Lama, tombos e 165 km não fazem professor desistir do ensino rural
Para chegar às 7h, Fernando sai de casa às 4h e às vezes até dorme no alojamento da escola
Só para chegar ao local de trabalho, ele enfrenta perrengues que incluem poeira, lama pesada em dias de chuva e até tombos de moto no barro. Mesmo assim, ele não desiste e compartilha parte da rotina nas redes sociais.
O destino é uma escola na região do Rio Anhanduí, considerada a mais distante da Capital. Para chegar até lá, Fernando percorre cerca de 165 quilômetros, sendo boa parte em estrada de terra. O trajeto pode levar quase três horas só de ida em muitos dias, e ele sai de casa às 4h da manhã para conseguir estar em sala às 7h.
Segundo ele, no caminho não faltam desafios. Já foram mais de 20 quedas de moto por causa da lama, além de situações em que ficou atolado por horas. “Já teve dia em que saí da escola às 16h e só conseguiu chegar em casa às 2h da manhã do dia seguinte depois do trator ajudar a tirar o barro. Na hora a gente fica abalado, mas desistir nunca passou pela minha cabeça”, resume.

Mesmo com tantas dificuldades, Fernando garante que o que o mantém motivado são os alunos. “Eu olho para eles. A dificuldade do trajeto é passageira, mas o impacto que a gente pode causar na vida de cada um é muito maior”, afirma. Para ele, trabalhar na zona rural foi uma escolha de vida.
Há quatro anos na escola, ele conta que poderia estar em funções mais confortáveis, mas preferiu continuar em sala de aula. Entre as diferenças do lugar onde ele dá aulas, o professor destaca o respeito dos alunos como o grande ponto positivo. “Eles pedem bênção, levantam quando alguém entra na sala, pedem autorização para tudo. É uma educação que a gente está perdendo na área urbana”, compara.
A rotina intensa inclui dias em que ele vai e volta no mesmo dia e outros em que precisa dormir na escola, que oferece alojamento para os professores. Nos dias em que volta, Fernando sai de casa às 4h e retorna por volta das 20h. “Sempre que posso, faço questão de voltar para casa para ficar com meus dois filhos pequenos”, destaca.
Durante o trajeto, o professor diz que também encontra beleza. Ele costuma registrar paisagens, plantações e até animais silvestres que flagra na estrada. Fernando conta que já viu de perto espécies raras, como o tatu-canastra e até o lobo-guará. “É algo que muita gente só vê em zoológico. Eu vejo ali, no meu caminho”, pontua.
Há 16 anos na sala de aula, Fernando se define como um entusiasta da educação e crente de que o ensino ainda pode transformar vidas. “Eu acredito na educação e no futuro dos alunos. Não estou lá só pelo dinheiro. Estou porque sei que posso contribuir”, afirma. Se eu estou lá, é porque acredito que cada um deles pode ter um futuro melhor. E eu quero fazer parte disso”, finaliza.
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