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Artes

Luto inspira pintura de taças em loja escondida dentro de clube de tiro

Marina encontrou na arte em vidro uma forma de trabalhar, reunir pessoas e superar a perda da mãe

Por Amanda Ferreira | 10/09/2026 08:13
Luto inspira pintura de taças em loja escondida dentro de clube de tiro
Taças pintadas à mão podem ser usadas em casamentos, aniversários, encontros entre amigos ou como presentes personalizados (Foto: Amanda Ferreira)

Quem pensa em pintar uma taça talvez imagine cores delicadas, desenhos vivos e detalhes feitos à mão. Mas, para Marina Moreira de Andrade, de 45 anos, a pintura em vidro também virou motivo para reunir amigos, família, organizar jantares e até marcar um date diferente para um cliente.

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Marina Moreira de Andrade, de 45 anos, transformou a pintura em vidro em negócio e forma de superar o luto pela morte da mãe. À frente da MMA Home Decor, instalada dentro de um clube de tiro em Campo Grande, ela oferece taças pintadas à mão e workshops que unem pintura, gastronomia e degustação de vinhos. Filha de artista plástica, Marina retomou a técnica após a perda da mãe em 2021 e já customizou até uma arma com flores.

À frente da MMA Home Decor, instalada de forma quase escondida dentro de um clube de tiro, em Campo Grande, a empresária e artista transformou a técnica em trabalho e também em uma forma de atravessar o luto pela morte da mãe. Foi entre tintas, reflexos e superfícies de vidro que Marina encontrou um novo caminho depois da perda da mãe.

A relação de Marina com a pintura começou ainda na infância. Filha de artista plástica, ela cresceu acompanhando a mãe no ateliê e convivendo com pincéis, tintas e diferentes técnicas. Apesar dessa proximidade, escolheu inicialmente outro caminho artístico e construiu a carreira no balé.

Luto inspira pintura de taças em loja escondida dentro de clube de tiro
Técnica usada por Marina tem secagem rápida e permite que a pintura em vidro seja concluída sem a espera exigida por trabalhos em tinta a óleo (Foto: Amanda Ferreira)

A mudança veio depois da morte da mãe, há cinco anos, morta por engano em um assalto dentro de casa em 2021, quando Marina decidiu montar uma loja voltada à decoração e mesa posta. Durante viagens a São Paulo (SP) para conhecer fornecedores e participar de feiras, percebeu que a pintura em vidro ganhava espaço. Foi então que resolveu retomar algo que já fazia parte de sua história.

“Minha mãe pintava porcelana, vidro, tecido, tudo. Eu cresci no ateliê dela. A pintura fez parte da minha vida de uma forma muito natural, mas eu nunca olhei para isso pensando em algo profissional. Eu olhei para aquilo e falei: ‘Ah, eu sei fazer’. Comecei a pintar, me apaixonei e, para mim, mais do que um desafio, foi uma forma de sair do luto”, conta.

Hoje, as peças pintadas por Marina dividem espaço com os demais produtos da loja e também deram origem a workshops presenciais. Os encontros misturam pintura, gastronomia e degustação de vinhos e espumantes.

Luto inspira pintura de taças em loja escondida dentro de clube de tiro
Entre os desafios já aceitos pela artista estão pinturas de um cavalo e até de uma vaca leiteira em taças de vidro (Foto: Amanda Ferreira)

Nos workshops, as participantes recebem 2 taças de cristal para pintar e cada edição pode ter uma proposta diferente. A primeira teve tema livre, enquanto a segunda foi dedicada às orquídeas, e Marina já estuda uma próxima experiência inspirada em limão-siciliano.

Além do caráter de lazer, os encontros também atraem quem busca aprender a técnica profissionalmente. “No último workshop, tive uma pessoa que veio de fora de Campo Grande para aprender porque trabalhava com festas e queria compor as mesas com as peças que ela mesma fazia”, conta.

Luto inspira pintura de taças em loja escondida dentro de clube de tiro
Workshops reúnem participantes para tardes de pintura em taças de cristal, com temas que variam entre flores, folhagens e outras referências (Foto: Amanda Ferreira))

Para Marina, o interesse também acompanha uma tendência de valorização do feito à mão, seja em encontros entre amigas, aniversários, dates ou presentes personalizados. “Você poder presentear e dizer que fez com as próprias mãos tem um valor muito grande”, afirma.

Dentro do clube de tiro - A localização da loja também costuma surpreender quem chega pela primeira vez. O espaço funciona em um clube de tiro, solução encontrada por Marina para dividir custos e conseguir manter o negócio.

Segundo ela, arcar sozinha com todas as despesas de uma loja seria inviável. A escolha, porém, acabou aproximando 2 universos pouco óbvios: taças pintadas à mão e armas de fogo.

Luto inspira pintura de taças em loja escondida dentro de clube de tiro
Ateliê divide espaço com um clube de tiro, combinação improvável que costuma surpreender quem chega para conhecer a loja (Foto: Amanda Ferreira)

Para evitar que os disparos atrapalhem a concentração durante as aulas, Marina procura realizar os workshops quando a loja de armas está fechada. “Todo mundo lá concentrada não ia dar certo”, brinca.

Mesmo assim, a descoberta do endereço costuma despertar curiosidade entre as clientes. “As mulheres vêm e descobrem que a minha loja está dentro da loja de armas do nosso clube de tiro e ficam muito interessadas”, conta.

A mistura já rendeu situações inusitadas. Algumas clientes, segundo Marina, chegaram a sugerir unir as duas atividades. Outras fazem piada ao encontrar pratos na loja. “Tem cliente que chega aqui e olha os pratos: ‘Ué, tiro ao prato?’ Eu falo: ‘É um tiro ao prato um pouco mais caro, mas é’”, relata.

A pintura também já saiu do vidro e foi parar em uma arma. Marina conta que customizou uma peça para uma cliente, com fundo em tom magenta e flores pintadas ao longo do cano. “Eu fiz uma arma feminina. Ela era com fundo na cor meio magenta e eu pintei flores em todo o cano da arma”, afirma. A peça acabou sendo comprada já com a personalização.

Memória da mãe em arte - Retomar a pintura, porém, não foi simples. Depois da morte da mãe, Marina conta que teve dificuldade até mesmo para se desfazer dos materiais deixados por ela. Pincéis, tintas e outros objetos permaneceram guardados, mesmo quando ainda não imaginava voltar a pintar.

Luto inspira pintura de taças em loja escondida dentro de clube de tiro
Materiais de pintura que pertenceram à mãe permaneceram guardados após a morte dela e ajudaram Marina a retomar a relação com a arte (Foto: Amanda Ferreira)

Foi justamente nesses materiais que Marina encontrou uma maneira de se sentir novamente próxima da mãe. Ela evita chamar a pintura de terapia, mas reconhece o efeito que a atividade teve durante o luto.

“Minha mãe pintava tudo, e muito bem. Quando foi para doar as coisas da minha mãe, eu não conseguia doar os pincéis. Dava aula no Sesc, em vários ateliês da cidade e também em casa. A pintura realmente não é terapia, mas é terapêutica. Foi uma forma de eu me sentir mais próxima dela”, finaliza Marina.

A MMA Home Decor está localizada na Rua Simón Bolívar, 510, no Bairro Vila Progresso.

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