Nutricionista aposta em resina para fazer buquê durar para sempre
Artista transforma arranjos da cerimônia em peças que carregam histórias de amor, luto e até divórcio
Flores que normalmente durariam poucos dias têm ganhado uma segunda vida depois do casamento. Em vez de deixar o buquê secar ou descartá-lo após a cerimônia, algumas noivas procuram formas de preservar a lembrança e transformam parte do arranjo usado no grande dia em peças de decoração feitas com resina.
Em Campo Grande, a nutricionista e artista Thaline Estevam da Rocha, de 30 anos, trabalha justamente com esse tipo de recordação. À frente do Amor em Resinas, ela recebe os buquês, prepara as flores para conservação e as usa na produção de peças personalizadas. Como o trabalho depende das características de cada arranjo e exige diferentes etapas de preparação, a produção é limitada a projetos especiais.
Ao longo do trabalho, Thaline passou a acompanhar histórias que vão muito além da conservação das flores. Uma das primeiras clientes havia mantido o próprio buquê desidratado em casa durante anos e, ao receber a nova peça, contou à artista que chorou ao recordar o casamento. Em outro caso, um homem encomendou uma réplica do arranjo usado pela esposa na cerimônia para presenteá-la.

Há ainda clientes que associam as flores à memória de familiares que morreram posteriormente. Nem todas as histórias, porém, terminam como começaram: Thaline relata que já houve casal que se divorciou antes mesmo de a encomenda ficar pronta e que o trabalho também trouxe descobertas inesperadas, como alergias a determinadas espécies de flores.
Como começou - O trabalho de Thaline com resina começou longe dos buquês de casamento. Primeiro vieram os chaveiros, feitos como passatempo e, depois, por encomenda de amigas.
O contato com flores surgiu em 2022, quando preservou orquídeas guardadas pela mãe de uma amiga. Após novos testes com espécies já desidratadas, a procura de noivas ganhou força em 2024, impulsionada também pela dificuldade de encontrar esse tipo de serviço em Campo Grande.
“Eu tinha muito receio de perder as flores durante o processo. Até que uma colega da escola me procurou porque não encontrava quem fizesse esse trabalho em Campo Grande e pensei: por que não tentar? Depois dela, outras noivas começaram a aparecer. Quando vi a empolgação e a emoção delas com o resultado, entendi o sentimento que existia por trás de cada peça”, conta Thaline.
A transformação do buquê em uma peça de resina pode levar de 30 a 90 dias. Quando o trabalho é agendado com antecedência, Thaline orienta as noivas sobre a melhor forma de conservar as flores até a entrega.
O processo depende de fatores como umidade, temperatura, formação de bolhas e quantidade de camadas, além de eventuais correções no polimento ou na própria resinagem.
“É muito importante alinhar as expectativas com cada cliente, porque nem sempre a referência que a noiva envia combina com as flores do buquê ou com o resultado possível. Hoje, a Amor em Resinas voltou a ser um hobby e a agenda ficou mais restrita, porque sigo outra profissão, mas continuo com muito carinho por eternizar flores e momentos. A maioria tem reação de chorar e ficam muito emocionadas, sinto que atingi o objetivo do trabalho quando não é só uma peça bonita, mas sim, algo que faça sentido e que carrega emoção de quem vai guardar aquela peça”, afirma.

Uma das primeiras clientes guardava o buquê desidratado havia anos e se emocionou ao vê-lo transformado. Em outro caso, um marido presenteou a esposa com uma réplica do arranjo do casamento. Algumas encomendas também ganharam novo peso afetivo após a morte de familiares das noivas.
“É incrível como cada uma guarda uma história. Já recebi fotos de cliente chorando quando viu a peça e casal emocionado agradecendo pelo trabalho. Mas também aconteceu de ter divórcio antes mesmo de a peça ficar pronta e até de eu descobrir alergia a algumas espécies quando recebi o buquê”.
Thaline está com a agenda fechada até outubro. Assim que novas vagas forem abertas, as informações estarão disponíveis no Instagram oficial do Amor em Resinas, pelo perfil @amoremresinas.cg.



