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Comportamento

Dez lugares que Campo Grande perdeu, mas nunca esqueceu

De bares e cinemas a docerias e restaurantes, reunimos endereços que fecharam as portas, mas seguem vivos

Por Natália Olliver´e Aletheya Alves | 26/05/2026 06:30
Dez lugares que Campo Grande perdeu, mas nunca esqueceu
Segunda loja da Lalai, na Avenida Mato Grosso (Foto cedida por Roberto Higa/Reprodução não autorizada

Resolvemos tirar lembranças do baú para relembrar lugares icônicos que fecharam e deixaram saudade na vida dos campo-grandenses. Nas redes sociais, não faltaram comentários sobre inúmeros locais que nunca deveriam ter acabado. Separamos os mais citados, que estão na lista do que chamamos de “campeões” do passado.

RESUMO

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Campo Grande teve diversos pontos icônicos que marcaram gerações e hoje existem apenas na memória dos moradores. Entre os mais lembrados estão o Park's Burguer, com 30 anos de feijoadas e samba, a doceria Lalai, fundada em 1971, a boate Chatanooga, inaugurada em 1987, o Cine Campo Grande, último cinema de rua da capital, a Sorveteria Torino e a Brink's, paraíso dos fliperamas nos anos 1980 e 1990.

Vamos às histórias. Mas, primeiro, saiba que aqui não existe ranking entre os escolhidos. Um dos mais comentados foi o Park's Burguer, localizado no bairro Itanhangá Park. O espaço ao ar livre acabou após 30 anos de existência. O espaço marcou gerações com rodas de samba, MPB, feijoada aos sábados e encontros que transformavam clientes, funcionários e artistas em uma grande família.

Alguns frequentadores aproveitavam o momento para ter contato com a natureza e sentar embaixo da sombra das árvores gigantes. A despedida reuniu fregueses fiéis, que foram ao local para aproveitar pela última vez o buffet, a música e o clima familiar.  O espaço foi criado por iniciativa de Silvio Nucci, ex-secretário de Cultura do Estado, morto em 2017.

Dez lugares que Campo Grande perdeu, mas nunca esqueceu
Dez lugares que Campo Grande perdeu, mas nunca esqueceu
Dez lugares que Campo Grande perdeu, mas nunca esqueceu
Park's Burguer e Boate Chatanooga (Foto: Google e Arquivo Campo Grande News)

A doceria Lalai marcou a memória afetiva de Campo Grande entre os anos 1990 e início dos anos 2000. A loja começou na pequena Galeria Itamaraty, no Centro de Campo Grande, em 1971. No ano seguinte, em 1972, o negócio mudou para um prédio maior na Avenida Mato Grosso, ao lado do antigo Colégio das Irmãs. Começou a funcionar em 2 unidades, além de manter um espaço para festas. Se ainda estivesse aberta, a Lalai completaria 55 anos.

A segunda unidade ganhou ares de ponto de encontro, com toldo listrado, grades ornamentadas e mesinhas externas. Ali, Mivia Tonisse Nasser e Zilá de Oliveira transformaram a produção caseira em uma marca que ficou na memória de muita gente.

O fechamento definitivo foi em 2015, mas a lembrança dos doces, pratos e eventos segue viva entre antigos clientes. A Lalai nasceu nos anos 1960. As duas começaram fazendo doces e salgadinhos para eventos da Associação Médica de Mato Grosso, em uma estrutura simples, com dois fogões velhos no fundo do quintal e uma batedeira.

Dez lugares que Campo Grande perdeu, mas nunca esqueceu
Cine Campo Grande em 2012 antes de fechar as portas (Foto: Arquivo Cmapo Graned News)
Dez lugares que Campo Grande perdeu, mas nunca esqueceu
Dez lugares que Campo Grande perdeu, mas nunca esqueceu
Cine Campo Grande e Brink's Diversões fizeram história na cidade (Foto: Arquivo Campo Grande News)

A famosa danceteria Chatanooga foi um dos lugares que criou inúmeros DJs em Campo Grande. Inaugurada em 1987, a boate marcou uma geração com discos de vinil vindos da Europa e noites inteiras de muita animação.

O prédio ficava na Rua José Antônio e funcionou por muitos anos. Tempos depois, o espaço virou uma casa de shows sertanejos, que quase nada lembrava o antigo ponto de encontro da juventude, exceto a entrada lateral. Após dez anos de funcionamento, em 2023, o imóvel acabou virando uma igreja.

Hoje, muita gente não sabe que, no auge, a Chatanooga recebia celebridades como Ana Paula Arósio e Ney Latorraca, por exemplo. Por lá, nada de dancinhas dos anos 1970. Aos poucos, o espaço que era pensado para ser popular foi tomado pela elite também.

Essa era a segunda boate dos proprietários no país, sendo que a primeira foi aberta em Ribeirão Preto (SP), no interior de São Paulo.

Dez lugares que Campo Grande perdeu, mas nunca esqueceu


Dez lugares que Campo Grande perdeu, mas nunca esqueceu
Salgado de legumes do a Lanchonete e Bar Haiti é quase patrimônio na memória dos campo-grandenses (Foto: Mylene Duailibi)

Apesar das noites de festas, tem gente que se nega a esquecer da comida da Lanchonete e Bar Haiti. Depois de tantos anos, o lugar ainda é lembrado pela famosa torta de legumes e salgados, na Rua Dom Aquino, entre a 14 de Julho e a Calógeras. O diferencial, conforme a lembrança das pessoas, era o creme jogado em cima dos legumes. A receita foi inventada por William Duailibi. Por lá, além do salgado, também tinha chá-mate gelado e sanduíche de pernil.

Indo para as telonas, o Cine Campo Grande foi uma das estrelas e fechou em 2012. O local acabou sendo a única alternativa fora dos shoppings da cidade nos anos 2000. As sessões foram encerradas sem aviso prévio. O Cine Campo Grande foi o último cinema de rua da cidade. O prédio ainda está localizado na Rua 15 de Novembro. Ele foi inaugurado na década de 1980 e marcou gerações exibindo grandes estreias com ingressos democráticos, até encerrar suas atividades.

Após anos de abandono, o espaço foi arrematado por R$ 4.954.755,22 em leilão on-line. O imóvel ficou quase 10 anos sem destino definido. Antes da venda, a CGU (Controladoria-Geral da União) já havia alertado, em 2024, sobre o abandono do prédio, que registrou princípios de incêndio em 2017 e 2023. Há indícios de que a ação foi maldosa e intencional.

Além de conferir a história de cada um, você também pode ver onde eles ficavam no mapa interativo. Ao todo, selecionamos 10, mas, caso acredite que algum ficou de fora e merece estar listado no mapa, clique em “enviar relato”.

Quando o assunto é padaria, a Pão Bento ficou conhecida como a receita original da Torta Chifon. Isso virou memória afetiva de muitos campo-grandenses. O prato conseguia conquistar até quem dizia não gostar de doce. Em 2017, o sabor do chocolate gelado voltou à conversa quando tentaram reencontrar a torta que marcou a infância de muita gente.

A criação é da pastora e confeiteira Rosana Maria Serra Figueiredo, que adaptou uma receita de família para o aniversário da filha em 1990. Depois, ao assumir com sócios a padaria Pão Bento, em 1992, Rosana transformou a ideia na versão conhecida pelo público: pão de ló, Creme Chifon, raspas de chocolate e tudo bem gelado. A torta ficou famosa como “Torta Sorvete” e ganhou variações.

Quem não se lembra do paraíso dos fliperamas? A Brink’s marcou a infância e a adolescência de quem viveu por aqui nos anos 80 e 90. A primeira loja foi na 13 de Maio, em frente à Praça Ary Coelho, entre a Afonso Pena e a 15 de Novembro. Depois, mudou para outro ponto próximo à Caixa Econômica e, finalmente, para a 13 de Maio com a Avenida Afonso Pena e a Barão.

Dez lugares que Campo Grande perdeu, mas nunca esqueceu
Sorveteria Tourino era a elegria da criançada nos anos 1970, 80 e 90 (Foto: Arquivo pessoal Campo Grande News)

O espaço funcionou até 2001 e virou referência para uma geração que descobriu ali os fliperamas, videogames e simuladores. O local não era só diversão; também dava trabalho: havia fiscalização de escolas, da Justiça e do Conselho Tutelar para evitar que alunos matassem aula para jogar. Mesmo assim, os alunos faltavam às aulas para jogar.

Na Rua 14 de Julho, funcionava a tradicional Sorveteria Torino. Em frente à Praça Ary Coelho, a loja foi um dos pontos mais lembrados da cidade entre os anos 1970, 1980 e 1990. O endereço era uma parada quase obrigatória depois das matinês e sessões do Cine Alhambra, reunindo famílias, crianças e jovens em busca dos tradicionais sorvetes italianos.

A história começou com os italianos Giuseppe Ballatore e Clara Ballatore, conhecidos pela família como Vô Zé e Vó Nonna. Eles vieram da Itália fugindo da guerra, chegaram ao Brasil com pouco dinheiro e reconstruíram a vida em Campo Grande. A sorveteria nasceu dessas referências italianas e funcionava no térreo de um edifício em estilo Art Déco. O preparo dos sorvetes chamava atenção, especialmente pelas máquinas trazidas de São Paulo.

No cardápio, sabores como creme, chocolate, nata, morango, coco queimado, milho verde, limão, ameixa e tamarindo fizeram fama. Também ficaram na memória o picolé de groselha, o Espumone, a Cassata, bolos e vitaminas preparados por Nonna. O casal comandou a Torino até 1976, quando vendeu o negócio a antigos funcionários. A sorveteria seguiu funcionando até 2011.

A Rua Ceará já foi ocupada por dois bares que marcaram a noite campo-grandense. Um deles é o Stones, que antes se chamava Farol. O antigo palco virou escritório de uma empresa de radiadores, mas, nos anos 1990 e início dos anos 2000, o espaço reunia uma juventude inquieta ao som de blues, rock e muita improvisação.

Dez lugares que Campo Grande perdeu, mas nunca esqueceu
Vista de cima do palco do Stones (Foto: Arquivo/Eloy Paulucci)

Em 1996, o local passou a se chamar Stones. O bar funcionou até 2004 e virou território de várias tribos, não apenas do público roqueiro. Por lá, não tinha muita “frescura”. O look era até gente de chinelo, pessoas que saíam de formatura, bandas autorais, covers históricos e noites que avançavam até 4h ou 5h da manhã.

Mesmo com estrutura simples, o bar se consolidou como uma espécie de refúgio noturno. Depois dos shows, quem tinha fome atravessava a rua para comer o lanche do Ary, no clássico combo sem glamour: hot dog, X-salada e madrugada.

O Pastel Mel foi um daqueles endereços que grudaram na memória afetiva. O lugar começou na Avenida Afonso Pena e depois funcionou na Rua 14 de Julho, onde virou ponto de encontro de quem passava pelo Centro em busca de comida simples, quente e sem muita cerimônia. Entre os sabores mais lembrados estavam a panqueca de frango e o pastel de chocolate com coco ralado, combinação que muita gente ainda cita com saudade.

No frio, o movimento não diminuía. O público se reunia para comer as delícias da casa e tomar chocolate quente com licor. O Pastel Mel também foi parada clássica de estudantes, especialmente alunos da Escola Estadual Joaquim Murtinho, que saíam da aula e batiam ponto por lá.

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