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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

05/05/2017 07:29

Nas lojas da cidade a freguesia é miúda, mas há quem compre CD pelo afeto

Thailla Torres
Francisco da Rocha diz que nada tira o prazer de ouvir o CD preferido no carro.Francisco da Rocha diz que nada tira o prazer de ouvir o CD preferido no carro.

Há 35 anos o compact disc chegou para armazenar canções e marcar a vida de muita gente. O nome pouco conhecido, logo abreviado para a sigla CD, marcou a superação – ao menos tecnológica – dos discos de vinil e das fitas cassete. Hoje, porém, na era do pendrive e até dos carros e computadores que saem de fábrica sem o leitor do disco digital, só a afetividade explica a visita a uma loja para se comprar um CD.

Quem guardou o CD player compra o disco pelas músicas, em razão de uma promoção ou só para folhear o encarte. Esses hábitos mostram que, apesar da revolução digital, o fim do compact disc ainda está longe.

Pelos corredores de uma loja do Centro, a freguesia é miúda, mas encontramos resistentes. O aposentado Francisco da Rocha, de 67 anos, procura novidade na prateleira. Ele assume que tem celular novo, conhece alguns aplicativos e até lê jornal pela internet, mas nada lhe tira o prazer de ouvir o disco preferido no carro.

Everton compra o CD pelos encartes e artistas preferidos.Everton compra o CD pelos encartes e artistas preferidos.

"Eu sei que está ultrapassado, mas sabe como é, a gente que tem mais idade prefere o CD. Eu compro porque gosto mesmo e sempre tem aqueles mais antigos que a gente admira", diz.

Aos 20 anos, o designer de moda Everton Marques comemora ter encontrado o primeiro disco de uma das cantoras preferidas. "Achei o primeiro CD da Katy Perry, foi o último que acabei vindo na loja para comprar, sempre que consigo eu venho atrás de alguma novidade". 

De uma geração em que seria mais fácil fazer o download das músicas, ele diz que a emoção de folhear o encarte é muito maior. "Ouço música pelo celular, mas não dá pra deixar de comprar o CD. Nem tudo você acha completo na internet e, quando eu abro para folhear as páginas, eu gosto de ver o que tem", afirma.

Claudia Menezes, de 47 anos, vai à loja comprar CD para o filho mais novo, mas não esquece dos preferidos do esposo. "A gente sempre encontra um sertanejo antigo. Lá em casa eu tenho meu som e não abro mão, porque gosto de acordar de manhã e colocar um CD para tocar inteiro. Depois eu escuto a rádio", conta.

E olha que o preço de um CD novo varia de R$ 12,99 a R$ 49,90 em lojas do Centro, mas, apesar do preço, para Claudia vale a pena também colocar o disco para tocar nas festas de família. "Sempre tem alguém que lembra daquele albúm que mais gosta e a gente escuta com todo mundo. Bem melhor do que mil músicas que todo mundo fica passando e nem escuta nada", afirma.

Para o advogado Eduardo Ribeiro, de 43 anos, só mesmo o afeto explica a preferência do CD diante de uma tecnologia avançada. "Com tanta facilidade, a gente precisa de algo diferente para comprar um CD, e isso ele proporciona quando vamos a um sebo encontrar um disco antigo, o prazer de conhecer uma loja diferente em alguma cidade e comprar um CD regional ou também admirar os encartes que estão cada vez mais bem produzidos", explica.

Afinidade com o artista e o gosto pela música são decisivos na escolha pelo material. "Principalmente quando admiro o artista é certeza que vale a pena adquirir a obra. No meu caso, gosto de colecionar em casa. Tenho de vários artistas que eu gosto. E a cada ano eles vem melhorando os encartes com mais informações, letras e fotos, então não é só a música, mas o material que vem junto", detalha.

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