Doguinha percorre quilômetros agarrada ao pescoço do tutor em bicicleta
Cena na rodovia chamou a atenção de delegada, que fez uma reflexão sobre pobreza e maus-tratos aos animais
Uma cena inusitada na rodovia chamou a atenção da delegada Tatiana Zinger durante uma diligência em Dois Irmãos (RS). Em meio ao caminho, ela encontrou um ciclista que percorria quilômetros com uma cachorrinha de 12 anos agarrada ao pescoço do tutor, que seguia viagem na bicicleta. A imagem que surpreendeu a delegada foi compartilhada nas redes sociais e já tem quase 800 mil visualizações só no Instagram.
O encontro aconteceu quando Tatiana e sua equipe estavam a caminho de um chamado no município do interior. Ao ver o homem pedalando com a cadelinha, a delegada decidiu parar para conversar e conhecer um pouco da história dos dois.
Durante o bate-papo, ela descobriu que o rapaz vinha do Nordeste do País, e estava em busca de um emprego. Apesar das dificuldades financeiras, a cachorrinha estava bem cuidada e tinha até ração guardada na mochila do tutor.
“Ela tinha 12 anos, está com ele há 12 anos. Estava super bem cuidada. A gente perguntou se tinha ração, ele tinha ração na mochila”, conta a delegada.
A história também mobilizou um policial da equipe, que tentou encontrar uma oportunidade de emprego para o ciclista como pedreiro em Anastácio. Apesar disso, Tatiana não teve mais notícias dos dois.
A experiência levou a delegada a refletir sobre o cuidado com os animais e a diferença entre pobreza e negligência. Nas redes sociais, Tatiana chamou a atenção para a importância de não confundir a falta de condições financeiras com maus-tratos aos animais.
“Ele tinha pouco. Muito pouco, aparentemente. Mas, ainda assim, havia espaço naquela bicicleta para quem dependia dele. O cachorro não ficou para trás”, escreveu.
Na reflexão, a delegada também destacou que existem pessoas com boas condições financeiras que abandonam seus animais, enquanto outras, mesmo enfrentando dificuldades, fazem o possível para garantir que seus companheiros não sejam deixados para trás.
“Falta de dinheiro é uma condição. Negligência é falta de cuidado. E não se pode medir o amor, a responsabilidade e o compromisso de alguém pelo dinheiro que essa pessoa tem no bolso. Não é preciso ter muito para não abandonar. É preciso se importar”, concluiu a delegada na postagem.

