Orlando protege chamamé em casa de madeira escondida no Tiradentes
Sonho do engenheiro aposentado é fazer do lugar um centro histórico dedicado à cultura da dança
Não precisa ser um bom observador para notar que dentro da casa de muro branco na Rua Coronel Salustiano Lima, existe uma relíquia. Mesmo de fora, a calçada com cactos, a passarela em arco e a ponta do telhado entregam que ali há mais que uma construção com aparência antiga. A pequena casa de madeira é o sonho de Orlando Rodrigues, de 83 anos.
RESUMO
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Orlando Rodrigues, de 83 anos, e sua esposa Cláudia Bordin, de 75, são guardiões de uma pequena casa de madeira na Rua Coronel Salustiano Lima, em Campo Grande. O local foi construído para ser um Centro Histórico do Chamamé, após a venda do antigo centro cultural no Bairro Chácara Cachoeira. A residência, inspirada no estilo rústico e regional, abriga uma vasta coleção com cerca de 200 livros sobre chamamé e 150 LPs originais. Orlando, engenheiro civil aposentado, dedica-se à preservação desta manifestação cultural, trazida por paraguaios e argentinos durante o ciclo da erva-mate no antigo Mato Grosso.
A ideia é que o lugar se torne um Centro Histórico do Chamamé. Inclusive foi construído para isso, mas os planos mudaram ao longo do processo. A história é longa, mas Orlando e a esposa, Cláudia Bordin, de 75 anos encurtam um pouco para gente e contam os bastidores.
Cláudia explica que tudo recomeçou em 2024, depois que o antigo Centro Cultural do Chamamé, no Bairro Chácara Cachoeira, precisou ser vendido. A famosa oca construída na Rua Alfazema ainda está de pé, mas já mudou de dono três vezes. “Ele fazia todo dia 19 alguma coisa por lá. Agora está tudo quebrado. Estava certo que aqui seria um Centro para o chamamé, mas não deu certo ainda”, lamenta.
Sem espaço fixo e com a necessidade de recomeçar, o casal alugou um terreno no Tiradentes que, antes deles, era praticamente um lixão. Limparam, cuidaram, plantaram guaco e lágrima-de-cristo. Orlando queria voltar às festividades que aconteciam na Oca.
O casal tentou contratar segurança depois dos furtos no terreno. Não deu certo. Então veio a decisão prática de “morar”, nem que fosse um pouco do dia, no próprio espaço para proteger o sonho. Apesar de ficarem lá a maior parte do dia, eles têm outras casas no bairro onde deixam os pertences. Por ali os dois são espécies de guardiões.
“Perguntei para o pedreiro que estava fazendo tudo que tamanho seria o quarto e avisei que estava querendo morar para cuidar do lugar. Ai falei pro Orlado que assim não seria nada de chamamé, seria para gente morar”, lembra Cláudia.
A casa de madeira foi inspirada no estilo rústico e regional, segundo Orlando. O engenheiro civil, aposentado desde 2000, diz que foi depois da aposentadoria que passou a fazer o que realmente gosta: cuidar da cultura chamamezeira.
O imóvel é pequeno, tem uma cozinha, um quarto com duas camas e um banheiro. O chuveiro fica no banheiro da área externa. Por lá também tem fogão a lenha.
O projeto vai além da memória afetiva de Orlando. Ele guarda entre 200 e 300 livros sobre chamamé, a maioria em espanhol, além de cerca de 150 LPs originais. Já recebeu escritores como Miguelito Blanco, referência no tema, e até sanfoneiros argentinos que tocaram ali, ainda durante a construção.
"Provavelmente o Centro deve funcionar ano que vem. Recomeçamos nessa casa que é mais rústica. O chamamé é campeiro, ele é rústico, então ficou bem caracterizado. E aqui nós estamos sempre esperando a visita do pessoal da Argentina. Mantive contato com o pessoal de lá que me patrocinou para fazer o Centro Cultural do Chamamé. E fizemos um intercâmbio, fazemos todo ano entre Campo Grande e Corrientes".
Cláudia é de Santa Catarina, mas deixou o estado há 26 anos depois de um divórcio, viveu 13 anos sozinha até reencontrar o amor em um CCI (Centro de Convivência do Idoso) po aqui. Há 14 anos, ela e Orlando dividem a vida e agora dividem também a guarda desse patrimônio afetivo.
Orlando ressalta que gosta muito de escrever sobre a cultura do chamamé e que o interesse vem de família.
Confira a galeria de imagens:
“Ele veio através dos paraguaios e argentinos para o antigo Mato Grosso. Pessoas que vieram para trabalhar no campo e colher erva-mate, mas nos intervalos entre o trabalho e aos sábados eles praticavam a música do Paraguai. Era para diminuir a saudade da terra natal deles. Os fazendeiros do então Mato Grosso gostaram da música, da comida e começaram a cultivar essas coisas nas fazendas, a polca paraguaia e o chamamé. A preservação desse folclore é o meu objetivo, cuidar da cultura de Mato Grosso do Sul.”
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