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Campo Grande, Domingo, 26 de Maio de 2019

07/05/2019 07:32

Elza faz Ramadã pela internet, enquanto não encontra amor muçulmano

Ela começou um namoro virtual e conta aquele tipo de história de amor que parece improvável

Thailla Torres
Em casa ela se priva de algumas coisas para seguir o Ramadã com namorado que vive na Argélia. (Foto: Marina Pacheco)Em casa ela se priva de algumas coisas para seguir o Ramadã com namorado que vive na Argélia. (Foto: Marina Pacheco)

Ao pesquisar informações sobre o início do Ramadã nesta segunda-feira, mês sagrado para muçulmanos ao redor do mundo, encontramos o telefone de Elza, que anunciou na internet um pedido de ajuda para virar muçulmana.

Com o anúncio seu desejo era dar início a reversão, nome dado para quem se converte a religião islâmica. Mas ninguém ligou para Elza, exceto a reportagem que desejava saber se ela havia dado início ao seu primeiro Ramadã, período em que fiéis não podem comer durante o dia, e sexo e bebidas alcoólicas também fazem parte do jejum.

Do outro lado da linha, uma voz simpática e animada, embora nenhum muçulmano tenha ligado para oferecer ajuda. Elza conta que está seguindo o Ramadã por causa do namorado que vive na Argélia e que ela conheceu pela internet, há 7 meses. “Agora tenho que falar coisas boas, não posso comer na frente dele e, se ele me ligar agora, tenho que colocar uma blusa mais fechada”, diz mostrando o bronzeado recente que agora ela vai cobrir só para seguir o período islâmico.

Ela já treina como usar o lenço fora do Brasil. (Foto: Marina Pacheco)Ela já treina como usar o lenço fora do Brasil. (Foto: Marina Pacheco)

Aos 47 anos, Elza diz que é uma mulher bem resolvida e não teve viver a história de amor com um homem que ainda nunca viu pessoalmente. Seguir o Ramadã para ela é uma forma de respeito a religião que ela que viver assim que viajar para o país do namorado, de 27 anos. “Sempre gostei da cultura árabe. Já fui católica e evangélica, mas agora quero aprender mais”, justifica.

Desde que conheceu o namorado e decidiu viajar para conhecê-lo, Elza diz que não cansa de ser chamada de louca. “As pessoas se assustam e acham que eu vou virar mulher bomba. Mas eu não tenho medo de mudanças, nem de pegar o avião e ir sozinha para a Argélia”.

Ela tirou o passaporte em dezembro e diz que agora aguarda a carta visita em papel timbrado que garante o visto para ficar 30 dias no país. Elza trabalhava como gerente comercial em uma loja de roupas quando decidiu sair do trabalho para organizar a viagem. Na casa que divide com a irmã ela já está com a mala pronta, ansiosa para conhecer o namorado que apareceu nas redes.

Apesar de casos que evidenciam riscos de conhecer alguém pela internet, Elza parece não ter medo. “Primeiro que islamismo não é tudo isso que o povo fala. E essa carta visita tem o nome dele e da família dele. A partir do momento que ele me buscar no aeroporto, ele tem que cuidar da minha vida também. Se acontecer alguma coisa por lá, meu país ficará sabendo”, acredita.

Pelo celular ela conversa com o namorado todos os dias e também com os sogros, inclusive, é a sogra que dita o que ela pode ou não levar para o país. “Eu tive que mostrar para ela todas as minhas roupas. Não vou poder levar biquíni porque praia só de maiô e, quando eu for, será somente com as mulheres. Sandália de salto também não vou poder, mas tênis elas usam muito”, descreve.

E se não der certo? A resposta vem com um sorriso. “Eu volto”, diz. E acrescenta. “Vou fazer um teste drive, mas se eu gostar eu fico sem medo algum”.

Por enquanto, Elza trabalha com a irmã na área de beleza de personal bronze, depilação, sobrancelha e massagem, a espera da resposta do consulado para viajar. “Se eu realmente eu gostar dele, eu vou me casar nas leis deles e virar muçulmana para conviver com família”.

Sobre o que a fez ser tão corajosa, Elza fala das decepções na vida. “Eu acho que me decepcionei com muita coisa no Brasil, principalmente com os homens, pode ser o homem mais rico e poderoso do mundo, mas eles não nos respeitam”.

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