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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

12/10/2019 08:01

Valter quis ser taxista, virou serralheiro, mas ainda sonha em ser professor

Imaginação é o que não falta quando se é criança e muitos nunca deixam essa capacidade para trás

Alana Portela
O serralheiro Valter Luiz da Silva Santos com o filho, Victor Enzo (Foto: Henrique Kawaminami)O serralheiro Valter Luiz da Silva Santos com o filho, Victor Enzo (Foto: Henrique Kawaminami)

Criança é cheia de sonhos e Valter Luiz da Silva Santos queria ser motorista quando crescesse. “Tinha 8 anos quando me fizeram a pergunta ‘O que você quer ser quando crescer?’ Respondi: Taxista. Achava muito legal, hoje é motorista de aplicativo”, lembra. Para ele, sentar no banco do condutor, segurar o volante com as mãos e trocar as marchas, parecia emocionante.

Imagina a adrenalina que seria se, quando adulto, conseguisse dirigir pelas avenidas movimentadas de Campo Grande. Não era apenas trafegar nas ruas, como também um serviço de utilidade pública que ajudaria várias pessoas, e isso Valter percebeu ainda com os olhos de menino. Entretanto, nem tudo são flores e os planos mudaram.

Ele pensou em ser professor, já que gostava de estudar e tirar boas notas, principalmente em matemática. “Me dava bem com os números, nunca tirei menos de dez nessa matéria. Era outro sonho de infância, mas virei serralheiro”, diz. Da leveza do livro para os trabalhos manuais com objetos pesados, a vida mudou num piscar de olhos.

Hoje, aos 37 anos, Valter construiu uma família e comenta como é o trabalho braçal. “É pesado, mexo com estruturas de ferro. Sei que não vou ter mais esse vigor físico daqui uns anos, mas não desisti de dar aula. Fiquei 17 anos parado, mas me inscrevi na prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), ganhei 70% de bolsa e voltei a estudar”.

No começo foi difícil retornar à sala de aula, mas teve que se adaptar. “É cansativo, tem que conciliar o trabalho, estudo, família e atividades acadêmicas. Não é só ir para a faculdade. Quero me formar e dar aula para alunos do 5º ano ao ensino médio. Esse sonho ninguém me tira, pois tracei meu objetivo e estou correndo atrás dessa meta”.

Ao lado do filho, Victor Enzo de 8 anos, Valter estava em família no Camelódromo comprando os presentes para o Dia das Crianças, celebrado hoje. Ainda não haviam escolhido os brinquedos, porém, olhando para os olhos do filhão ele diz. “O conselho que te dou filho é estudar, pois hoje tenho oportunidades que não tive antes”.

Segurando filho Théo nos braços, Michelle Bianca lembra do sonho de menina  (Foto: Henrique Kawaminami)Segurando filho Théo nos braços, Michelle Bianca lembra do sonho de menina (Foto: Henrique Kawaminami)

Imaginação é o que não falta quando se é criança. Muitos criam planos para alcançar os objetivos, porém na metade do caminho alguns desistem da ideia. Outros preferem não pensar muito, apenas aceitar o que a vida o destina. Os anos passam e a fase adulta chega com vários desafios. O que não pode é perder a esperança de se tornar tudo aquilo que imaginou na infância.

Michelle Bianca trabalha em um escritório de contabilidade e tem pouco menos de um ano para encerrar o curso de Ciências Contábeis. Desde criança sonhava em atuar na área da economia. “Sempre fui estudiosa e gosto de números. Estou me formando, mas tive algumas pausas no caminho”, relata.

Aos 26 anos e mãe de dois filhos, ela comenta que não é fácil tomar conta de tudo. Michelle concluiu o ensino médio, deu uma pausa de um ano para estudar, fez o exame nacional e conseguiu bolsa para entrar na faculdade. Estudou por um tempo, até que descobriu a primeira gravidez e se afastou. “Tranquei o curso, depois fiz o Enem novamente, consegui outra bolsa e voltei para o curso. Assim que concluir quero passar mais dois anos fazendo Administração”.

O último desejo é passar em um concurso público e ter estabilidade financeira. “Quero também trabalhar em serviços pessoais. Estou quase perto de concretizar tudo isso, ou é nesse fim de ano ou no meio de 2020. O sentimento que vem é de satisfação”, destaca segurando o seu pequeno Théo, de 4 meses, nos braços.

Letícia Aparecida do Nascimento formou-se em Direito e sonha um dia atuar como advogada (Foto: Henrique Kawaminami)Letícia Aparecida do Nascimento formou-se em Direito e sonha um dia atuar como advogada (Foto: Henrique Kawaminami)

A dona de casa, Letícia Aparecida do Nascimento é de Dourados, e mora em Campo Grande desde o início de 2019. Tem 38 anos e sempre sonhou em ser advogada, porém, interrompeu a vontade para cuidar dos filhos. “Tenho uma filha com problemas de alergia e preciso cuidá-la”. Contudo, o desejo não se perdeu totalmente. “Terminei o curso de Direito, só não fiz a prova da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Em 2020 minha filha vai para a escola, aí posso voltar a trabalhar, fazer a prova e engrenar na profissão”.

Quando pequena também teve a vontade de ser artista de televisão, mas desse ela passou longe. “Desisti pois é um desejo muito distante da realidade. Para isso devia ter me mudado para uma cidade grande, teria que começar antes. Mas deixei pra lá, pisei meus pés no chão”.

A publicitária Denise Amorim Pires queria ser bailarina, mas relata que cresceu além da conta e precisou mudar os planos. “Tinha o joelho torto e entrei no balé para corrigir isso. Quis ser bailarina e até conclui o curso, porém fiquei com 1,80 metros de altura e tive que escolher outra coisa. Optei por publicidade, área que meu pai atuou por muito tempo e hoje me sinto realizada. Gosto muito do que faço”.

O aposentado, Severino Estigarribia lembra que nunca pensou bem o que gostaria de fazer quando crescesse. Pensou em fazer Direito, mas desistiu. “Quis ser advogado porque não concordava com a lei que os parlamentares criaram. Ia fazer um projeto, mas o reitor da faculdade me alertou, disse que se continuasse com aquilo poderia ser preso. Aí fiz o curso de contabilidade para atuar no banco. Depois entrei na faculdade para fazer o curso de Ciências Contábeis, mas ensinavam tudo que eu já sabia, então abandonei”.

Aos 76 anos, ele se sente tranquilo com as escolhas que tomou na vida. “Criei meus filhos com tranquilidade, dentro das normas legais e nenhum me deu trabalho. Valeu muito a pena, faria tudo novamente”.

Severino Estigarribia é aposento e lembra que não fazia planos na infância (Foto: Henrique Kawaminami)Severino Estigarribia é aposento e lembra que não fazia planos na infância (Foto: Henrique Kawaminami)

Claudinê Amorim, 73 anos, alcançou tudo que desejava. “Fui advogado por um tempo, virei empresário, professor, pecuarista e consegui alcançar tudo com muito trabalho e por conta da persistência. Me aposentei em 1998, me sinto realizado e faria tudo da mesma forma. Não costumo questionar os netos sobre isso, mas tento preparar o futuro deles”.

Já Lourdival Araújo lembra que nunca teve planos. “Seria o que a vida me fizesse ser. Quando se é criado com pessoas mais velhas, não se tem muita expectativa. É aquilo que vier e está bom. Tenho 36 anos e sou segurança, me sinto bem, não quero mudar de emprego. Estou realizado”, diz. E você, conseguiu realizar seus sonhos?. 

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