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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

26/06/2018 08:45

Sofia cuidou da mãe até a morte, mas força da menina faz o olho da gente brilhar

Com sorriso radiante, ela sonha alto e deseja estudar para se tornar juíza.

Willian Leite
É com esse sorriso que Sofia quer mudar de vida. (Foto: Paulo Francis)É com esse sorriso que Sofia quer mudar de vida. (Foto: Paulo Francis)

Sofia Macedo do Nascimento, 11 anos, e Maria Lúcia Macedo, de 47, viveram uma novela da vida real. A filha cuidou da mãe até a morte, porque Maria não venceu a obesidade. Pesava 217 quilos e há 8 anos esperava por uma cirurgia bariátrica. No último dia 19, ela partiu, mas deixou uma menina forte como exemplo de lucidez, apesar da pouca idade.

Depois de sepultar a mãe, a dor parece contida na menina, mas se manifesta em um choro sentido, daqueles de cortar o coração, sempre que a história volta à tona. E quando a tristeza dela contagia a gente, nosso olho volta a brilhar ouvindo Sofia sonhar como criança. “Quero tomar banho de chuva, brincar com meus amigos da escola, correr e fazer tudo que uma criança tem direito”, diz.

Na vida simples que sempre conheceu, ela só vê estimulo para mudar a realidade. “Quero estudar, ter um bom emprego e me esforçar e passar em um concurso para juíza”.

Orgulhosa mostra o caderno organizado, e diz que sua prioridade será os estudos. (Foto: Paulo Francis)Orgulhosa mostra o caderno organizado, e diz que sua prioridade será os estudos. (Foto: Paulo Francis)

Ao Lado B, ela diz que sempre foi a mais responsável da turma e que na escola, quando os amigos vinham perguntar sobre como aguentava tudo que estava passando, a resposta era simples. “Dê valor enquanto você tem, porque depois que perder não adianta chorar, o choro não vai trazer sua mãe de volta. É difícil, mas temos que nos conformar, é o ciclo da vida”, dispara a menina de forma super espontânea.

Sofia conta que tem muitos projetos e que tirou forças de onde não imaginava para cuidar da mãe, superar as decepções sem acesso ao tratamento correto e depois dizer adeus. Hoje, ela só quer levantar a cabeça e seguir em frente, independente das circunstâncias. “Não sei de onde vem essa energia toda, só sei que eu tenho ela. Ser forte e lutar por aquilo que quero é o que busco para o meu futuro”.

E a menina também é boa alo falar de amor e preconceito. “Se não soubermos conviver com as pessoas, a vida não tem muita razão”, explica.

No celular , o papel de parede é lembrança da mulher guerreira que lutou, mas que se foi.(Foto: Paulo Francis) No celular , o papel de parede é lembrança da mulher guerreira que lutou, mas que se foi.(Foto: Paulo Francis)

Por conta do problema de saúde da mãe, ela precisou mudar de escola várias vezes e hoje cursa o 4ª ano do ensino fundamental, está atrasada, mas segundo ela isso não retirou a responsabilidade de continuar com os estudos. “Minhas amigas vão vir aqui em casa fazer um trabalho essa semana, mas já deixei bem claro, todos tem que ter responsabilidade, se marcou compromisso tem de cumprir”, afirma.

Cinderela é uma inspiração, pois ela conta que a princesa dos contos de fada da Disney morava com a madrasta e teve uma vida parecida com a dela, pois lavava roupa, cozinhava e cuidava da casa. “Eu assisti o filme e me inspirei muito, porque ela conseguiu realizar todas as tarefas e depois de muito sofrimento se tornou princesa”, relata.

A menina que dá uma lição de enfrentamento diante de uma tragédia, sem se colocar como vitima, virou noticia depois de perder a mãe, e em cada palavra ela deixa claro a força que muitos adultos talvez não teriam pois, a maturidade com que suporta a dor da perda, estão longe de parecerem com o de uma criança. “Mãe só tem uma, é difícil perder, mas isso não vai me fazer desistir, acredito que minha mãe está cuidando de mim lá de cima”, finaliza.

 

de mãos dadas, tia e sobrinha que se tornou folha seguem juntas em buscar da felicidade. (Foto: Paulo Francis)de mãos dadas, tia e sobrinha que se tornou folha seguem juntas em buscar da felicidade. (Foto: Paulo Francis)

A casa da tia Mariusa é onde Sofia passa a morar daqui para frente, e ela que fará o papel de mãe da menina que precisou crescer antes do tempo, diz que será um desafio. “Essa menina não teve infância, ela não tinha tempo de brincar, só cuidava da minha irmã, o que inclusive, prejudicou ela na escola, meu compromisso é cuidar dela assim como fiz com o irmão”, diz Mariuza.

O quarto que foi do irmão que durante a infância e adolescência foi criado por Mariusa, agora passa a ser de Sofia, sem muita exigência, ela só quer pintar o cômodo e ganhar um celular novo, pois o antigo está quebrado e era o que usava para se distrair. “Uma pintura e um lugar onde eu possa colocar minhas coisas, coisa simples não exijo muito luxo”.

Quem quiser ajudar, pode entrar em contato pelo telefone, (67) 9 9268-8852.

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