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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020

29/01/2020 06:12

Com a mão na graxa, amigas criam projeto que mostra o poder feminino na direção

Thailla Torres
Amigas se uniram em projeto que mostra o poder da mulher na direção. (Foto: Henrique Kawaminami)Amigas se uniram em projeto que mostra o poder da mulher na direção. (Foto: Henrique Kawaminami)

A imprudência é inerente ao ser humano, mas basta uma escapada no trânsito para, em poucos segundos, algum inconveniente disparar: “Isso é coisa mulher”. A subestimação do feminino na direção é problema antigo. Sentindo na pele o preconceito e o tormento de serem enganadas por mecânicos, um grupo de amigas criou projeto para ensinar e discutir o poder da mulher na direção.

A iniciativa, aberta ao público, traz palestras e cursos, que envolvem segurança, experiências e mecânica básica. Criado pelas acadêmicas da Anhanguera Iasmin Padilha Rodrigues dos Santos, 21, Karen Grazielly Benites Vaz, 24, e Caroline Resende Guimarães, 21, o projeto “Mulheres na direção – Dirija como uma garota” é daqueles para ninguém se sentir insegura quando o assunto é a relação com a veículo.

Projeto ensina mecânica básica de carro e moto. (Foto: Henrique Kawaminami)Projeto ensina mecânica básica de carro e moto. (Foto: Henrique Kawaminami)

Tudo começou quando Iasmin comprou uma moto. “Por fazer Engenharia Mecânica, na minha ingenuidade, achei que saberia mexer na moto caso acontecesse qualquer coisa. Porém, não foi assim. Quando a corrente da moto caiu pela primeira vez, eu fiquei aflita e percebi o quanto nós mulheres, somos impotentes em relação a problemas mecânicos. Até que um rapaz me ensinou a colocar no lugar e eu fiquei pensativa: quantas mulheres passam por essa situação?”.

Iasmin sabe que teve sorte de alguém tê-la ajudado, porque, no dia a dia, não é bem assim. “Percebi o quanto é importante a mulher saber conduzir situações como esta. Outro ponto importante é nós, mulheres, podermos ensinar nossas filhas, como os pais ensinam seus filhos, vez que, problemas mecânicos independem de quem está conduzindo o veículo”, afirma.

Outro fator decisivo para criação do projeto foi o preconceito. “Situações como bullying, são comuns no dia a dia. O fato de dirigir mal não compete só as mulheres. A imprudência é inerente ao ser humano e não dos gêneros masculino ou feminino”.

A acadêmica ressalta as estatísticas do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), que mostra que 71% dos acidentes no País são provocados pelos homens. Além disso, 70% das multas registradas são para motoristas do sexo masculino.

O tormento de ir ao mecânico também era problema que precisava ser superado. “São situações humilhantes, quando você percebe que, por ser mulher, os mecânicos não dão devida atenção, explicação e até mesmo não executam um bom serviço”.

A ideia é que ninguém sinta insegurança de ir ao mecânico. (Foto: Henrique Kawaminami)A ideia é que ninguém sinta insegurança de ir ao mecânico. (Foto: Henrique Kawaminami)
Também ensina mulheres a resolverem problemas simples no dia a dia. (Foto: Henrique Kawaminami)Também ensina mulheres a resolverem problemas simples no dia a dia. (Foto: Henrique Kawaminami)

De acordo com uma pesquisa realizada pelas acadêmicas, de 62 mulheres entrevistadas em Campo Grande, 77% já se sentiu enganada pelo mecânico e 53% prefere que o carro seja levado à oficina por outra pessoa.

“Situações como ir ao mecânico com o marido, fazer uma pergunta e este só responder ao marido são recorrentes. Também ocorre de o serviço ser mal feito pelo fato de as mulheres não entenderem de mecânica”.

Por isso, o projeto criado na universidade é completo. Entre as palestras, há o tema “O lugar da mulher é aonde ela quiser”, que reflete a vontade feminina de poder fazer o que quiser sem barreiras, machismos e convenções. “Mulheres podem colocar a mão na graxa”, afirma.

Hoje, para atender o maior número de mulheres, o projeto precisa de ajuda. “Precisamos de patrocínio. Pensamos que a divulgação desse projeto, em montadoras, revendedoras e agência de publicidade, conscientizando as pessoas de que as mulheres podem ser mecânicas ou engenheiras é muito importante. Essa divulgação pode ser através de palestras, cartilhas, e folders, por exemplo”.

O projeto vem para acabar com todas as dúvidas das mulheres sobre seus carros e motos, dar segurança para ir ao mecânico e pegar a estrada sem medo de um pneu furar.

O grupo promoverá um curso em fevereiro. Data e outras informações podem ser conferidas pelo Instagram ou Facebook do projeto.

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Projeto quer ver mais mulheres na direção. (Foto: Henrique Kawaminami)Projeto quer ver mais mulheres na direção. (Foto: Henrique Kawaminami)
Amigas oferecem cursos e palestras. (Foto: Henrique Kawaminami)Amigas oferecem cursos e palestras. (Foto: Henrique Kawaminami)
Para alcançar o maior número de mulheres, elas também precisam de patrocínio. (Foto: Henrique Kawaminami)Para alcançar o maior número de mulheres, elas também precisam de patrocínio. (Foto: Henrique Kawaminami)
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