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Artes

Depois de 40 anos na ciência e 10 indo à Índia, Zé agora se encontra na ficção

José Carlos Thimoteo assume novo nome artístico e lança obra inspirada em personagens da vida

Por Thailla Torres | 03/09/2026 08:54
Depois de 40 anos na ciência e 10 indo à Índia, Zé agora se encontra na ficção
Aos 75 anos, ele assume o nome artístico Zé Lobreiro e lança o livro “Vila DuZé: o Santuário das Almas Entrelaçadas”. (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois de mais de 40 anos dedicados à Medicina Veterinária, uma carreira acadêmica na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), temporadas na Índia, música e estudos ligados à meditação e terapias, José Carlos Thimoteo Lobreiro decidiu colocar parte dessas experiências no papel. Aos 75 anos, ele assume o nome artístico Zé Lobreiro e lança o livro “Vila DuZé: o Santuário das Almas Entrelaçadas”.

RESUMO

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Aos 75 anos, José Carlos Thimoteo Lobreiro lança o livro "Vila DuZé: o Santuário das Almas Entrelaçadas", assinado com o nome artístico Zé Lobreiro. O evento será no dia 16 de setembro, às 20h, na Estação Cultural Teatro do Mundo, em Campo Grande, com entrada gratuita e música ao vivo. A obra mistura ficção e autobiografia, reunindo experiências do autor em Medicina Veterinária, espiritualidade e meditação.

O lançamento será no dia 16 de setembro, às 20h, na Estação Cultural Teatro do Mundo, em Campo Grande. A entrada é gratuita e a programação terá música ao vivo, inclusive com apresentação do próprio autor.

Com mais de 100 páginas, o livro apresenta personagens que carregam características, experiências e questionamentos do próprio Zé. A proposta se aproxima de uma autobiografia, mas usa a ficção para falar sobre temas que acompanharam o autor durante a vida.

Entre os moradores da Vila DuZé estão Zezé Rezadeira, Dr. Lumíolo Waves e Analuz Vida, os três personagens que também aparecem na capa do livro.

Zezé Rezadeira representa a relação com os antepassados e a importância de reconhecer aqueles que vieram antes.

“Nem todos os nossos antepassados a gente conheceu, tampouco sabemos o nome, mas a nossa existência só foi possível graças a eles. Eu, pessoalmente falando, escolho um de cada para saudar cada um dos meus antepassados, para fazer um agradecimento, uma reverência. Isso é em sinal de respeito com a minha árvore genealógica”, menciona.

Já Dr. Lumíolo Waves é um cientista interessado pelo funcionamento do cérebro que deixa a universidade em busca de outras respostas. O personagem tem pontos em comum com a própria trajetória de Zé, que passou décadas ligado à ciência antes de buscar outros conhecimentos.

Analuz Vida, por sua vez, é uma mulher de cerca de 60 anos que viaja pelo mundo interessada em conhecer os ensinamentos do budismo.

Por meio deles, o autor mistura experiências pessoais com filosofia oriental, espiritualidade e ciência para levantar questões sobre a existência.

Depois de 40 anos na ciência e 10 indo à Índia, Zé agora se encontra na ficção
O lançamento será no dia 16 de setembro, às 20h, na Estação Cultural Teatro do Mundo

Da universidade para a Índia -  Thimoteo chegou a Campo Grande em 1973. Foi na cidade que fez faculdade e construiu parte de sua carreira acadêmica na UFMS. Também passou períodos nos Estados Unidos, onde fez mestrado, e na Itália, para uma especialização.

Ao todo, foram mais de 40 anos trabalhando com Medicina Veterinária. Na universidade, também atuou como pesquisador na área de pecuária orgânica.

Em determinado momento da vida, decidiu mudar de caminho. Passou cerca de dez anos indo e voltando da Índia, onde buscou conhecimentos ligados à meditação, alimentação, terapias e práticas da medicina chinesa.

A música, porém, já estava presente muito antes da vida acadêmica.

“ Naquele tempo eu ficava na cozinha escutando o rádio no programa A Lira do Xopotó, da Rádio Nacional, e ficava batucando na lata de bolacha enquanto escutava as músicas”, fala.

Em Campo Grande, integrou o Grupo Regional de Choro Agemaduomi e também participou de projetos como a Orquestra Clássica do maestro Diniz e o Madeira e Metais, sob regência do maestro Tarcizio.

Ao lembrar daquele período, cita nomes como Maria da Glória Sá Rosa, Albana Xavier, Hildebrando Campestrini, Américo Calheiros e Jair Damasceno.

“A cena cultural era bem rica, eu circulava com esse pessoal”, relembra.

Um livro para deixar suas experiências - A vontade de escrever surgiu também da percepção do tempo. Aos 75 anos, Zé diz que começou a pensar sobre tudo o que viveu e sobre a possibilidade de dividir essas experiências com outras pessoas.

“Devido a minha inquietude, de querer e viver sempre mais, hoje posso compartilhar de várias reflexões, claro que para aqueles que já se interessam por isso”, afirma.

A mudança de assinatura também tem relação com a própria história familiar. Agora, ele passa a usar Zé Lobreiro. Segundo o autor, ele é o último Lobreiro da família e, como escolheu não ter filhos, encontrou no nome artístico uma maneira de manter o sobrenome.

O livro pode não ser o último destino da Vila DuZé. Zé gostaria de levar a história para outras linguagens, como teatro ou audiovisual.

“Minha vontade ainda é transformar a história da obra literária em uma peça de teatro ou produto audiovisual. Tudo o que está no livro, de alguma forma, são minhas experiências de vida ou algo em que eu acredito. Apresento os personagens quase como se fossem arquétipos do meu eu, do ser humano. E trago questionamentos. Onde estamos? o que estamos fazendo aqui? de onde viemos? Esses questionamentos eu tive desde pequeno, é quase como um estímulo para a reflexão conjunta”, afirma Lobreiro.

Para Fernando Lopes Lima, diretor do Teatro do Mundo, o lançamento também será uma oportunidade de conhecer outra faceta de um artista que ele já acompanhava pela música.

“Ele é um artista que eu conheço muito bem como músico e agora vou conhecer como escritor. É uma pessoa inquieta, pensante, interessante e que tem muito para contribuir com a literatura. Já a Estação Cultural Teatro do Mundo é um ambiente que é para agregar o artista ao seu público, juntar artistas e gente interessada em literatura, cinema, teatro, música e poesia.”, comemora.

O lançamento de “Vila DuZé: o Santuário das Almas Entrelaçadas” será no dia 16 de setembro, às 20h, na Estação Cultural Teatro do Mundo, em Campo Grande. A entrada é gratuita.

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