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Artes

Livro preserva linguagem de sinais indígena, que é diferente da Libras

Ivan usa língua de sinais terena como forma de mostrar a pluraridade da língua e o respeito a essas cultura

Por Lucas Mamédio | 10/04/2021 07:10
A história acontece antes do século XV, quando a personagem principal Káxe, a pajé surda, é chamada para o ritual típico.
A história acontece antes do século XV, quando a personagem principal Káxe, a pajé surda, é chamada para o ritual típico.

O professor de português do Paraná, Ivan Souza, lançou um livro em quadrinho em língua de sinais indígena terena. A obra o “Sol, a pajé Surda”, é resultado de um projeto desenvolvido na Universidade Federal do Paraná  (UFPR).

Livro está disponível para venda.
Livro está disponível para venda.

A história acontece antes do século XV, quando a personagem principal Káxe, a pajé surda, é chamada para o ritual típico de solicitar benção aos ancestrais ao nascer uma criança. Nesse momento, junto à benção, a pajé recebe a visão do futuro do povo terena por meio de imagens. Dessa forma, o desenvolvimento da narrativa perpassa os principais momentos históricos: desde o início do povo terena (Aruak) datado de antes do século XV, percorrendo o caminho geográfico que os terenas realizaram até se fixarem, em sua maior parte, na região do Mato Grosso do Sul.

A HQ já está em fase de pré-venda o dinheiro arrecadado será usado para realizar um curso para professores indígenas terena sobre a língua indígena de sinais.

“Além do registro histórico, encontram-se os aspectos culturais bem marcados nas ilustrações como por exemplo as pinturas corporais, o artesanato, as plantações e a espiritualidade. Optamos a explorar as imagens ao invés da escrita em ‘’balões’’ em razão de priorizar a estrutura linguística das línguas de sinais, em outras palavras, visual-espacial”, explica Ivan.

O interesse do autor pelo assunto nasceu durante os estudos de Libras, antes mesmo da faculdade. “Fiquei sabendo da Língua da sinais Kaapor e achei muito interessante, mas nos cursos é basicamente isso que ficamos sabendo, que existe uma outra língua de sinais além da Libras. Levei essa inquietação para a graduação e quando tive a oportunidade de escolher um tema para pesquisar não tive dúvida que seria esse”.

Já no primeiro ano da graduação, em 2017, ele participou de um programa de voluntariado acadêmico no qual pesquisou a história dos surdos no Paraná. “Depois que o projeto acabou, senti vontade de continuar pesquisando e, no final de 2017, iniciei meus estudos trabalhando com duas línguas indígenas de sinais: a terena e a guarani. Uma ideia ingênua, que minha orientadora Kelly de imediato advertiu para que seguíssemos com apenas uma,  visto que são povos diferentes cada um com suas especificidades sedo impossível pesquisar as duas em tão pouco tempo”.

A HQ foi divulgada primeiramente para os indígenas terena que contribuíram voluntariamente com a pesquisa em Aquidauana, Dourados e Miranda. “Todos ficaram encantados”.

Para Ivan, a obra é importante pois ajuda a desconstruir a ideia de monolinguismo, como o caso da língua oral que usamos no Brasil, o português.

“No caso das demais línguas de sinais, queremos levar a ideia de que o monolinguismo exclui, diminui e não valoriza a pluralidade linguística e nem auxilia na aquisição de conhecimentos. A transmissão dos saberes em suas línguas maternas, independentemente da língua que se tem em dominância, trata-se acima de tudo de um direito constitucional”.

Acesse o link para pré-venda aqui.

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