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Artes

Tomado pelo carinho, Eduardo transforma histórias da avó em quadrinhos

O mais impressionante, Eduardo adaptou toda história para o gênero de ficção científica

Por Lucas Mamédio | 19/02/2020 09:15
Personagem é umas das primeiras a nascer em Marte (Foto: Arquivo Pessoal)
Personagem é umas das primeiras a nascer em Marte (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem nunca se sentou em frente aos avós quando criança e, como se assistisse o melhor programa de televisão do mundo, permaneceu horas ouvindo histórias e mais histórias, fazendo um milhão de perguntas e querendo saber a razão de tudo.

O encantamento causado em nós pelos causos dos pais dos nossos pais, fazia com que cada parte daquelas histórias fossem reproduzidas cena a cena em nossas cabeças. Tudo parecia uma fantasia heroica, mas era, muitas vezes, o simples retrato da vida deles.

Tomado pela relação com a avó, que exercendo sua autoridade matriarcal, impediu que divulgássemos o nome dela, por motivos que explico mais adiante, o jovem estudante de arquitetura de 22 anos, Eduardo Azevedo, resolveu adaptar a história de vida da avó para uma HQ, e o mais interessante, por meio de uma ficção científica.

“Sempre fui o menino que desenhou na escola, me afastei um pouco durante a faculdade, até que em 2018 me reaproximei da prática do desenho, tanto que, depois de criar essa HQ, quero voltar meu futuro profissional pra essa área”, diz Eduardo.

Eduardo, autor das histórias em quadrinhos. (Foto: Arquivo Pessoal)
Eduardo, autor das histórias em quadrinhos. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Biografia não autorizada de minha Avó (que viveu em arte)” narra ficcionalmente a história da avó de Eduardo, uma das primeiras humanas a nascer em território marciano. Ela foi levada pelos pais para a Planeta Vermelho porque o pai perdeu tudo na terra ao ser passado pra trás num negócio mal feito, então se inscreveu para o programa de colonização em Marte.

“Eu até pensei e fazer sobre outro assunto, mas minha vó é uma figura tão constante na minha vida (...) ela tem uma história de vida muito massa, dessas comuns de uma geração que nasceu e viveu num Brasil rural”, explica o autor.

A adaptação foi completa, desde os lugares, é claro, até os nomes dos personagens. Isso porque a história da avó de Eduardo não foi fácil e é mais que compreensível a tentativa de se preservar, por isso uma “biografia não autorizada”.

“As pessoas vão perceber que, apesar dos desenhos serem bonitinhos, muita coisa que aconteceu com minha avó é negativa, mas é uma história que precisa ser contada, que muitas mulheres passavam e passam”.

Eduardo usa mais de uma vez a palavra “agridoce” para descrever a vida de sua avó. Ele conta que ela tem mudado de casa em casa ao longo dos últimos anos para cuidar dos netos como uma segunda mãe. Esse sofrimento pretérito somado à grande demonstração de afeto pelas pessoas que a cercam é o que, na opinião dele, dá o tom agridoce em sua história.

"A história reflete toda as avós que cresceram em um Brasil rural, que foram empregadas domésticas, que moraram em terras arrendadas, que se apaixonaram e sofreram e que por fim construíram uma família", diz Eduardo.

Eduardo busca financiamento coletivo para publicar sua HQ (Foto: Arquivo Pessoal)
Eduardo busca financiamento coletivo para publicar sua HQ (Foto: Arquivo Pessoal)
Essa é a primeira parte de uma série de histórias avó que Eduardo pretende contar (Foto: Arquivo Pessoal)
Essa é a primeira parte de uma série de histórias avó que Eduardo pretende contar (Foto: Arquivo Pessoal)

Fã de Gabriel García Márquez (1927-2014), escritor colombiano Nobel de Literatura e criador de um dos estilos mais singulares da literatura, o realismo fantástico, Eduardo faz sua arte dentro do mesmo contexto, contrapondo a dura realidade de uma vida marcada por alguns sofrimentos e a doçura da personagem, sua avó, e do universo criado para inseri-la.

Financiamento – Agora Eduardo busca financiamento virtual para publicar a HQ. Com a ajuda de amigos fez um vídeo promocional que está divulgando em suas redes sociais, veja:

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