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Consumo

Pela casa própria antes dos 30, vale até ficar um bom tempo sem roupas novas

Por Evelise Couto | 24/07/2015 06:56
Pela casa própria antes dos 30, vale até ficar um bom tempo sem roupas novas

Todo mundo fala que quem casa, quer casa. Mas não é só essa turma que procura um lugarzinho para chamar de seu. Quem decidiu morar sozinho também.

É bem verdade que grande parte das pessoas acaba pagando aluguel ou até dividindo o teto com outros, mas tem quem consiga se organizar e partir para a casa própria. Em tempos em que economizar um mínimo de dinheirinho está cada vez mais difícil, ainda tem gente que rebola - e muito - e consegue.

É o caso da jornalista Bianca Bianchi, de 28 anos. Ela conta que cresceu ouvindo dos pais o quanto ter uma casa própria era importante , mas que com um série de obstáculos a transpor (valores altos, poupança no zero, toda a burocracia de um financiamento) a conquista parecia muito distante. Mas com o objetivo na cabeça, ela não se deteve e foi atrás. E, claro, precisou se sacrificar um pouco. Quer dizer, um pouco não. Bastante, eu diria!

Para economizar, a primeira medida que a jornalista tomou foi mudar-se para um pensionato. “Foi uma escolha estratégica. Morei durante 1 ano e meio lá. Eu pagava uma mensalidade de cerca de 400 reais e só. Não tinha conta de água, de energia, IPTU, nada mais que me tirasse o sono. A empresa onde eu trabalhava pagava vale refeição/alimentação, com o qual eu almoçava e fazia uma compra bem baratinha de coisas para deixar lá na geladeira do pensionato pra fazer lanche a noite”, explica.

Mas quem acha que só essa economia foi suficiente se engana. Bianca abriu mão de muitas coisas durante esse tempo. Nada de TV (nem aparelho, tampouco TV a cabo), nada de internet, as compras pessoais como roupas, sapatos, itens de maquiagem foram suspensas e ela deixou de ir a muitos lugares pensando na economia de combustível. “Além disso, zerei a fatura do cartão de crédito! Acho que isso nunca mais vai acontecer!”, relembra entre risos. A meta era guardar 700 reais todo mês.

Bianca Bianchi, de 28 anos, conseguiu a casa própria.
Bianca Bianchi, de 28 anos, conseguiu a casa própria.

Depois de tudo isso, com a ajuda de um corretor de imóveis, chegou a hora de procurar a tão sonhada casa própria. Ele a orientou a definir um valor aproximado que estivesse disposta a pagar em um imóvel, pensar em como ela gostaria que fosse a casa (a quantidade de quartos, o tamanho dos cômodos) e também na localização. Com isso definido, iniciaram-se as buscas.

Foram quase 3 meses saindo todo sábado de manhã pra visitar inúmeras casas, até que um dia, ao entrar em uma ainda em construção, o coração da jornalista bateu mais forte. Era do jeitinho que ela queria, como ela havia definido.

Dois dias antes de seu aniversário, em 2013, ela deu o sinal para segurar a casa, assinou a papelada e aguardou a casa ficar pronta.

Foi aí que Murphy - aquele da lei, que adora aparecer quando a gente menos espera - resolveu agir. Bianca perdeu o emprego e o desespero bateu. “Achei que ia perder o financiamento que ainda não tinha sido aprovado, vi meu sonho indo por água abaixo.” Felizmente, no final - como naquelas novelas boas de se assistir - tudo deu certo. E o dinheiro da rescisão ainda ajudou a mobiliar a casa. “Consegui comprar a minha casa própria, meu primeiro imóvel aos 25 anos. Foi muita alegria!”

Muita gente pergunta se a jornalista não pareceu exagerada com uma meta tão alta e com tanta economia. Ela, no entanto, é categórica em dizer que tudo depende do seu objetivo e nos deixa uma baita lição: “Para conquistar o que você quer, você tem que fazer algum esforço. O meu esforço foi esse. E querem saber? Sobrevivi e muito bem. Foi aí que percebi como a gente não desfruta do que já tem e está sempre querendo comprar mais e mais e mais, foi aí que passei a valorizar mais conversas na varanda do quarto, que consegui ler cerca de 20 livros, que afinei meus ouvidos para o canto dos pássaros na minha janela, que me entendi comigo mesma, que transformei minha inquietude em paz e silêncio. E ainda, um cantinho para chamar de meu”, finaliza.

E você, mora sozinho e tem alguma experiência que gostaria de dividir com a gente? Manda lá no inbox da fanpage do Casa de Um.

*Evelise Couto é jornalista, colaboradora do Lado B e autora do blog Casa de Um com dicas e experiências de quem mora sozinho.

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