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Campo Grande, Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

02/09/2017 07:10

Na onda do empreendedorismo materno, vale trocar emprego por tempo com filho?

Depois de virar mãe, muitas mulheres decidem trocar trabalho formal por outra atividade em casa

Mariana Lopes
Bárbara encontrou a realização profissional ajudando outras mãesBárbara encontrou a realização profissional ajudando outras mães

É fato que a chegada de um filho muda não apenas a rotina de uma mãe, mas transforma, principalmente, a cabeça e o coração dela. E quando o assunto é carreira profissional, o calo aperta para a maioria. Então, entra o dilema: trabalho versus tempo com as crianças. Neste universo, o empreendedorismo materno ganha força e abre portas para novos modelos de negócios, ferramentas e realidades.

Em Campo Grande, grupos reúnem diversas mães que abriram mão de um contra-cheque gordo e de carteira assinada para se verem livres da rotina de bater ponto e assumiram o risco de comandar a própria empresa. 

Foi na gravidez da segunda filha que Bárbara Vitoriano, 31 anos, também gestou o projeto Empreender Materno. Em 2013, o blog saiu do papel e ganhou visibilidade na internet entre outras mães que buscavam autonomia na carreira profissional. Hoje, com duas meninas em casa, Julia de 9 anos e Isadora de 4, ela é consultora na área de marketing e referência para muitas mulheres que resolver mudar os rumos depois dos filhos.

"Vi que muitas mães começaram a perguntar sobre o blog, sobre sugestão de ideias de negócios para trabalhar em casa, para ter mais tempo com os filhos. E na época, identifiquei que se eu conseguisse tocar projetos pela internet, seria possível ficar mais tempo com as crianças, teria mais flexibilidade", conta Bárbara.

Porém, essa questão de "ter mais tempo para os filhos" não é assim tão simples como parece. Entre a expectativa e a realidade existe muita organização e também alguns sacrifícios. 

"Sempre falo que empreender para ter mais tempo com os filhos é balela, porque abrir uma empresa é como ter mais um filho", pondera a consultora. O que, na verdade, compensa em ser dona do próprio negócio é a autonomia de poder se organizar e ter flexibilidade para ajustar os compromisso do trabalho com a rotina dos filhos.  

"Eu escolhi dedicar as manhãs às minhas filhas, à tarde quando elas vão para a escola, eu trabalho. E depois que elas dormem, muitas vezes eu volto para o computador para cumprir a demanda", relata Bárbara. O terceiro turno é o contraponto, o sacrifício, a renúncia. Mas com jeitinho e boa vontade, ela garante que consegue conciliar tudo. "Às vezes, troco um dia da semana para passar mais tempo com elas, ou para resolver alguma emergência pessoal, e daí compenso o trabalho no sábado ou no domingo".

Com experiência no ramo do empreendedorismo materno, Bárbara afirma que a vontade das mulheres em abrir um negócio vai além da questão do tempo em si. "A maternidade mexe muito com a nossa maneira de pensar, passamos a querer um mundo melhor, e, com isto, nascem soluções pro dia a dia das mães, queremos gerar empregos para outras mulheres, queremos novas oportunidades e, assim, surgem outras ideias para melhorar a rotina", comenta.

Sharlene apostou na confecção infantilSharlene apostou na confecção infantil

E foi mais ou menos isso que aconteceu com Sharlene de Arruda, 35 anos. Ela é psicóloga por formação, mas foi na costura que ela encontrou o equilíbrio para manter profissão e filhos. Otávio, de 8 anos, é o primogênito e  foi com a chegada dele que tudo mudou. "Quando ele nasceu, meu marido me deu uma máquina de costura no Dia das Mães, porque eu sempre gostei muito de mexer com trabalhos artesanais. Com a máquina, eu comecei a fazer fronhas, enxovais, bordava, mas sempre para a família e para minha própria casa", conta.

Em 2015, a vida teve uma reviravolta. Ela já tinha a segunda filha, Maitê, hoje com 4 anos, e o marido ficou desempregado. Ela sentiu que era hora de arriscar na carreira profissional, mas não queria ter que encarar o mercado convencional, justamente por causa dos filhos. 

Com todas as ferramentas em casa, ela apostou na confecção infantil e, assim, nasceu a Made In Arruda. "Me descobri empreendedora e hoje, depois de dois anos, estou colhendo os frutos", afirma Sharlene. Mas nem tudo foi como ela esperava. Levou um tempo até que conseguisse conciliar o trabalho com a dedicação aos filhos. 

"Planejava tudo na minha cabeça, mas na prática não funcionava do mesmo jeito. Trabalhei muito de madrugada depois que eles dormiam", recorda Sharlene. E jeito que ela encontrou para solucionar este dilema e conseguir se organizar foi colocando metas a si mesma. "Lançava desafio para me organizar, assim fui vencendo etapas e hoje já consegui construir um ateliê", comemora costureira, lembrando também quantas roupinhas alinhavou no quarto das crianças ou na sala.

"Levou um tempo até eu sentir o ritmo da casa, mas a demanda do trabalho exigiu que eu realmente me organizasse. Passei a encarar o trabalho com mais seriedade quando percebi que as pessoas estavam me levando a sério e começaram a surgir até encomendas", pontua Sharlene.

No final das contas, empreender exige tempo, sabedoria, renúncias, entrega, paciência, determinação. E ser mãe, de certa forma, também precisa desses mesmos ingredientes. Para essas "mulheres de negócio", o empreendedorismo foi uma escolha e ao mesmo tempo uma solução, o que não as livrou das dificuldades do caminho para chegar ao sucesso.

E às mães que tomam impulso para se lançar no ramo do empreendedorismo, Bárbara aconselha a antes de começar, entender as necessidades, o cenário que se encontra. "Além do apoio estrutural, é importante que a mãe tenha firme uma rede de apoio emocional, que seja a família ou outras mães, senão ela fica doida".

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