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Comportamento

Em 24 anos de banca, só palavras cruzadas nunca saíram de moda

Mesmo com vendas baixas, Rose Mary continua a batalha para manter vivo um dos pontos mais antigos da Capital

Por Natália Olliver | 28/03/2026 07:36
Em 24 anos de banca, só palavras cruzadas nunca saíram de moda
Rose Mary Vieira mantém com orgulho uma das bancas mais antigas de Campo Grande (Foto: Osmar Veiga)

Há 24 anos, a jornaleira Rose Mary Vieira mantém com orgulho uma das bancas mais antigas de Campo Grande. A barraquinha está na Rua Chaadi Scaff, no bairro Itanhangá Park, há 38 anos e dali não sairá se depender da dona atual. O que era lucro certo na década de 1990 hoje é incerteza.

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A jornaleira Rose Mary Vieira mantém há 24 anos uma das bancas mais tradicionais de Campo Grande, localizada na Rua Chaadi Scaff, no bairro Itanhangá Park. Apesar das dificuldades enfrentadas com a chegada da internet, o estabelecimento sobrevive graças aos clientes fiéis e à venda constante de palavras cruzadas e gibis. O negócio, que já funcionou das 6h às 20h nos anos 1990, hoje opera em horário reduzido devido à queda nas vendas. Rose mantém a banca por amor aos clientes e destaca que os períodos de Copa do Mundo são os mais lucrativos. Com produtos que variam de revistas antigas a mangás, ela preserva um importante pedaço da história local.

A coisa só vai para frente devido aos clientes fiéis que não deixam de comprar. O curioso é que, além dos gibis históricos de faroeste, uma das coisas que ainda sustenta as vendas é o que muitos desprezam: as famosas palavras cruzadas.

Embora sejam classificados como “coisa de gente mais velha”, os almanaques com inúmeras páginas para exercitar a memória nunca pararam de sair da banca. Aos 60 anos, Rose conta que não desiste do lugar, primeiro pela aposentadoria que não chegou e, segundo, pelo amor que sente pelos clientes, que esperam ansiosos os lançamentos de gibis que acompanham há anos.

Em 24 anos de banca, só palavras cruzadas nunca saíram de moda
Em 24 anos de banca, só palavras cruzadas nunca saíram de moda
Bnaca de Rosy resiste na base da cruzadinha e gibis antigos (Foto: Osmar Veiga)

Tudo começou em 2002 como uma saída estratégica para Rose cuidar dos dois filhos pequenos, na época com um e três anos. Ela comprou o ponto e sabia que ali era uma parte histórica e viva da cidade. Decidiu tocar até quando não desse mais conta. Os negócios iam bem e Rose funcionava das 6h às 20h, com uma parada simbólica para o almoço. Hoje o cenário é bem diferente: vai das 8h às 18h, com 2h30 de almoço. Isso porque já não compensa ficar tanto tempo aberto.

“Não consigo mais viver só disso. Meu esposo tem o trabalho dele e eu fico aqui. Já foi muito bom ter uma banca de revista, mas atualmente está bem difícil por conta da concorrência, que é grande. Como foi entrando a internet e as coisas foram ficando mais diferentes, quanto mais entrou a internet na vida, o movimento foi caindo. Aí começamos a trabalhar fechando para o almoço”.

Ainda assim, o negócio segue aberto. Não por ilusão, mas por insistência e por um público que permanece fiel. As palavras cruzadas, conhecidas como coquetel, continuam sendo um dos produtos mais procurados.

Em 24 anos de banca, só palavras cruzadas nunca saíram de moda
Em 24 anos de banca, só palavras cruzadas nunca saíram de moda
São 24 anos .no local, mas banca tem mais tempo de mercado 38 (Foto: Osmar Veiga)

“Tem cliente que vem toda semana buscar. Isso não para.” Os gibis infantis também mantêm uma saída constante, principalmente entre crianças que estão começando a ler. Segundo Rose, muitas mães incentivam esse hábito desde cedo. Há também espaço para outros públicos, como jovens interessados em mangás e animes, além de leitores que ainda procuram revistas temáticas e títulos tradicionais como a revista Seleções.

Um dos poucos momentos de alta nas vendas acontece durante a Copa do Mundo FIFA. “Ajuda muito o jornaleiro. Vendemos muita figurinha”, afirma. Fora isso, o cenário é de estabilidade baixa, sem grandes perspectivas de crescimento.

A relação com os clientes acabou se tornando um dos principais pilares do negócio. Rose conhece muitos pelo nome e já sabe o que alguns procuram antes mesmo de falarem. “Tem gente que eu já sei o que quer quando chega.” Ao longo dos anos, a relação virou também um vínculo pessoal. Ela avisa quando chegam novidades e mantém separados exemplares para clientes que acompanham séries de quadrinhos e não querem perder a sequência.

Em 24 anos de banca, só palavras cruzadas nunca saíram de moda
Clientes fieis são umdos motivos para manter banca mesmo com vendas baixas (Foto: Osmar Veiga)

Outro desafio é a falta de controle sobre os preços. “O valor é de capa. Quem define é a editora e a distribuidora.” Isso limita qualquer tentativa de ajustar a margem ou atrair mais consumidores por preço. Algumas revistas ultrapassam os R$ 30, enquanto quadrinhos podem variar bastante dependendo do material e da encadernação.

“Tem gente que vem de fora, de Aquidauana, Miranda. Eu não fecho por causa deles. É uma guerra. E não é fácil. Tem uma revista que vendo que tem mais de 100 anos de mercado. O que não deixa de vender todo esse tempo são os quadrinhos e o caça-palavras. O coquetel depende da quantidade de página e atividade. Tenho versões da Turma da Mônica de 1975 e 1982”.

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