona Isabel ao lado do marido e um dos netos.
Paulo e a irmã no canteiro que era ponto de brincadeiras.Paulo e a irmã no canteiro que era ponto de brincadeiras.
Hoje, no mesmo local, com um cenário transformado.Hoje, no mesmo local, com um cenário transformado.
Frente da casa amarela quando ainda não existia grades. Frente da casa amarela quando ainda não existia grades.
Os melhores momentos era na frente da casa.Os melhores momentos era na frente da casa.


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