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Campo Grande, Segunda-feira, 20 de Maio de 2019

17/04/2019 08:09

Espera de 9 meses por adoção foi gestação de amor para Ana e Fran

Pelo incrível que pareça, o processo adotivo se estendeu num prazo, normalmente, esperado por toda mãe

Danielle Valentim
Ana e Fran em ensaio para receber o filho. (Foto: Arquivo Pessoal)Ana e Fran em ensaio para receber o filho. (Foto: Arquivo Pessoal)

Há nove anos, Ana e Francieli iniciavam o namoro e o assunto filho já rodeava o relacionamento. A ideia precisou ser amadurecida e a busca por estabilidade se estendeu por alguns anos, até a chegada do filho se tornar realidade.

Ana conta que conheceu a esposa ainda na adolescência, mas que o namoro mesmo começou em 2010. Ao Lado B, disse que nunca se viu gerando ou dando à luz a uma criança e, desde o início, pretendia realizar o sonho com a adoção.

“A gente chegou a cogitar a inseminação, mas foi uma conversa de um dia, colocamos os prós e contras e o assunto não avançou. A Fran tem um problema na coluna e um médico já havia alertado que uma gestação seria um desafio. Ponderamos e vimos que não compensava e, então, começamos a fazer nossa vida obtendo estabilidade financeira”, relata.

A oficialização do casamento ocorreu em 2015, no mesmo ano em que Ana teve contato direto com o assunto adoção, com uma professora de faculdade. A partir daí, o sonho de ela e a esposa serem mães começou a ter uma configuração real.

Oficialização do casamento de Fran e Ana. (Foto: Arquivo Pessoal)Oficialização do casamento de Fran e Ana. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Nós pretendíamos comprar uma casa, mas ainda morávamos em uma quitinete. Nos organizamos para a aquisição e conseguimos. Eu tinha comentado com essa professora sobre o desejo de adotar uma criança e, então, fomos orientadas a conhecer um projeto , sem compromisso”, conta Ana.

O Graata (Grupo de Apoio à Adoção Ato de Amor) prepara cursos para futuros pais. Mas nem tudo é tão simples. “Em Três Lagoas, assim que você procura o Fórum, eles já te indicam a participação no Graata. São seis reuniões obrigatórias no grupo após a entrega da documentação para dar início ao processo. As reuniões ocorrem uma vez no mês durante do ano. ”, conta Ana.

Após entrevistas individuais com assistentes sociais e psicólogos, um laudo é enviado ao Ministério Público que faz nova avaliação e encaminha ao juiz da vara responsável para que ele dê a sentença favorável ou não a adoção.

“Há casos de pessoas que a gente conhece que teve de fazer mais de uma entrevista, teve mais de uma visita na casa. Outros casos que o juiz solicitou que fosse feita nova avaliação. O tempo não é regra. Pode durar meses, anos, vai depender do perfil do candidato. A gente teve sorte de entrar e rapidinho aparecer”, pontua Ana.

A “Gestação” – Ana e Fran comparam o tempo do processo como o pré-natal. É neste período que os candidatos a futuros pais e mães trabalham a aceitação, a quebra de mitos, organização financeira e formas de lidar com preconceito vindouro.

“No próprio grupo, os participantes já são orientados a organizar a parte estrutural da casa, como os móveis de quarto, e também fazer uma reserva financeira. No nosso caso, já tínhamos alguns móveis, mas compramos a cama, a cadeirinha do carro e vamos adquirir um armário”, revela Ana.

Ana pontua que as roupas, normalmente, são compradas por último, pois o sexo ou tamanho da criança só é revelado no dia “nascimento”.

Nascimento - O casal teve a notícia do “nascimento” do filho na última quinta-feira (11). Sem conseguir explicar o sentimento de conhecer a criança, ambas lembram do “bom estranhamento” jamais sentido antes.

“Recebemos a ligação da equipe técnica do Fórum na semana passada e eles perguntaram se a gente queria conhecer. Foi estranhamente bom. Na mesma romanização do parto em que a mãe conhece o filho pela primeira vez, nós o conhecemos naquela hora. Mas nessa mistura de sentimentos, você pensa na hora, é meu filho e já quer ver tamanhos para comprar o restante das coisas”, conta Ana.

Fran lembra do êxtase que nem a deixou chorar. Mesmo assim, ressalta que na mesma hora não teve dúvidas de que estava em frente a seu filho.

“Na hora que ele chegou, não sei explicar, é uma mistura de sentimentos. Quando eles te ligam, você não tem nem noção, eles só falam a idade e o sexo e você fica imaginando o rosto. Então, quando ele chega e tem o primeiro contato você vai percebendo que era tudo aquilo que esperava. Um das técnicas nos perguntou: É o filho de vocês? E nós respondemos: com certeza. Só conseguimos chorar depois de sair do Fórum.

Francieli explica que no dia em que se conhece a criança, há uma atualização nas documentações e assinatura de declaração sobre os futuros pais estarem cientes dos trâmites e da finalização do pedido de adoção.

Desafios – Se pais heteros já sofrem preconceito com a adoção, imaginem casais homoafetivos. Mesmo assim, Ana e Fran estão dispostas a enfrentar tudo pelo filho.

Ana conta que até a busca incansável para adquirir estabilidade financeira, como casa, carro e possibilidade de conforto à criança foi uma tentativa de “fuga dos julgamentos”. Foi depois de iniciarem o processo que viram que riqueza não era a maior avaliação, mas sim o perfil de cada candidato.

“A gente cresce tentando fazer mais do que o outro para não ser taxado de qualquer coisa por conta da homossexualidade. No grupo de apoio não tem distinção nenhuma. Até porque a coordenadora ressalta o respeito em sua fala. Provavelmente, tenham pessoas ali dentro que não acham certo, mas todos se sentem acolhidos”, revela Ana.

A criança chega na casa do casal nos próximos dias, já que a documentação está no processo final. 

O nome e idade da criança foram preservados para evitar exposição*.

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