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Campo Grande, Sábado, 22 de Setembro de 2018

31/05/2017 06:47

Após perder 1° filho para a falta de vaga em UTI, mãe se realiza em Gabriel Davi

Com João Pedro, maternidade ficou só na imaginação até Gabriel chegar para fazer de Erika mãe de um filho vivo

Paula Maciulevicius
Erika e o amor, Gabriel Davi.Erika e o amor, Gabriel Davi.

Dois anos separam a pior tristeza da melhor alegria de Érika. Em 2015 ela perdeu o filho João Pedro para a falta de vagas em UTI nos hospitais de Campo Grande. Em 2017 pode viver de novo e de forma plena a maternidade com Gabriel Davi. O "bebê arco-íris", como são chamadas as crianças que nascem depois de uma perda, chegou no dia 30 de março para fazer Érika viver o sonho de ser mãe de um filho vivo. 

No ano em que tudo aconteceu, Érika formou um grupo para mães que perderam seus filhos no Facebook, por meio do qual buscou apoio e também o recebeu de outras mulheres. João Pedro nasceu antes do previsto porque a mãe teve descolamento de placenta. De Aquidauana, a família só conseguiu vaga de UTI em Dourados e, no caminho, o menino morreu.

Medo que acompanhou gestação ficou para trás quando Gabriel Davi nasceu. (Foto: Arquivo Pessoal)Medo que acompanhou gestação ficou para trás quando Gabriel Davi nasceu. (Foto: Arquivo Pessoal)

Em 2016, Érika se formou em Enfermagem e, quando foi liberada pelos médicos para engravidar novamente, descobriu ter ovário policístico. O tratamento fez com que adiasse os planos em seis meses. Assim que regulou, foram outros cinco de tentativas, inclusive com indutor de ovulação, até que a menstruação enfim atrasou, em julho do ano passado.

"Quando eu soube que estava grávida, fiquei muito mais nervosa que da outra vez. Pensava como vai ser? O sentimento que a gente tem ao descobrir é o de medo e ele me acompanhou a gestação inteira. Medo de que aconteça tudo de novo..."

A gestação foi saudável, apesar de crises controladas de hipertensão, e o apoio psicológico também foi importante para a mãe no período. "Eu não estava dando conta de levar sozinha. Sabia que podia ter descolamento de placenta de novo, mas graças a Deus não foi detectado", comemora.

O medo só a deixou no dia em que Gabriel Davi nasceu. "Aí toda aquela insegurança se foi e, depois de ter passado por tudo isso, este medo se transformou num amor imensurável. Você não sabe de onde vem tanto amor", descreve.

O sorriso de quem sabe que é um bebê arco-íris. (Foto: Arquivo Pessoal)O sorriso de quem sabe que é um bebê arco-íris. (Foto: Arquivo Pessoal)

Érika se dizia mãe desde que João Pedro nasceu. "Eu sinto que eu fui mãe, que eu sou mãe, mas não consegui viver essa maternidade plenamente. Eu consegui conhecer o amor de uma mãe enquanto o bebê estava na barriga e eu fiz planos, imaginando como minha vida ia ser depois que o bebê nascesse. Com o João Pedro eu só tive a imaginação", narra.

O sonho de ter um bebezinho em casa, de amamentar e trocar fraldas foi interrompido. Entre as mães que perdem seus filhos existe uma dúvida muito grande: contar ou não com aquele que não viveu? "Eu digo que tenho dois filhos e dependendo para quem é e a conversa eu digo que o outro faleceu assim que nasceu. Eu não tenho vergonha da minha história, é uma coisa que já consegui superar", conta.

Com a perda já cicatrizada, o grupo de mães fundado continuou, mas com menos intensidade. Mães que se tornaram mães novamente saíram dos grupos para viver uma nova fase: a de recomeço.

"O medo é normal para todas que passaram por esse trauma e começar a ouvir de perda novamente? Você tem que dar um tempo. Eu tive que me desligar um pouco. Mudei e comecei a participar de grupos de mães de arco-íris, porque depois de toda tempestade, todo sofrimento, vem a alegria, a beleza e a esperança. O Gabriel é meu bebê arco-íris".

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Gabriel Davi nasceu em março deste ano para tornar Erika mãe de um filho vivo.  (Foto: Gabriela Bernardes)Gabriel Davi nasceu em março deste ano para tornar Erika mãe de um filho vivo. (Foto: Gabriela Bernardes)


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