ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
SETEMBRO, TERÇA  29    CAMPO GRANDE 28º

Diversão

Matu vive 40 dias na China entre TV, música e artistas de 11 países

Cantor campo-grandense levou suas raízes para a Ásia e encontrou novas referências para a música

Por Amanda Ferreira | 29/09/2026 14:30


RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O cantor Matu Miranda, natural de Campo Grande (MS), passou cerca de 40 dias na China para gravar um programa de televisão com artistas de outras 11 nacionalidades. Segundo ele, a experiência mostrou que a música atravessa fronteiras e comunica origens além das palavras. Também o impressionaram a tecnologia cotidiana e o equilíbrio entre tradição e modernidade nas cidades. A distância o fez perceber a influência de Mato Grosso do Sul em sua arte e deu novo sentido ao projeto Apuama.

Foram cerca de 40 dias do outro lado do mundo, tempo suficiente para que a China deixasse de ser apenas um destino no roteiro do cantor Matu Miranda e se transformasse em parte de sua trajetória artística.

Cantor natural de Campo Grande, ele passou uma temporada no país asiático para participar da gravação de um programa de televisão ao lado de artistas de outras 11 nacionalidades. Entre palcos, cidades futuristas, novas amizades e diferenças culturais, a experiência também fez com que enxergasse Mato Grosso do Sul de outra perspectiva.

Matu conta que a duração da viagem permitiu ultrapassar aquela impressão inicial de quem chega a um país completamente diferente. A rotina esteve diretamente ligada à música, já que parte importante da estadia foi dedicada à gravação do programa. Foi justamente nesse ambiente que os encontros acabaram se tornando uma das principais lembranças trazidas na bagagem.

Matu vive 40 dias na China entre TV, música e artistas de 11 países
Experiência na China aproximou Matu de artistas de diferentes países e ampliou as referências do cantor campo-grandense (Foto: Arquivo Pessoal)

“Passar tanto tempo na China me permitiu ir além daquela primeira impressão de turista e do que a gente imagina sobre a China. Eu também vivi um contexto muito específico, que foi a gravação de um grande programa de televisão. O que mais ficou comigo foram justamente os encontros com os chineses e com os artistas dos outros 11 países que participaram do programa”, relatou para o Lado B.

Estar diante de artistas e de um público com idiomas e referências tão diferentes também colocou à prova algo básico para qualquer músico: até onde uma canção consegue se comunicar quando as palavras deixam de ser suficientes? Para Matu, a experiência mostrou que a música encontrou outros caminhos para atravessar essa distância cultural.

“Perceber que, mesmo com tantas diferenças de língua e de referências, existem formas de comunicação que são universais. Como artista, isso reforçou para mim a ideia de que a música consegue atravessar fronteiras de uma maneira muito particular".

As referências brasileiras e sul-mato-grossenses levadas pelo cantor também ganharam novas interpretações. Matu percebeu que não precisava necessariamente explicar em palavras de onde vinha para transmitir parte de sua história. A presença no palco, os movimentos e a própria sonoridade funcionaram como uma espécie de tradução.

“Foi muito interessante perceber que a música consegue chegar antes mesmo da compreensão da língua. O movimento e a maneira como você se mostra traduzem os sentimentos além das palavras. Sem dúvida, eu consegui comunicar a minha origem e a minha história de muitas formas.

E isso muda um pouco a forma como a gente enxerga o próprio trabalho, porque você entende que uma música pode ganhar outros significados dependendo de quem está ouvindo".

Rotina na China - Fora do ambiente artístico, o cotidiano chinês também entrou na lista de descobertas. Matu destaca principalmente a presença da tecnologia em atividades corriqueiras. Pagamentos, serviços e transportes chamaram a atenção pela integração e rapidez. A dimensão das cidades foi outra surpresa, assim como a arborização e o cuidado que encontrou nas ruas.

Mas, para ele, o que mais chamou atenção foi uma aparente contradição que encontrou pelo caminho: cidades marcadas pela modernidade sem necessariamente apagar aquilo que veio antes.

“As cidades mesclam uma arquitetura futurista ao mesmo tempo em que preservam a história e a ancestralidade. Esse equilíbrio entre tradição e futuro foi uma das coisas que mais me marcou”

Quarenta dias também são suficientes para que colegas de trabalho deixem de ser apenas rostos encontrados durante uma viagem. A convivência com os demais participantes foi intensa e algumas relações acabaram ultrapassando os limites das gravações. Entre as pessoas citadas por Matu estão a cantora chinesa Curley G e o cantor sérvio Princ.

“Eu vivi uma convivência intensa com esses 11 artistas que também participaram do programa. Naturalmente, acabamos criando uma relação de amizade. Especialmente com a cantora chinesa Curley G, com o cantor da Sérvia Princ e com a equipe de produção, que foi muito carinhosa comigo”.

A experiência ainda encontrou ligação com um trabalho que Matu já carregava antes de embarcar. Apuama, projeto construído em torno de ideias como movimento, transformação e ausência de uma morada fixa, ganhou um significado mais concreto depois de semanas vivendo a milhares de quilômetros de Campo Grande.

“Apuama fala muito sobre movimento, transformação e sobre a ideia de carregar a própria casa dentro de si. Viver por tantas semanas do outro lado do mundo acabou tornando esse conceito ainda mais concreto para mim. A viagem me mostrou que deslocamento não é apenas geográfico. Quando você entra em contato com outra cultura, você também desloca a sua maneira de pensar, de ouvir e de criar”.

Por enquanto, Matu não aponta exatamente qual parte da experiência chinesa poderá virar canção. Mas diz ter voltado carregando material que pode aparecer em trabalhos futuros. “Certamente existem sons, imagens e sensações dessa experiência que ainda vão aparecer na minha música”.

Matu vive 40 dias na China entre TV, música e artistas de 11 países
Matu Miranda durante temporada de cerca de 40 dias na China, onde participou da gravação de um programa de televisão (Foto: Arquivo Pessoal)

Curiosamente, foi preciso atravessar o planeta para que algumas características de casa ficassem ainda mais visíveis. Ao observar o Brasil de longe, Matu diz ter identificado o quanto Mato Grosso do Sul está incorporado ao trabalho que desenvolve, não apenas musicalmente, mas também em sua relação com a natureza, com a cultura e até na maneira de se comunicar.

“A distância faz algumas características das nossas raízes ficarem mais evidentes. Estar tão longe me fez perceber com mais clareza o quanto o Brasil, e Mato Grosso do Sul, estão presentes na minha maneira de fazer música. Está nos ritmos, na relação com a natureza, nas referências culturais e até na forma de me comunicar”.

Se a China ampliou as referências do cantor, também provocou questionamentos sobre aquilo que ele deixou temporariamente para trás. Para Matu, talvez esteja justamente aí uma das principais consequências da experiência: viajar para descobrir outras culturas e, no processo, encontrar uma nova maneira de olhar para a própria.

“Ao mesmo tempo, viajar também faz você questionar algumas coisas e ampliar suas referências. Acho que o mais interessante é justamente voltar de onde se veio se sentindo diferente”.

Matu vive 40 dias na China entre TV, música e artistas de 11 países
Do outro lado do mundo, Matu diz ter percebido com mais clareza a influência de Mato Grosso do Sul em sua música (Foto: Arquivo Pessoal)


Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.