Para "fugir" de uma cadeira de rodas, Valmir foi vender pimenta na rua
Após anos de trabalho pesado e com dores na coluna, aposentado encontrou jeito leve de levar a vida
Para fugir de uma cadeira de rodas, Valmir Antônio da Silva, de 68 anos, precisou vender pimenta na rua. A frase parece exagero, mas não é. Depois de anos de trabalho braçal pesado, ele trocou a força pela boa lábia de saber vender em uma banquinha simples. Um pedaço de tábua, alguns legumes, verduras e, claro, as pimentas, que são carro-chefe, ajudam a levar os dias com mais tranquilidade e menos sofrimento físico.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Valmir Antônio da Silva, de 68 anos, montou uma banquinha de pimentas e hortifrúti para fugir de uma cadeira de rodas após alerta médico sobre sua coluna. Ex-motorista e descarregador, ele vende pimenta romaneira, malagueta e outros produtos entre R$ 5 e R$ 60, nos bairros Bosque de Avilan e Mata do Jacinto, em Campo Grande, e planeja expandir para feiras livres para aumentar a renda.
O cardápio não é pequeno. Tem pimenta para todos os níveis de coragem. Romaneira, Carolina, jurubeba, comarinho, malagueta e biquinho, esta última mais suave. A mais forte, segundo ele, é a romaneira. “É para quem não tem dó da boca.” Curioso é que ele próprio não gosta de pimenta. Vende porque tem procura. E a campeã de vendas é a malagueta.
Os preços ficam entre R$ 20 e R$ 25 por pote. A romaneira é a única que ele mesmo produz. As outras, compra prontas e revende. Sem romantizar: é sobrevivência com margem curta.
A mudança no rumo da vida não foi por acaso. Ele recebeu um aviso médico de que, se não parasse de pegar peso, poderia acabar machucando ainda mais a coluna. O quadro poderia se agravar até ele ficar impedido de andar. Não foi terrorismo médico. Valmir sentia dores na coluna devido ao trabalho. O susto das palavras foi o empurrão que faltava para abandonar a rotina que tinha.
“A ideia de fazer a banquinha vem de eu não conseguir mais trabalhar com serviço pesado. Eu resolvi fazer uma banquinha para trabalhar para mim. Tive um problema de saúde. Aí comecei. Fico aqui todo dia de manhã, das 6h30 até às 11h”.
A reportagem encontrou o vendedor ambulante no bairro Bosque de Avilan, mas ele mantém a barraca montada em frente à casa onde mora, no bairro Mata do Jacinto. Valmir não começou agora. Trabalhou como motorista, depois descarregando mercadorias, passou pelo Armazém São Paulo e, mais tarde, pelo Ceasa, onde ficou até 2023. Saiu porque o corpo não acompanhava mais.
A partir de agora, entra em um novo teste: as feiras livres. Quinta-feira no Rita Vieira, sexta no Nova Bahia, sábado na Mata do Jacinto e domingo no Nova Lima. Nos outros dias, improvisa um ponto em frente de casa, na Rua José Nárcio, e fica até o fim da tarde.
Para complementar a renda, Valmir diversifica. Vende mel, frutas, legumes, milho, doces caseiros e até banha de porco. Os valores variam: frutas e legumes entre R$ 5 e R$ 8, milho a R$ 10 o pacote com cinco espigas, mel de R$ 35 a R$ 60. “Pego mel que vem direto de Jardim. Eu faço pimenta, só a romaneira, o resto pego pronta e vendo”.
Ele explica que as vendas estão fracas e que a decisão de ir até as feiras livres deve melhorar a situação. “As vendas estão bem devagar, bem fraco. Pessoal vem mais comprar pimenta mesmo, mas tenho cebola, cenoura, abacate, banana”.
Valmir fica na Rua Castelo Branco com a Rua Doutor Givago e na Rua José Nárcio.
Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.





