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Comportamento

Após ouvir absurdos, Débora decidiu falar sobre síndrome nas redes

Débora é pessoa com Síndrome de Tourette e fala com clareza e bom-humor para quem não sabe dos tiques

Por Thailla Torres | 17/06/2024 07:53


Débora Freitas, de 26 anos, é figura conhecida nas redes sociais por sua abordagem aberta para falar sobre a Síndrome de Tourette, uma condição neurológica caracterizada por tiques motores e vocais. Débora não apenas enfrenta os desafios diários da síndrome, mas também usa suas redes para combater o preconceito e educar o público sobre sua condição.

Aos 14 anos, Débora começou a perceber seus primeiros tiques. “Eu falava tititi, as pessoas percebiam, mas eu não percebia”, relembra. Foi somente aos 19 anos que ela recebeu o diagnóstico no ambulatório da Santa Casa, onde iniciou o tratamento com medicamentos. Os desafios, no entanto, não se limitaram aos tiques. Débora também lida com sintomas de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

“Eu tinha muito TOC, muita mania. Estava brincando e parava de correr para arrumar o cadarço. Eu era uma criança estudiosa e perfeccionista”, conta. Ela explica que os tiques variam de pessoa para pessoa e, no seu caso, incluem bater palmas em uma sequência específica quando está feliz, além de tiques vocais como "aeioi", "abcd" e até expressões inusitadas como "um milhão de reais" e "babaludidibá".

Enfrentando o preconceito

Débora relata que o preconceito é uma batalha constante. “Teve uma época que eu voltava para casa chorando por preconceito”, lembra. Situações desconfortáveis não eram raras: desde professores pedindo para ela "segurar a onda" até desconhecidos sugerindo que ela entrasse em igrejas por conta de sua condição. As perguntas invasivas sobre se ela tinha tiques durante o sexo também eram frequentes.

No entanto, Débora encontrou uma maneira de transformar esses momentos difíceis em oportunidades para educação. “Hoje eu já lido com mais humor e quando percebo que a pessoa não sabe, mas tem curiosidade sobre a Síndrome de Tourette, eu falo e explico. Você percebe que algumas pessoas riem de nervoso ou por maldade mesmo, mas dependendo da situação eu explico”.

A decisão de "dar a cara nas redes sociais" não foi fácil, mas tornou-se uma missão para Débora. "Chegou um momento em que eu precisava que as pessoas soubessem o que era isso. De cinco anos pra cá, as coisas melhoraram muito, mas sinto que poderia melhorar ainda mais. Falta muita empatia", comenta.

Com seu conteúdo, Débora busca desmistificar a síndrome e mostrar que pessoas com Tourette podem levar uma vida plena e produtiva. “Os meus tiques e meus problemas não vão acabar, mas é triste [o preconceito], dá raiva. Não posso deixar essa raiva tirar a minha paz. É claro que a compreensão das pessoas ajuda”.

Débora quer continuar sua jornada, inspirando e educando seguidores com sua história. Ela destaca a importância de dar mais oportunidades de trabalho para pessoas com a Síndrome de Tourette e apela por mais empatia e compreensão. “Dar a cara nas redes sociais não foi um processo fácil, mas é necessário. A falta de empatia é algo que precisa ser trabalhado”, conclui.

Quem quiser saber mais sobre a Síndrome de Tourette pode acompanhar Débora no Instagram.

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