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Campo Grande, Terça-feira, 24 de Setembro de 2019

08/09/2019 09:36

De canhão a carros de época, colecionadores expõem relíquias e falam de história

O evento ocorreu ontem a noite na Vila Planalto e os objetos foram expostos para venda e troca entre os colecionistas

Alana Portela
Réplica do canhão usado nos anos de 1800 durante a guerra (Foto: Alana Portela)Réplica do canhão usado nos anos de 1800 durante a guerra (Foto: Alana Portela)

Evento na Vila Planalto é mais um endereço na cidade para quem gosta de comprar o que fez fama no passado. Durante a feira, as pessoas encontram de carro a canhão de guerra. Os colecionadores mostraram suas "peças preciosas" uma vez por ano e conversaram sobre as memórias que os objetos carregam desde o século XIX.

Para cada objeto, há uma história detalhada. “Temos uma réplica de um canhão dos anos de 1800. Era usado na guerra e é de ferro. O artilheiro enchia de pólvora, mas na época demorava muito para carregar e era perigoso. A pólvora não era bem misturada como hoje, tinha o carvão em brasa que na hora de encher novamente, explodia no rosto do soldado”, explica João Samper, um dos organizadores do evento que ocorre 1 vez por ano e desta vez ocorreu no dia 6 de setembro.

Para ele, além do valor histórico, as antiguidades também contribuem para novas amizades e trocas de experiências. “Quem coleciona cria um grupo de amigos que trocam peças, debatem ideias e aprendem um com o outro. Os objetos remetem a um tempo diferente, como a moeda de Roma que lembra o período do imperador, as batalhas, o comportamento diferente do nosso. A pessoa vai se encantando por esse universo”.

A enfermeira Mariana Oliveira Mônaco dentro do seu fusca verde (Foto: Alana Portela)A enfermeira Mariana Oliveira Mônaco dentro do seu fusca verde (Foto: Alana Portela)

João é professor e relatou que sempre gostou de antiguidades. “Coleciono desde pequeno. Comecei com selos, depois moedas, aviões em miniaturas e cheguei ao ponto de montar o museu, que hoje se dissolveu”.

Paulo Rezende participou do evento e levou sua coleção de moedas e cédulas antigas. “Elas revelam a história numismática do Brasil, sobre a parte financeira e monetária. Muita gente não sabe, mas já tivemos moedas que eram feitas de ouro, prata. Tem as moedas com o rosto dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas”.

Ele é publicitário, tem 31 anos, e entrou no universo das antiguidades ainda criança. Pegou gosto pelo “velho” e hoje coleciona. “Tenho uma cédula de 100 cruzeiros com a imagem de Cecília Meireles que poucos devem se lembrar”. Na sua coleção estão desde a primeira cédula brasileira a circular no País até dinheiro estrangeiro.

Paulo faz parte da Associação Numismática do Estado e diz que o grupo tem de tudo um pouco. Contudo, precisam de apoio para conseguir um museu e mostrar as peças para a população. “Não é barato ter tudo isso. De todas as cidades metropolitanas, Campo Grande é a única ainda que não tem um museu. Queremos implantar isso para disponibilizar o acesso aos que tiverem interesse em saber mais sobre o passado. Se a gente não coleciona, a história se perde”.

Cédula com a imagem da escritora Cecília Meireles  (Foto: Alana Portela)Cédula com a imagem da escritora Cecília Meireles (Foto: Alana Portela)

Entre as peças à mostra, a bicicleta “Monareta” na cor amarela, de 1979, despertava o apego afetivo. Carros antigos que estacionavam numa fileira, provocavam o mesmo efeito.

Entre os objetos mais raros, estava uma espada. “Essa é uma Katana de 1.650. Veio dos Estados Unidos, e era usada no período de guerra. Pelo tempo, custa R$ 2.200. Também tenho as capsulas de canhão usadas na 2ª Guerra”, disse Ivanilson Nogueira, outro organizador da feira.

A enfermeira Mariana Oliveira Mônaco foi conferir o encontro. No seu fusquinha verde de 1973, ela chegou e foi olhar o que tinha de “novo”. Aproveitou a deixa para levar alguns objetos antigos, como barbeador e uma calculadora da década 70 para serem vendidos. “Gosto do antigo, pois faz a gente voltar ao passado e é interessante. As coisas de antes eram feitas para durar mais, porém hoje são descartáveis”.

O empresário João Maurício de Souza também participou da feira e levou seu Caravan de 1978. “É meu primeiro carro antigo, consegui juntar dinheiro e comprei. Sempre quis ter um desses. Quando era criança, meu pai teve um Belina meio parecido com esse, e foi a partir daí que peguei gosto. Hoje faço parte de grupos de carros antigos”.

Além das relíquias, os participantes contarão com artesanatos, da artesã Wey Pinheiro. “Fiz vários objetos e trouxe para vender. Já participei de outros eventos de antiguidades e acho interessante essa mistura do antigo com o atual, pois mostra a evolução do tempo”, concluiu.

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João Samper foi um dos organizadores do evento e contou que gosta de antiguidades desde criança (Foto: Alana Portela)João Samper foi um dos organizadores do evento e contou que gosta de antiguidades desde criança (Foto: Alana Portela)
O publicitário, Paulo Rezende coleciona cédulas e moedas (Foto: Alana Portela)O publicitário, Paulo Rezende coleciona cédulas e moedas (Foto: Alana Portela)

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