Furinho vira flor e roupa ganha outra cara com pontos de bordado livre
Técnica permite esconder pequenos defeitos, personalizar peças, fazer quadros e até produzir itens para vender

Um furinho na camiseta pode ganhar flores. A calça básica pode ficar com outra cara depois de alguns pontos coloridos. E o que começa em um pano de prato pode terminar em quadro, roupa personalizada, peça de decoração ou até produto para vender. No bordado livre, linha e agulha abrem um leque de possibilidades sem exigir que a pessoa comece sabendo muito.
É justamente esse “o que dá para fazer?” que 12 mulheres começaram a descobrir nesta semana no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) do Bairro Zé Pereira. Durante três dias, elas aprendem os primeiros pontos da técnica e como levá-los para peças usadas no cotidiano.
Diferentemente de trabalhos que seguem desenhos e pontos mais rígidos, a proposta do bordado livre permite experimentar formas, cores e aplicações. Na prática, pode aparecer na toalha de casa, em roupas, quadros e objetos decorativos. Também pode ser usado para dar uma segunda vida a uma peça, transformando um pequeno remendo em detalhe proposital.

Aos 70 anos, a cabeleireira Sueli Souza da Cunha atravessou a cidade para participar da primeira aula ao lado da filha. Moradora da região da Avenida das Bandeiras, ela já entrou pensando onde pretende usar o que aprender.
“É um conhecimento a mais, e sempre é bom. Aqui você tem as colegas, a professora e também uma oportunidade de sair de casa. Terminando esse bordado, eu e minha filha vamos continuar fazendo. Quero fazer desenhos no pano de prato para casa e também usar o bordado para remendar roupas”.
Da roupa à renda extra - A manicure Roberta Kelly dos Reis Farias, de 46 anos, também chegou sem experiência com agulha, mas com alguma vantagem nas mãos. Acostumada ao trabalho minucioso da manicure, acredita que a familiaridade com cores e detalhes pode ajudar.
Ela já participou de cursos de produção de sabão, tear e reciclagem e costuma aproveitar as atividades quando consegue encaixá-las na rotina.
“Eu já fiz curso de sabão, de tear e de reciclagem. Sempre que tem disponibilidade e bate com os meus horários, eu estou por aqui. Os trabalhos manuais ajudam bastante. Agora vou aprender bordado. Nem sei pegar uma agulha, vamos ver como vai ser, ainda não sei o que pode sair daqui, mas com certeza pode vir muita decoração. Como venho da manicure, tenho facilidade com manual e detalhes então essa parte das cores pode me ajudar com decoração”.

E não precisa necessariamente ficar como passatempo. Uma peça bordada à mão também pode virar produto artesanal, seja em roupas personalizadas, quadros ou objetos de decoração.
Responsável pelas aulas, a assistente social e artesã Zunilda Freitas, que trabalha há mais de 12 anos com grupos de mulheres, explica que os destinos dados à técnica costumam ser diferentes.
"Cada uma acaba levando o bordado para um caminho diferente: para algumas vira arteterapia ou hobby; outras usam para decorar, bordar roupas, fazer quadros e peças de decoração ou até conseguir uma renda extra, como já aconteceu com outras alunas. Como esta é a primeira aula, elas continuam experimentando a técnica, mas, em breve, já vão começar a pensar no que querem fazer como trabalho final".

A cabeleireira Maria Luzia da Silva, de 58 anos, ainda está justamente nessa fase de descobrir o que consegue fazer com linha e agulha. Ela chegou por indicação de uma vizinha e, apesar de já ter aprendido crochê e artesanato com garrafas PET, nunca havia experimentado bordado livre.
“Hoje eu vou participar da aula de bordado à mão livre e estou supercuriosa, porque é uma área totalmente diferente da que eu domino. É a primeira vez, não sei nem pegar na agulha, nem nada, mas estou superanimada para aprender".

Durante os três dias de atividade, cada participante deverá finalizar uma peça. Para Zunilda, ver o primeiro trabalho pronto também faz parte do processo.
“Com certeza a gente vai finalizar cada trabalho delas. Só de ver um trabalho pronto já há uma elevação da autoestima. Além de aprender uma habilidade manual, elas podem usar isso para geração de renda, socialização e interação".
O curso é promovido pela Secretaria Municipal da Mulher e segue até quinta-feira (10), das 8h30 às 11h, no CRAS do Bairro Zé Pereira.

Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.

