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Comportamento

Há 5 dias, Mercadão Municipal acorda sem a companhia de Manoel

Um dos mais antigos no lugar, vendedor faleceu na semana passada, aos 70 anos

Por Jéssica Fernandes | 26/02/2024 07:10
Cercado pelos produtos que vendia, Manoel durante celebração em 2023. (Foto: Arquivo pessoal)
Cercado pelos produtos que vendia, Manoel durante celebração em 2023. (Foto: Arquivo pessoal)

Antes das 7h, Manoel Bento Martins já estava no Mercadão Municipal. Um dos primeiros a chegar, ele trabalhava no local desde a década de setenta e era um dos mais antigos do comércio, que é ponto turístico em Campo Grande. No dia 22 deste mês, ele faleceu, aos 70 anos, deixando esposa, filha, netas, irmãos e diversos amigos.

Natural de Jardim (CE), ele chegou em Campo Grande trazido pelo pai e acompanhado dos irmãos. Já na Capital, a família cresceu e ele ganhou mais irmãos, sendo um deles Nelson Bento Souza Martins, de 62 anos.  No O Que Ficou De Quem Partiu de hoje, é Nelson quem conta a história do ‘Manezinho’.

Manoel começou a trabalhar cedo e a carreira de vendedor vinha desde os tempos de juventude. Após ganhar um carro do pai, ele vendeu o veículo para investir no próprio serviço de entregas. O ‘braço direito’, Nelson, tinha 10 anos quando ajudava o irmão mais velho a entregar a mercadoria nos ‘bolichos’ de Campo Grande.

Nelson lembra histórias do irmão e começo dele no Mercadão Municipal. (Foto: Juliano Almeida)
Nelson lembra histórias do irmão e começo dele no Mercadão Municipal. (Foto: Juliano Almeida)

Depois de muito dirigir de ‘sol a sol’ nas ruas de Campo Grande, ele comprou um ponto no Mercadão Municipal. Do primeiro boxe, Manoel adquiriu outros dois e assim seguiu vendendo itens ‘secos e molhados’ nos boxes 19, 20 e 118. Arroz, feijão, farinha, refrigerante, macarrão, leite, cerveja, guaraná e produtos de limpeza estavam à disposição na ‘Banca do Manoel’

Desde a década de setenta, ele garantia os produtos para quem passasse pelo Mercadão Municipal. Segundo Nelson, o irmão nunca aderiu a cartão de crédito ou pix, sendo um dos únicos vendedores a aceitar exclusivamente dinheiro como forma de pagamento.

No Mercadão Municipal, Nelson também conquistou seu espaço próximo à banca do irmão. Ano após ano, os dois trabalharam praticamente lado a lado no lugar. “Nossa vida toda foi aqui dentro do Mercadão. Eu e Manoel fomos os que mais ficaram aqui. O ‘manezinho’ entrou e nunca quis sair, aqui ele só nunca vendeu fruta e verdura”, diz.

Mantimentos e produtos de limpeza eram vendidos na 'Banca do Manoel'. (Foto: Juliano Almeida)
Mantimentos e produtos de limpeza eram vendidos na 'Banca do Manoel'. (Foto: Juliano Almeida)

Ao mencionar o apelido do irmão, o vendedor logo explica o motivo.“Ele era encrenqueiro, era aquele que brincava, xingava, mas não tinha maldade no coração. Todo mundo gostava dele”, destaca.

Supervisor e vigilante no ponto comercial, Geovane Ramalho, de 47 anos, é um dos amigos que Manoel fez no no espaço. O profissional relata que o vendedor praticamente amanhecia trabalhando ali. “Antes de abrir o Mercadão, ele era o primeiro que chegava, sempre chegava 5h30 e ficava aqui arrumando as coisinhas dele tranquilo”, fala.

Sempre à disposição, Manoel até podia ter seus momentos de brabeza, mas no fim o bom coração falava mais alto.   “Com a gente sempre foi legal demais, prestativo, pedia por favor. O coração dele era bom, às vezes, falava: ô desculpa meu filho se falei alguma coisa. Era o jeito dele”, resume o supervisor.

Funcionário do Mercadão Municipal fala sobre Manoel. (Foto: Juliano Almeida)
Funcionário do Mercadão Municipal fala sobre Manoel. (Foto: Juliano Almeida)

Manoel tinha passado por uma cirurgia, mas vinha se recuperando bem. O falecimento, segundo Nelson, ocorreu devido a ‘problemas’ no coração. Manoel deixa a esposa, a filha, as duas netas que adorava, irmãos e amigos. O Mercadão Municipal perdeu um dos vendedores mais antigos e que era apaixonado pelo lugar onde ‘fez’ a vida.

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