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Comportamento

Emmanuel esperou 20 anos para viver o sonho de desenhar HQ

Artista sustentou carreira com caricaturas até decidir investir nos próprios quadrinhos

Por Natália Olliver | 24/04/2026 06:25
Emmanuel esperou 20 anos para viver o sonho de desenhar HQ
Emmanuel esperou 20 anos para viver o sonho de ser desenhista de HQ (Foto: Paulo Francis)

Depois de duas décadas de sonho, enfim, Emmanuel Merlotti de Oliveira mergulhou de vez nos quadrinhos. Ele parou de esperar o momento certo de arriscar e apostou tudo no que mais ama fazer: desenhar histórias. O artista passou anos vivendo entre traços rápidos e eventos cheios, fazendo caricaturas. Inclusive, foi isso que o sustentou para que pudesse investir nos livros de histórias em quadrinhos (HQ).

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Emmanuel Merlotti de Oliveira esperou 20 anos para se dedicar aos quadrinhos. Caricaturista há duas décadas, ele usou os ganhos dos eventos para financiar seus projetos de HQ. A pandemia foi o ponto de virada: sem renda, decidiu realizar o sonho. Hoje, mantém as caricaturas como sustento e investe na série "Lázaros", além de prestar serviços a editoras e ministrar oficinas. Para ele, a arte ao vivo ainda resiste à inteligência artificial.

Em poucos minutos, ele capturava rostos, exagerava traços e entregava algo que o público queria levar para casa. Funcionava. Mas não era só isso que ele queria. Desde criança, o desenho já estava presente. Filho de artista plástico, cresceu em um ambiente onde a arte não era distante. Consumiu animações, virou leitor de quadrinhos e, como muitos, começou copiando.

Emmanuel esperou 20 anos para viver o sonho de desenhar HQ
Emmanuel esperou 20 anos para viver o sonho de desenhar HQ
HQ intitulada "Lazaros", feita pelo desenhista Emmanuel (Foto: Paulo Francis)

O sonho de trabalhar com HQ (histórias em quadrinhos) nunca saiu do radar. Só ficou guardado enquanto a realidade exigia outras escolhas. O primeiro emprego foi em um jornal, como chargista. Não foi glamour, foi estratégia. Melhor desenhar ali do que aceitar um trabalho completamente desconectado daquilo que queria fazer.

Depois, ao sair do jornal, percebeu em eventos um caminho mais direto para ganhar dinheiro. Filas para caricaturas mostravam que a “fonte de ouro” estava ali e poderia ser escada para realizar o sonho editorial.

“Sou um dos precursores de caricaturas em eventos assim, faz 20 anos que trabalho com caricaturas. Demoro 3 minutos para fazer cada uma. A caricatura é exagerada, mas não faço bullying. Quando a pessoa tem uma característica diferente, pergunto se ela quer que eu mostre. Quero fazer a pessoa rir e agradar ela. Isso é totalmente comercial, os quadrinhos não”, explica.

O tempo foi passando e os HQ ficaram engavetados, não por falta de vontade, mas por cálculo. Ele sabia que viver deles no Brasil, fora dos grandes centros, não era exatamente uma aposta segura. Então fez o que era necessário para se manter.

Quem mudou o cenário foi a pandemia. Os eventos desapareceram e, com eles, a principal fonte de renda. Foi nessa época que Emmanuel decidiu que já tinha passado da hora de evitar fazer o que amava.

Emmanuel esperou 20 anos para viver o sonho de desenhar HQ
Emmanuel esperou 20 anos para viver o sonho de desenhar HQ
Estilo do artista mistura comics e desenhos no estilo 1990 (Foto: Paulo Francis)

“Na pandemia, quando vi que existia a possibilidade de morrer, eu disse que não ia mais perder tempo nessa vida, que iria correr atrás do meu sonho. Sou da época da caverna do dragão, thundercats. Meu estilo é meio comics, não gosto de realismo. Eu comecei a trabalhar em um projeto de HQ em parceria e saiu na pandemia. A partir daí falei ‘agora vou ser desenhista em quadrinho e vamos ver onde a vida vai me levar’”.

Hoje, a divisão é prática. A caricatura continua sendo o trabalho comercial. O exagero ainda existe, mas com limite. Já os quadrinhos são o campo autoral, o risco é maior e o retorno incerto. O investimento sai do próprio bolso. O dinheiro que entra nas caricaturas volta para as páginas ilustradas.

Entre seus trabalhos está a série “Lázaros”, um ex-detetive do departamento de homicídios que abandona a polícia e vira caçador de recompensas, especializado em psicopatas. A estética remete aos anos 1980 e aos heróis de ação mais brutos daquela época. Mas a proposta atual tenta ir além da repetição.

O próprio autor reconhece limitações nas primeiras histórias. Define o início como genérico e admite que hoje faria diferente. É um ajuste de rota que mostra evolução, não perfeição.

“Sempre fui predestinado a ser desenhista, meu pai é artista plástico e meus dois irmãos optaram por carreiras mais sólidas. Eu comecei cedo a ganhar minha grana com meu trabalho e vi que era isso que queria seguir. As dificuldades foram muitas. Tudo o que ganho nas caricaturas uso nisso. Não é fácil, mas nunca desisti, é meu propósito de vida. Comecei na caricatura e há 6 anos voltei a sonhar com quadrinhos. Era empreendedor e não sabia, naquela época não usava esse termo”.

Ao mesmo tempo, ele presta serviços para outros autores e editoras independentes, trabalhando na arte de novas publicações. Também começou a dar oficinas de quadrinhos, para ampliar as fontes de renda.

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Emmanuel conta que não tem outra profissão paralela. É artista em tempo integral e isso dificulta ainda mais o cenário. Outra coisa que o artista destaca é a chegada da inteligência artificial no ramo e os obstáculos que ela causa. Para ele, a sorte é ter o que as ferramentas ainda não podem fazer, fazer ao vivo.

“Eu acho que caricatura, como tem que fazer o exagero, você fica mais à vontade, mas estilizar a pessoa também é difícil, fazer igual. Você não cria, não pode fugir muito. A caricatura envolve criar o tempo todo para dar traços de personalidade da pessoa na caricatura. Tenho 4 livros da série Lázaros, que são histórias curtas com início, meio e fim. Os outros são parcerias. Eu faço todos os temas, trato de política nos meus quadrinhos, peguei isso da época da charge. Meu estilo é inspirado no manga, não faço muito realismo”.

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