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Campo Grande, Sábado, 22 de Setembro de 2018

06/02/2017 06:25

Sem cerimônia, grupo ocupa a Orla para fazer churrasquinho entre novos amigos

Thailla Torres
Amizade surgiu no trabalho, é a força para aguentar a saudade família. (Foto: Alcides Neto)Amizade surgiu no trabalho, é a força para aguentar a saudade família. (Foto: Alcides Neto)

Um misto de espontaneidade e o desejo de se divertir tornou diferente o cenário da Orla Ferroviária, no cruzamento da Avenida Calógeras com a Mato Grosso. No fim de semana, grupo que saiu de diferentes regiões do País para tarbalhar aqui decidiu fazer um churrasquinho e, sem cerimônia, providenciou o churrasco sob um pé jaca, no meio da Orla.

Todos estão na Capital a trabalho, há pouco mais de um mês. Foram contratados por uma empresa, para exercer a função de montador de andaime e ficam na cidade até o fim das obras. Depois, se novas oportunidades surgirem, eles vão para outra cidade, arriscarem uma nova proposta. Por enquanto, estão no Hotel União, na Calógeras.

Daniel veio de Minas Gerais, sentiu falta das baladas na cidade. (Foto: Alcides Neto)Daniel veio de Minas Gerais, sentiu falta das baladas na cidade. (Foto: Alcides Neto)
Enavildo é da Bahia, mas preferiu a cidade tranquila.(Foto: Alcides Neto)Enavildo é da Bahia, mas preferiu a cidade tranquila.(Foto: Alcides Neto)

Ali quando o telefone de cada um toca, do outro lado da linha está a saudade. A maioria é casada e deixou os filhos em casa. "Aqui todo mundo tem um sonho, tem uma construção pra fazer", explica Evanildo Arivaldo de Neves, 41 anos.

Natural da Bahia, Evanildo é casado e pai de três. Deixou a família para conseguir ganhar dinheiro e dar um vida melhor a todos. A qualificação nesse tipo de serviço, segundo ele, acaba vindo de fora e eles ganham um papel importante no desenvolvimento da cidade. "A construção termina, mas ninguém imagina quem trabalhou por trás disso. Mas é a gente que deixa a família pra trás e vem ganhar dinheiro", diz. 

Acostumado com o axé da Bahia, Evanildo diz que gostou da cidade pela calmaria. "Eu não gosto muito da muvuca não. Achei uma cidade tranquila. Passei um ano trabalhando em Três Lagoas e depois vim pra cá", conta.

Ele exerce a função há 18 anos, admite que a saudade sempre bate, mas é feliz no trabalho pela chance de dar um vida melhor aos filhos. "A gente sente falta né, mas é o nosso trabalho, já estou acostumado", ri.

Com um churrasqueira pequena, dividida entre eles, à sombra das árvores os trabalhadores fazem questão de falar da cidade. Simpatia é unanimidade sobre as características do campo-grandense, mas quando assunto é diversão, não há tanta gente satisfeita.

Francisco veio trabalhar, para realizar o sonho de construir uma casa. (Foto: Alcides Neto)Francisco veio trabalhar, para realizar o sonho de construir uma casa. (Foto: Alcides Neto)

De Minas Gerais, Daniel Junior da Silva, 25 anos, disse que a cidade é parada. "Falta um forró né?", brinca. "A gente que vem de um lugar animado, aqui sofre. Mas eu achei um bolero ali em frente da Feira Central, que vou te dizer, é bacana", sugere.

Como todo mundo é animado, não perde tempo de armar o churrasco. "A gente trabalha a semana toda, chega sábado tem que ter um churrasquinho e uma cerveja. O lugar é tão bonito, que a gente resolveu ficar aqui", explica.

Criado na roça, Gleison Pereira, de 25 anos, ficou surpreso pelo tamanho da cidade, mas ainda não se adaptou a geografia. "Aqui é tudo baixada, onde eu morava só tinha morro", menciona. 

Com experiência como encarregado de obra, a oportunidade de emprego também ajuda a família. "Vim atrás da folha (dinheiro), sem ela não dá pra viver. Lá na roça a gente trabalha demais e ganha muito pouco lamenta". 

Como tudo era novidade, Gleison resolveu experimentar o que há de mais típico na cidade, o tereré, mas não curtiu muito. "Rapaz, a erva boa, mas tira o sono da gente. Fiquei a noite inteira sem dormir", ri.

Já Francisco de Assis, 35 anos, ficou curioso pelo sobá. "Ainda não provei, foi só o tereré mesmo, é melhor que erva gaúcha", avalia. Pai de 2 filhos, deixou o serviço de supervisor epidemiológico em Minas Gerais, para ser montador. "É um temporada pra investir na minha família. Eu tenho sonho de construir uma casa. Então, o jeito é trabalhar".

Durante o churrasquinho no sábado, quem passava na rua, ficava curioso, mas a turma não se importou. Com carne, linguiça e milho no fogo, por ali, a conversa foi longe. Campo Grande os uniu e a amizade é a força para seguir com o trabalho. "Pra gente que fica fora de casa, é como se fosse uma família mesmo, então a gente tem que se divertir", reforça Daniel.

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(Foto: Alcides Neto)(Foto: Alcides Neto)


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