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Em Pauta

Campo Grande antiga: o único santo ladrão causou risadas

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 26/08/2026 08:15
Campo Grande antiga: o único santo ladrão causou risadas

Não é anedota. A história realmente ocorreu. Foi um simples lapso de linguagem que tornou-se um dos casos que varou dezenas de anos sendo contado. Algo semelhante a uma herança folclórica. Era noite e a pequena multidão aglomerava-se em frente à igreja Santo Antônio, na rua Calógeras. A procissão começava a ser formada. As velas, acesas, ponteavam a escuridão. Campo Grande não tinha iluminação. As filas se ordenavam.


Campo Grande antiga: o único santo ladrão causou risadas

As autoridades carregavam o andor.

Era tempos muito diferentes do atual. Um coroinha manejava a matraca, dando o sinal da organização. As varas do andor estavam nos ombros do juiz, do delegado e de outras pessoas ilustres. O vigário surgiu. Começou o sermão.


Campo Grande antiga: o único santo ladrão causou risadas

O gólgota e a risada da multidão.

Talvez tenha sido o único momento da história do cristianismo em que o Gólgota foi motivo de risos. O padre contou como o centurião malvado deu aquele pontaço de lança no flanco de Jesus. Também contou como o outro levou aos lábios do Cristo uma esponja embebida em vinagre. Referiu-se que nos lados de Jesus crucificado estavam Dimas e Gesteas, o bom e o mau. E o padre rematou com entusiasmo: “Dimas é o único santo ladrão que existe”. Um rumor subterrâneo correu a fila. Cresceu. Virou uma risada geral, estrepitosa. Até o padre riu, percebendo o erro elementar na linguagem. E a procissão se pôs em movimento com todos rindo.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.