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Consumo

É lendo rótulos, ainda no mercado, que se descobre se alimento é ou não "fake"

O que configura se a comida é análoga ao produto original é sua composição, sempre presente nas embalagens

Por Lucia Morel e Geniffer Rafaela | 23/10/2021 08:08
Ler rótulos é medida que previne enganos e compra de alimentos "fakes". (Foto: Kísie Ainoã)
Ler rótulos é medida que previne enganos e compra de alimentos "fakes". (Foto: Kísie Ainoã)

A medida vale apenas para os estabelecimentos que preparam alimentos para venda em Mato Grosso do Sul, mas desde a compra pessoal nos mercados, é no rótulo que se descobre se um alimento é ou não “fake”.

À tona desde que se começou a se discutir na Assembleia Legislativa sobre o projeto que virou lei e estabelece obrigação de que os estabelecimentos que vendem comida pronta apresentem nos cardápios, a definição de que ““Este produto não é queijo”, é preciso fazer alerta sobre “comida falsa”.

Na enquete feita pelo Campo Grande News, 60% dos leitores disseram ler os rótulos das embalagens.

Presidente da Asman (Associação Sul-mato-grossense de Nutrição), Anderson Holsbach explica que o que configura se um alimento é análogo ao original é sua composição, sempre presente e de livre leitura nas embalagens.

Ele define que “se eu como algo como se fosse o que ele não é, eu estou sendo enganado”. Para se ter uma ideia, falando-se do queijo, que é o produto referente na Lei 5.740 publicada ontem no Diário Oficial, a formulação original é leite e soro de leite, passando pelo tempo de coalha e cura. “Se um alimento é vendido como queijo, mas aparece amido nos ingredientes, já não é mais queijo”.

Segundo o nutricionista, com o avanço da industrialização da alimentação, muitas comidas acabam sendo descaracterizadas para facilitar a fabricação, reduzir o tempo de produção e também os custos. “Acaba sendo uma composição nutricional desequilibrada, muitas vezes com ingredientes danosos, que um original não teria”, analisa.

(Fonte: Guia Alimentar para a População Brasileira).
(Fonte: Guia Alimentar para a População Brasileira).

Holsbach lembra que é preciso se ter em mente, que a alimentação adequada é um direito de todo ser humano e este precisa saber o que come e ter acesso a alimentos saudáveis.

Mas é claro, isso sempre passa pela decisão do próprio consumidor e para a dona de casa Débora Amaral, 55 anos, por exemplo, prestar atenção no rótulo dos produtos e seus componentes não é uma opção.

“Eu não olho. Não tenho tempo para isso. Sempre venho com meu marido [ao mercado], pego o que preciso e já vou para o caixa”, disse, comentando que a lei vai ser boa para quem se preocupa com isso, “mas para mim não vai ter diferença”. Ela citou, inclusive, situação inusitada em que comprou bacon e calabresa estragados e só foi perceber quando foi cozinhar em casa.

Para a publicitária Milena Dias, 34 anos, a preocupação em saber o que consome se dá principalmente por conta de sua filha e acredita que é preciso acabar com a cultura de não olhar os rótulos, porque “acabamos consumindo o que não sabemos”.

Fiscal sanitário aposentado, João de Lima Torres, 60 anos, diz que aprendeu com a profissão a prestar atenção na composição dos alimentos industrializados. “Acho que as pessoas têm muita dificuldade de ler e entender o que diz os rótulos, essa mudança pode facilitar para eles, principalmente, para a saúde das pessoas, porque elas vão estar sabendo o que estão comendo”, analisa.

Ultraprocessados – O nutricionista cita o Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2014 e serve de exemplo em todo mundo como modelo de orientação para práticas alimentares adequadas.

No guia, é possível entender um pouco mais sobre cada tipo de alimento e os riscos maiores quando se consome os que são ultraprocessados, que são os mais próximos do que se pode classificar como “fake”.

O documento cita temperos e macarrões instantâneos, barras de cereal, carnes de frango ou peixe empanados e até biscoitos e guloseimas em geral como ultraprocessados.

Milena se preocupa com a alimentação da filha. (Foto: Kísie Ainoã)
Milena se preocupa com a alimentação da filha. (Foto: Kísie Ainoã)

Mais específico no que se pode considerar alimentos similares e não originais, o presidente da Asman lembra ainda de snacks de frango, mas que “na composição, é mais amido, trigo, gordura hidrogenada, proteína de soja que encorpam e dão sabor, do que frango”.

Também citou os “sucos de caixinhas”, que geralmente são água com açúcar e não suco – que seria mais puro, da polpa; biscoitos que se dizem “fits” ou ricos em fibra, mas cuja formulação não é tão diferente dos que não levam essa classificação; e bebidas lácteas baseadas em soro de leite, mas que muitas vezes, são vendidas como iogurte.

“Na lista de composição que vem no rótulo, o primeiro ingrediente é sempre o que existe em maior quantidade naquele alimento, e assim por diante. Quando se pega o rótulo do suco de caixinha, também chamado de néctar, a sociedade entende que é saudável, mas o primeiro ingrediente é água e depois açúcar, só então vem o suco concentrado”, explica.

O que fazer – Para tentar fugir dos ultraprocessados e “fakes”, é preciso preferir uma alimentação mais baseada em alimentos “in natura”, mais próximos do natural – no mercado, preferir o frango congelado ao snack de frango, por exemplo -, mas isso acarreta, logicamente, em precisar de mais tempo para cozinhá-los.

O ideal é ler o rótulo e se tiver até cinco ingredientes – somando com os conservantes – ele vai ser mais próximo ao natural.

Esses “fakes” acabam sendo introduzidos na rotina, porque as pessoas têm pouco tempo, então, é preciso também desmistificar a cozinha e voltarmos a cozinhar mais. É preciso se planejar melhor para comer melhor”, sentencia o nutricionista.

Acesse aqui o Guia Alimentar para a População Brasileira.

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