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Campo Grande, Sexta-feira, 24 de Maio de 2019

11/05/2019 08:03

Em longa gravado aqui, roteiro resgata a importância de falar sobre Tia Eva

Gravações ainda não terminaram, mas já começa a reacender o papel da co-fundadora de Campo Grande

Danielle Valentim
Sentado na cadeira, Sergio Antônio da Silva, conhecido como  Sr.Michel; Bisneto de Tia Eva. (Foto: André Lopes)Sentado na cadeira, Sergio Antônio da Silva, conhecido como Sr.Michel; Bisneto de Tia Eva. (Foto: André Lopes)

Na raça! É assim que o roteirista e diretor do longa “Tia Eva 100 anos” decidiu iniciar as gravações. Sem um real no bolso, mas com muito amigos, Caio Cesar dois Reis, de 29 anos, entrou na luta para que o papel da co-fundadora de Campo Grande Eva Maria de Jesus seja assistido e não esquecido.

Caio trabalhou muito tempo nos bastidores do audiovisual de televisão. Foi daí que partiu a ideia de produzir um documentário. A questão é que ao iniciar os estudos percebeu que a história da fundadora da comunidade merecia um longa. Para embasar um roteiro, os estudos começaram em 2018.

“Eu trabalhei muito tempo em televisão e já estava um pouco enjoado desse tipo de audiovisual. Eu já tinha um projeto de documentário desde o ano passado 2018 e comecei a estudar e entender o contexto da comunidade para um mini doc, mas quando eu conheci vi que não cabia um mini e sim um longa”, explica.

As gravações ainda estão rolando e para manter a real história, Caio tem o cuidado de colher somente os depoimentos de descendentes diretos, por exemplo, o de Sérgio Antônio da Silva, conhecido como Michel, bisneto de Eva Maria. Aos 84 anos, ele é ex-presidente da Associação dos Descendentes da Tia Eva.

O roteiro traz à tona três temas principais: a política, a história e a religiosidade que abrange a festa de São Benedito. A celebração é a mais antiga de Campo Grande e, neste ano, completa 100 anos.

Festa começou a partir da promessa da matriarca da comunidade, Tia Eva. (foto: Paulo Francis)Festa começou a partir da promessa da matriarca da comunidade, Tia Eva. (foto: Paulo Francis)

A manutenção da festa todos os anos é uma promessa e pedido da própria Tia Eva. Segundo a crença dos moradores, a fundadora da comunidade foi curada de uma ferida na perna por São Benedito. O comando passou para um filha, depois avó paterna e depois para o pai de Eurides da Silva, conhecido como Bolinho, atual presidente da Associação dos Descendentes de Tia Eva.

“Eu tento indagar sobre o mínimo de respeito à co-fundadora de Campo Grande e inclusão de seu importante papel na história de Mato Grosso do Sul. Esse é um dos objetivos do documentário, fomentar a história e ressaltar o papel que ela exerceu, de mulher forte e avançada para a época. Eu lançou o questionamento por que não se fala em tia Eva?” esclarece.

O desejo de Caio é de que as gravações e edição se encerrem o mais rápido possível para que o lançamento ocorra ainda neste ano. No entanto, busca apoio para conseguir viajar até Mineiros-GO onde poderá falar com mais descentes de Eva Maria.

O roteirista iniciante tem conseguido muita ajuda, mas ainda não tem apoio com recursos da cultura e aguarda abertura de editais. Enquanto isso se vira nos 30 para dar continuidade ao projeto.

“Já cheguei a pagar até a gasolina para os voluntários, é muito difícil. Eu vou tentar um apoio com para conseguir viajar para Mineiros onde outros descentes de tia Eva moram. Eu gostaria que fosse lançado esse ano. Mas data ainda não tenho”, pontua.

Além da cultura negra, a Comunidade Tia Eva também tem a segunda igreja construída na cidade, a primeira é a matriz de Santo Antônio.

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