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Na Íntegra

Campo Grande tem identidade e ela é multicultural, defende professor

Victor Hugo ensina história e aposta em experiências fora da sala de aula para mostrar as origens da cidade

Por Maristela Brunetto | 26/08/2026 08:01

Victor Hugo Xavier Flandoli, de 36 anos, decidiu sair da sala de aula para ampliar a divulgação de informações sobre a história de Campo Grande (MS) e de Mato Grosso do Sul. Como professor, levou alunos aos museus da cidade e percebeu que a história viva é o que, de fato, captura a atenção dos adolescentes.

RESUMO

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Victor Hugo Xavier Flandoli, professor de história de 36 anos, trocou a sala de aula pelas redes sociais para divulgar a história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Com vídeos curtos e linguagem dinâmica, seus seguidores saltaram de 2 mil para 10 mil. No podcast Na Íntegra, ele destacou que a identidade campo-grandense é fruto da mistura de povos, tema oportuno quando a capital celebra 127 anos de emancipação.

Em uma nova investida, no começo do ano, Victor passou a gravar vídeos curtos para as redes sociais e constatou que contar o passado com linguagem simples, dinâmica e fatos curiosos chama a atenção e provoca interação. Em poucos meses, o número de seguidores saltou de 2 mil para 10 mil.

O podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, convidou Victor para falar sobre sua experiência ao abordar a história da cidade e de Mato Grosso do Sul fora do rigor da sala de aula. E ele é veemente em um tema oportuno quando a Capital completa 127 anos: Campo Grande tem, sim, identidade, e ela é justamente fruto da mistura dos povos que chegaram a esse grande campo em pleno cerrado brasileiro.

Justamente a sobreposição de culturas forma a cultura local, que forma quem é o campo-grandense, que forma quem é Campo Grande.”



Victor conta que, em sala de aula, percebe maior interesse dos alunos por temas grandiosos, como a Segunda Guerra Mundial e o Império Romano. Para despertar a atenção sobre a história local, além das visitas a museus, ele recorreu a músicas cantadas por Almir Sater e até a fotografias que revelam uma cidade de outros tempos, como a antiga estação ferroviária e a Rua 14 de Julho antes mesmo de ser pavimentada.

O reconhecimento do poder da cultura está no sangue do professor de história. Victor é neto da nordestina Izulina Xavier, artista que se estabeleceu em Corumbá e deixou marcas na cidade. Foi ela quem esculpiu o Cristo Rei e as estátuas da Via Sacra no Morro do Cruzeiro, hoje marcos locais.



Campo Grande passa por um momento de valorização de sua história. Tem o reconhecimento do sobá como patrimônio imaterial, tem, neste ano, Tia Eva reconhecida como comunidade quilombola tombada do país, tem a valorização de comer uma esfirra no centro. Existe uma série de elementos de patrimônios culturais que estão sendo relidos e repensados.”

No momento em que se celebram os 127 anos de emancipação da cidade, surgida a partir de um povoamento associado ao mineiro José Antônio Pereira, que chegou à região acompanhado de familiares e conhecidos, Victor lembra que muita gente já circulava por ali em tempos bem mais remotos.



Serviço - Na entrevista, o professor de história mencionou museus que levou alunos para conhecer. Entre eles estão o Museu das Culturas Dom Bosco, que mantém informações disponíveis em seu site, e o Museu de Arqueologia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Outro local que se relaciona com a história da cidade é o Museu José Antônio Pereira, na Avenida Guaicurus, uma reconstrução de como era a moradia da família.

Outro local visitado com estudantes é a Esplanada Ferroviária, que neste mês ganhou um novo uso. Desde o dia 12, o espaço sedia a biblioteca municipal, com acervo de mais de 35 mil livros.