E se “Todo Mundo Odeia o Chris” se passasse em Mato Grosso do Sul?
Vídeos feitos com inteligência artificial transformam situações do cotidiano em humor
Imagine se Chris, o personagem da série Todo Mundo Odeia o Chris, morasse em Maracaju, no interior do Estado? Em vez de enfrentar os perrengues da família Rock no Brooklyn, ele teria que lidar com a febre das motinhas elétricas, dar um pulinho em Pedro Juan Caballero e até tentar encontrar uma namorada na Vila Juquita. É essa a realidade divertida criada pelo “Cris do MS”.
A ideia é do criador de conteúdo Eduardo Henrique, dono da página Maracaju Mil Grau, que usa inteligência artificial para recriar o universo da série norte-americana com situações e personagens conhecidos dos moradores da cidade. Com a narração característica que marcou o seriado, os vídeos misturam referências locais, críticas bem-humoradas e figuras que fazem parte do cotidiano de Maracaju.
O primeiro episódio surgiu a partir das motinhas elétricas que, segundo Eduardo, viraram febre na cidade. Na história, Cris percebe que praticamente todo mundo tem uma, menos ele. Como precisa conseguir dinheiro para comprar a sua, decide aproveitar o ano eleitoral para trabalhar em uma campanha política.
Depois de juntar o valor, o personagem vai até Pedro Juan Caballero em busca de uma motinha mais barata. Por lá, encontra vendedores de chipa, situações envolvendo policiais e outras referências conhecidas de quem costuma atravessar a fronteira. Já motorizado, volta para Maracaju com o objetivo de encontrar uma namorada.
A busca leva Cris até a Vila Juquita, onde conhece Talita, que acaba conquistando o coração do protagonista. Segundo Eduardo, a escolha de Talita foi uma forma de incluir uma figura conhecida pelos moradores e que também entra na brincadeira. “A intenção é fazer com que as pessoas reconheçam as referências e se divirtam com as situações”, comenta.
Fã de Todo Mundo Odeia o Chris, Eduardo teve a ideia de levar o personagem para Maracaju depois de perceber que a narração da série estava em alta nas redes sociais. Ao mesmo tempo, a evolução da inteligência artificial permitia criar vídeos cada vez mais realistas.
“Comecei a fazer em 2025 e fiz com os Simpsons e fazia homenagens a artistas e personalidades que morreram. Com o avanço das ferramentas, passei a investir em vídeos com aparência mais próxima da realidade”, detalha.
A partir daí, situações do cotidiano viraram roteiro. Além das motinhas elétricas e das viagens ao Paraguai, os problemas com a falta de energia também estão entre os temas abordados. Em outro vídeo, por exemplo, Cris tenta se refrescar em casa durante um dia de calor, mas acaba surpreendido por um apagão.
“Eu sempre tento trazer uma crítica, mas não simplesmente apontar e bater. Eu transformo isso em humor”, explica.
Apesar da aparência descontraída, produzir os episódios exige tempo, criatividade e dinheiro. Eduardo é responsável por desenvolver as ideias, criar os comandos para a inteligência artificial, gerar as cenas e fazer a edição, incluindo a narração e as músicas que remetem à série original.
“Cada vídeo desse, de um minuto, eu gasto em média R$ 600 só com a inteligência artificial. As ideias são minhas, eu faço a criação dos comandos e depois a edição”, conta.
Dono da página Maracaju Mil Grau, criada em 2021, Eduardo já perdeu duas contas. Uma delas tinha 45 mil seguidores e outra chegou a 100 mil em apenas 11 meses, antes de ser banida pela plataforma sem notificações ou restrições prévias.
Agora, o criador trabalha para reconstruir a audiência e afirma que os vídeos do Cris têm ajudado nessa retomada. Em apenas uma semana, o perfil no TikTok ganhou 10 mil novos seguidores.
“Agora quero sempre fazer novos vídeos e na próxima história o Cris deve ir para Campo Grande. Vou fazer essa produção com o pessoal do Campo Grande Mil Grau”, finaliza.
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