Aroeira, bocaiúva e barbatimão viram cosméticos sul-mato-grossenses
Produtos usam aroeira, barbatimão, jaborandi e outras espécies típicas da biodiversidade local
Enquanto o turismo parou durante a pandemia de covid-19, um casal de Bonito encontrou um novo caminho para empreender. O período sem visitantes, que significou perda de renda para quem trabalhava como guia de turismo, foi aproveitado para desenvolver uma linha de cosméticos naturais feitos com plantas do Cerrado. Hoje, o negócio da família reúne sabonetes, shampoos, condicionadores, hidratantes labiais e repelentes produzidos com ingredientes típicos da região.
A história começou em 2018, quando Joana Duarte participou de um curso sobre plantas medicinais. A ideia inicial era produzir sabonetes naturais em grupo, mas, aos poucos, os participantes desistiram e ela decidiu seguir em frente ao lado do marido, Júlio César Gaúna.
"Nós somos guias de turismo e, durante a pandemia, ficamos sem renda. Foi justamente esse período que usamos para estudar, testar fórmulas e melhorar nossos produtos. Quando o turismo voltou, a empresa já tinha uma identidade própria", conta Júlio.
No início, os sabonetes eram produzidos com bases glicerinadas prontas. Com o tempo, o casal desenvolveu uma fórmula própria que permite incorporar uma quantidade muito maior de extratos naturais.
"Na base comum, a concentração de plantas medicinais é muito pequena. Hoje conseguimos colocar entre 40% e 50% de extratos naturais, o que torna o produto mais eficiente", explica.
A inspiração para os cosméticos vem da vegetação do Cerrado e do Pantanal. Aroeira, barbatimão, jaborandi, bocaiúva, aloe vera, café, açafrão e mel estão entre os ingredientes usados para desenvolver produtos voltados ao cuidado da pele e dos cabelos.
Além dos sabonetes, a linha também inclui shampoos, condicionadores, hidratantes labiais e repelentes. Segundo o casal, o objetivo é aproveitar o potencial das plantas medicinais da região em produtos de uso diário, valorizando ingredientes típicos de Mato Grosso do Sul.
Segundo Júlio César, cada planta foi escolhida pelas propriedades tradicionalmente conhecidas e pelo uso popular ao longo das gerações.
"Foi um pouquinho do conhecimento empírico, um pouquinho da sabedoria das avós e um pouco do conhecimento indígena que reunimos para desenvolver nossos produtos", revela.
Entre os destaques está o sabonete de argila branca com aloe vera, indicado para auxiliar no clareamento de manchas e melasma; o de barbatimão e aroeira, voltado para peles com acne, dermatite e irritações; o esfoliante de café, que ajuda na renovação da pele; e o sabonete de açafrão e mel, desenvolvido para amenizar inflamações causadas pela depilação e pelo barbear.
A linha também inclui shampoo com jaborandi e guaxuma, voltado ao fortalecimento dos fios; condicionador enriquecido com óleos de bocaiúva e bacuri; hidratante labial produzido com cera e mel do apiário da própria família; e repelente feito com citronela, cravo-da-índia e outras plantas.
Além da proposta natural, a empresa adota práticas sustentáveis. A casca de aroeira utilizada na fabricação dos extratos, por exemplo, é retirada apenas de árvores que caíram naturalmente, sem causar danos à vegetação. Para Júlio César Gaúna, além de fabricar cosméticos, o objetivo do negócio da família é valorizar a biodiversidade regional e preservar conhecimentos tradicionais. "A gente gosta de dizer que valoriza o Cerrado brasileiro. Queremos mostrar a importância dessas plantas e preservar esse conhecimento para que ele não se perca com o tempo", finaliza.
O telefone de contato da Cerrado Bonito é o (67) 99241-2500.
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