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Ensinar Juntos

A Barbárie na Arquibancada e o Resgate da Educação Física Escolar!

Por Carlos Alberto Rezende (*) | 29/09/2026 13:35

O esporte é, em sua essência, uma das ferramentas de formação cidadã e humana mais salutares da sociedade. No retângulo delimitado de um campo ou de uma quadra, ensinam-se lições valiosas que extrapolam a prática física: o respeito rigoroso às regras, o valor da disciplina, a solidariedade do trabalho em equipe e a dignidade na derrota. O propósito primordial da atividade esportiva jamais foi a vitória a qualquer custo, mas sim a lapidação de valores éticos em novos cidadãos. Contudo, testemunha-se hoje uma aterradora inversão de valores, na qual o ambiente de congraçamento cede lugar à violência sistemática.

Essa degradação ética reflete-se de maneira brutal no comportamento de quem deveria servir de exemplo: os próprios adultos. A postura agressiva e hostil de pais nas arquibancadas de campeonatos infantis atingiu níveis tão crônicos que impôs medidas drásticas. A Federação Paulista de Futebol (FPF), em ato extremo, viu-se obrigada a proibir a presença de pais nos locais de jogos em determinadas categorias de base. O ambiente que deveria ser de incentivo e lazer converteu-se em um cenário de cobranças desmedidas, ofensas e pressões psicológicas que traumatizam jovens atletas em pleno desenvolvimento.

O ápice dessa escalada de descontrole ocorreu recentemente em Campo Grande, em um episódio que ultrapassa os limites do razoável. Após ser hostilizado verbalmente pela torcida durante uma partida, um árbitro perdeu a sobriedade, respondeu às agressões e adentrou o recinto de jogo portando uma arma de fogo. Quando uma disputa esportiva descamba para a ameaça armada e o caso de polícia, resta patente que o esporte foi despojado de sua bússola moral.

Diante da falência do esporte informal, torna-se imperioso resgatar a prática esportiva em sua dimensão institucional e pedagógica. É no ambiente escolar, sob a mediação de profissionais qualificados, que o esporte cumpre sua verdadeira função educativa, ensinando a canalização de emoções e a vivência do fair play. Lamentavelmente, o enfraquecimento da obrigatoriedade da Educação Física nas redes de ensino, decorrente de sucessivas reformas curriculares, retirou dos jovens um espaço fundamental de sociabilidade e aprendizado moral.

Para conter esse avanço da barbárie, a omissão das autoridades não pode ser tolerada. Faz-se urgente uma ação coordenada em diferentes frentes:

 - Ministério da Educação e Secretarias de Estado: Devem restabelecer e consolidar a obrigatoriedade da Educação Física em toda a educação básica, garantindo infraestrutura adequada e carga horária efetiva.

 - Conselhos profissionais de Educação Física: cumpre-lhes adotar uma postura proativa e enérgica, fiscalizando a atuação profissional e promovendo diretrizes sólidas para o esporte educacional.

 -  Federações e poder público: têm o dever de punir com rigor condutas antidesportivas e implementar campanhas permanentes de conscientização para pais e torcedores.

O esporte possui um poder transformador inquestionável. No entanto, para que volte a cumprir o seu papel na edificação de uma sociedade mais justa e tolerante, é urgente afastar a violência das arquibancadas e devolver à Educação Física o seu lugar de direito no coração da escola.

(*) Carlos Alberto Rezende é conhecido como Professor Carlão. Siga no Instagram: @oprofcarlao.