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Comportamento

Há 15 anos, Márcio resgata lembranças perdidas em fitas antigas

Em 1993, ele deixou emprego de gerente de banco para se dedicar à paixão do mercado audiovisual

Por Clayton Neves | 01/04/2026 06:20

Há cerca de 15 anos, o que para muita gente tinha virado objeto esquecido ganhou novo significado nas mãos de Márcio Abreu, de 66 anos. Em um estúdio montado em casa, ele se dedica a “reviver” memórias que pareciam perdidas no tempo, transformando fitas VHS, cassetes, Mini DV e até películas antigas em arquivos digitais acessíveis.

O trabalho atende a uma demanda crescente de pessoas que guardaram lembranças em formatos que já não podem mais ser reproduzidos. Com o avanço da tecnologia, aparelhos como videocassetes e tocadores antigos deixaram de ser fabricados, tornando impossível assistir a registros de décadas atrás.

“Tem muita gente que tem fita em casa e nem sabe o que tem gravado ali. Não tem mais aparelho para ver, então fica tudo perdido”, comenta Márcio.

Há 15 anos, Márcio resgata lembranças perdidas em fitas antigas
No estúdio que montou em casa, Márcio divide espaço com dezenas de equipamentos. (Foto: Renan Kubota)

Segundo ele, a digitalização exige paciência e técnica. Márcio explica que existem dois caminhos principais. Usar uma placa de captura ligada ao computador ou transferir o conteúdo primeiro para DVD e depois converter para formatos digitais, como MP4.

No estúdio, ele utiliza diferentes equipamentos ao mesmo tempo e consegue converter até quatro fitas simultaneamente. Em poucos dias, consegue entregar grandes volumes de material.

Além das fitas mais comuns, como VHS, ele também trabalha com formatos raros, como Super 8 e Betacam, usados em produções antigas e até em emissoras de TV.

Há 15 anos, Márcio resgata lembranças perdidas em fitas antigas
No dia a dia de serviço, ele já "reviveu" imagens de 50 anos atrás. (Foto: Renan Kubota)

“Uma vez atendi um idoso de 84 anos que trouxe um rolo de Super 8 com imagens do próprio casamento, gravadas uns 50 anos antes. Ele nunca tinha assistido ao material e quando viu, começou a chorar. Foi algo muito emocionante”, relembra Márcio.

Ele conta que histórias assim são comuns. São pessoas que descobrem vídeos de aniversários, momentos em família e até imagens da infância das quais nem se lembravam mais. “Tem gente que traz várias e diz que não faz ideia do que tem na fita. A curiosidade é grande”, comenta.

O serviço varia conforme o formato e o tempo de gravação. Em média, a digitalização de fitas custa a partir de R$ 40 por unidade, com até duas horas de conteúdo. Já materiais mais antigos, como películas, têm valor mais alto. Um rolo pequeno de Super 8, por exemplo, pode custar cerca de R$ 100 para poucos minutos de gravação.

Confira a galeria de imagens:

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“Não tem comparação com o valor emocional. As pessoas ficam muito felizes quando conseguem ver de novo”, afirma.

Do banco para o audiovisual - Antes de mergulhar de vez no universo das imagens, Márcio trabalhou por 19 anos em um banco e chegou até a ser gerente. Mas, paralelamente, tinha a fotografia como hobby e isso acabou mudando a direção de sua vida.

Foi nos anos 1990 que o interesse virou profissão. Após comprar uma filmadora, ele conta que começou a registrar festas e eventos. Tempos depois, o que era renda extra virou negócio e, em 1993, ele decidiu deixar o banco para se dedicar exclusivamente ao audiovisual. “Eu fiz isso pela paixão”, destaca.

Há 15 anos, Márcio resgata lembranças perdidas em fitas antigas
Câmeras que usou na época de cinegrafista ficam estampadas no estúdio. (Foto: Renan Kubota)

Desde então, Márcio acumulou experiências como cinegrafista, produtor e até passou pela TV Educativa, onde trabalhou com jornalismo e projetos documentais, incluindo produções no Pantanal e gravações de aulas durante a pandemia.

Hoje, a maior parte do trabalho é na digitalização de arquivos, fazendo uma ponte entre essas gerações tecnológicas. “É um trabalho que devolve uma lembrança para a pessoa. Isso não tem preço”, finaliza.

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