Casal voltou de viagem e abriu wine bar que foge da frescura do vinho
Novo espaço em Campo Grande oferece um ambiente descomplicado, onde petiscos e conversa dividem a mesa
Entrar em uma adega e fingir que entende de vinho já virou um pequeno constrangimento para muita gente. Tem quem desista da taça por medo de escolher errado. Foi justamente para acabar com essa ideia que Dario Burda, de 47 anos, e a esposa, Katia Alencar, voltaram de uma viagem à Serra Gaúcha decididos a abrir um lugar onde ninguém precisa conhecer uvas, safras ou rótulos para aproveitar um bom vinho.
RESUMO
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Inaugurada há 70 dias em Campo Grande, a Artemis e Baco Adega aposta em democratizar o consumo de vinho, eliminando formalismos e preconceitos. O casal Dario Burda e Katia Alencar criou o espaço após viagem à Serra Gaúcha. Com mais de 300 rótulos, opções a partir de R$ 40 e foco em vinhos brasileiros, a adega já precisou ampliar o espaço devido à grande procura.
Há 70 dias, o casal inaugurou a Artemis e Baco Adega, um pequeno wine bar na Rua 15 de Novembro que aposta justamente no contrário da formalidade. Ali, vinho combina com conversa, petisco e um fim de tarde sem pressa.
"A ideia era justamente tirar esse estereótipo de que o vinho precisa ser consumido em um ambiente sofisticado. Na Europa você vê pessoas tomando vinho em bancos de praça. Porque aqui não poderia ser assim também?", explica.
A ideia nasceu durante uma viagem à Serra Gaúcha. Entre visitas a vinícolas e degustações, os dois perceberam que o vinho podia ser tratado de forma muito mais simples do que costuma acontecer por aqui. Voltaram para Campo Grande decididos a reproduzir essa experiência.
O resultado é um espaço pequeno, mas daqueles que convidam a ficar. Logo na entrada, uma varanda com piso de caquinhos e outra com cerâmica vermelha chamam atenção de quem passa pela Rua 15 de Novembro. É ali que muita gente escolhe passar o fim da tarde, dividindo uma garrafa enquanto observa o movimento da rua.
Quem prefere um ambiente mais reservado encontra um salão climatizado cercado por prateleiras de vinhos ou um pergolado envolvido por plantas, pensado para quem quer esticar a conversa sem olhar para o relógio.
A sensação é de estar na casa de alguém apaixonado por vinho e não em uma loja onde existe medo de fazer perguntas.
Quem chega dizendo que não entende nada sobre a bebida recebe ajuda sem qualquer formalidade. Em vez de uma explicação cheia de termos técnicos, Dario procura descobrir se a pessoa prefere sabores mais leves, mais intensos, doces ou secos e, a partir daí, indica um rótulo que combine com o paladar.
Até os quadros espalhados pelas paredes têm história. Foram pintados por Melissa, filha de 15 anos do casal. Foi dela também a ideia de unir Artemis, deusa ligada à natureza, e Baco, deus romano do vinho, para dar nome à adega.
Apesar do pouco tempo de funcionamento, o espaço já precisou crescer. Sem inauguração oficial ou grandes campanhas de divulgação, a adega ampliou a estrutura apenas um mês depois de abrir as portas.
"O que planejamos para acontecer em seis meses está acontecendo antes do terceiro. A resposta do público veio de forma muito orgânica e isso mostra que acertamos na proposta", afirma.
Hoje, a casa reúne mais de 300 rótulos entre nacionais e importados. Há garrafas a partir de R$ 40 e outras que chegam perto de R$ 8 mil, vendidas sob encomenda. Mas a proposta nunca foi impressionar pelo preço.
Quem prefere experimentar antes de levar uma garrafa pode pedir uma taça de vinho e descobrir novos sabores sem compromisso.
O espaço também funciona como uma pequena mercearia para quem gosta de cozinhar em casa. Entre as prateleiras estão massas artesanais, molhos, azeites, chocolates, geleias e kits de risoto praticamente prontos: basta colocar na panela, acrescentar o caldo e finalizar o preparo, conforme explica o rótulo. Há ainda taças, acessórios e combinações montadas para presente.
Na cozinha, a proposta segue o mesmo caminho da simplicidade. Em vez de pratos elaborados, entram em cena petiscos pensados para acompanhar o vinho. Entre os campeões de pedidos estão o croquete de costela, a linguiça artesanal de Maracaju produzida exclusivamente para a casa e tábuas para compartilhar.
Uma das bandeiras defendidas por Dario também aparece nas prateleiras. Enquanto muita gente chega procurando apenas rótulos argentinos e chilenos, ele costuma sugerir vinhos brasileiros.
Segundo ele, ainda existe certo preconceito, apesar de o Brasil reunir cerca de 1.900 vinícolas e produzir rótulos premiados internacionalmente. Em uma dessas conversas, resolveu fazer uma aposta.
Prometeu pagar a conta caso três clientes não gostassem do vinho brasileiro escolhido por ele. Perdeu. "Os três amigos terminaram a noite bebendo três garrafas de vinho brasileiro", relembra, rindo.
A mudança de hábito aparece em outras histórias da adega. Uma cliente que consumia apenas vinhos importados passou a pedir somente rótulos nacionais depois de participar de uma degustação. Outro casal escolheu o espaço para comemorar o casamento logo após a cerimônia no cartório.
Mesmo conciliando a adega com a carreira na área de tecnologia, Dario diz que o melhor retorno não está no crescimento do negócio.
Está nas pessoas que chegam inseguras, dizendo que não entendem nada de vinho, e voltam dias depois para experimentar outro rótulo.
"Quando a gente consegue transmitir a paixão que tem pelo negócio, as pessoas entendem e compram essa ideia. O vinho, para nós, sempre foi sobre celebração. É para reunir amigos, família, conversar e criar memórias."
Artemis & Baco Adega Boutique fica na Rua 15 de Novembro, 1317 - Centro, e abre de segunda a sábado das 11h às 21h.
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