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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

05/01/2017 06:05

Deusdete vende chipa há 15 anos no Centro e não se cansa de dizer bom dia

Thailla Torres
O jeito asseado, simpático chama atenção, assim como a chipa quentinha que Deusdete vende há 15 anos no Centro. O jeito asseado, simpático chama atenção, assim como a chipa quentinha que Deusdete vende há 15 anos no Centro.

Em tempos de antipatia, quem vai contra a cara feia chama atenção. No Centro, Deusdete é um vendedor de chipas conhecido na Rua 13 de Maio, esquina com a 15 de Novembro. Ele está há 15 anos no mesmo ponto, vendendo e distribuindo bom dia, de um jeito sereno a quem compra, mas também a quem só está de passagem.

As pessoas passam e como é de se imaginar, não retribuem o cumprimento. Deusdete Costa, de 58 anos, parece não ligar, nem muda a expressão diante da falta de cordialidade. Mas ele ganha o dia com os clientes fiéis que fazem propaganda da chipa para quem está perto. “Essa aqui é verdadeira, só de olhar a cara dela”, comenta um cliente ao pegar o salgado.

E olha que não foi fácil conseguir uma entrevista com Deusdete. A primeira tentativa aconteceu há meses e por pouco ele não escapa novamente, na justificativa de que não queria falar de coisas tristes.

Deusdete é simpático e vale a pena o bom papo. Deusdete é simpático e vale a pena o bom papo.

O vendedor chama atenção pelo capricho, que valeu a insistência por uma hora de conversa. Sempre de jaleco e chapéu branco, esse já é o uniforme há 15 anos, desde que largou a padaria para vender nas ruas. “Tem que ser desse jeito, né, no capricho”, brinca.

Ele nasceu em Uberlândia (MG), mas vive em Campo Grande há 40 anos. Divorciado, hoje vive com uma das irmãs no Bairro Oliveira. É de lá que ele vem todos os dias, vender chipa no Centro da cidade. O trabalho começa às 4h da manhã, quando prepara duas caixas de salgados que leva de ônibus até a região central.

Quando chega ali, por volta das 7h da manhã, em minutos, as caixas vão ficando vazias. É assim todo dia, mesmo ele dizendo que também está enfrentando a crise. “Esse ano que passou foi muito difícil. Não ando vendendo tanto assim”, lamenta.

Tem chipa quentinha a R$ 3,00 e café a R$ 1,00. “É chipa boa mesmo, feita com queijo caipira e leite. Por isso esse preço, custa bastante pra fazer”, justifica.

Deusdete fornecia pães e salgados para várias padarias da cidade. O gosto pela panificação veio durante o período que serviu o quartel. Foi lá que se descobriu. “Acho que é dom que Deus me deu, mas no quartel eu descobri. Fiquei um ano e trabalhei na padaria de lá, fui aprendendo de tudo”.

Quem passa ganha bom dia, quem compra leva chipa quentinha. Quem passa ganha bom dia, quem compra leva chipa quentinha.

Depois de trabalhar em alguns estabelecimentos, conta que chegou a ter uma padaria no bairro Oliveira, mas que fechou há pouco mais de 15 anos. “Não tinha condições financeiras. Dava dinheiro, mas era funcionário, gastos e tudo saiam muito caro. Tive que fechar”, relembra.

Mas sempre disposto, começou a fazer chipa e foi vender em frente ao HU (Hospital Universitário). Depois de um tempo, resolveu ir para o Centro. Ali já se acostumou com os clientes e o movimento da rua. “Todo ano acompanho tudo, até o florescer daquela árvore, no outono cai tudo”, diz sobre o ipê roxo que ele admira todos os anos quando floresce.

O vendedor tem um jeito todo calmo, mas simpático para uma boa conversa. Além do jeito caprichoso de ser, carrega a Bíblia que o acompanha para fortalecer os dias. “A palavra de Deus está sempre comigo. Ela que me dá forças”, diz.

Depois de vender tudo pela manhã, às 10h30 Deusdete guarda a mesa e os bancos em uma farmácia, vai para a casa, fazer mais chipa para encarar expediente no outro período. E faça chuva ou sol, ele não abre mão de estar ali. “Esse é o meu sustento. Daqui que pago minhas contas e vou continuando”, reforça.

O plano agora é torcer para que 2017 seja um ano melhor para as vendas. “Só quero saúde para continuar meu trabalho e que as vendas melhorem, chega de ano difícil”, pede.

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