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Economia

Mesmo salário, destino diferente: só 12% dos “apertados” fecham mês com dinheiro

Pesquisa mostra que trabalhadores em faixas semelhantes de renda chegam ao fim do mês de foram diferente

Por Ângela Kempfer | 29/09/2026 15:12
Mesmo salário, destino diferente: só 12% dos “apertados” fecham mês com dinheiro
Consumidor da fila do SPC em Campo Grande (Foto: arquivo)

Ganhar praticamente o mesmo não significa chegar ao fim do mês nas mesmas condições. Levantamento da Serasa Experian identificou diferenças expressivas na situação financeira de trabalhadores que estão em faixas semelhantes de renda, mas adotam comportamentos distintos na administração do dinheiro.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Levantamento da Serasa Experian com 1.008 trabalhadores brasileiros mostra que comportamento e planejamento financeiro fazem diferença mesmo entre quem tem renda semelhante. Entre os "Apertados" (20%), 43% ganham de dois a quatro salários mínimos, e só 12% terminam o mês com dinheiro sobrando. Entre os que estão "Organizando o Futuro" (33%), 47% têm essa renda, e 66% fecham o mês com saldo positivo. Os "Consolidados" somam 34%, e os que "Vivem o Agora", 13%. Seis em cada dez recorrem à inteligência artificial para tirar dúvidas sobre finanças.

A pesquisa dividiu os trabalhadores brasileiros em quatro perfis: “Vivem o Agora”, que representam 13% dos entrevistados; “Apertados”, com 20%; “Organizando o Futuro”, com 33%. O maior é o “Consolidados”, que somam 34%,  nome dado ao grupo que apresenta maior estabilidade financeira.

O contraste aparece principalmente entre os dois grupos intermediários. Entre os trabalhadores classificados como “Apertados”, 43% recebem entre dois e quatro salários mínimos. No grupo “Organizando o Futuro”, 47% estão nessa mesma faixa.

Apesar da proximidade da renda, a situação no fim do mês muda bastante. Apenas 12% dos “Apertados” conseguem terminar o período com dinheiro disponível. Entre aqueles que estão “Organizando o Futuro”, a proporção chega a 66%.

A diferença levou a Serasa Experian a apontar o comportamento e o planejamento financeiro como fatores relevantes para explicar a saúde das contas, mesmo entre pessoas com rendimentos semelhantes.

Isso não significa, porém, que a renda tenha deixado de importar ou que dificuldades financeiras possam ser atribuídas simplesmente à falta de organização. Pessoas com salários parecidos podem ter despesas obrigatórias muito diferentes, conforme composição familiar, custo de moradia, existência de dívidas anteriores e outras circunstâncias.

Perfis pesquisados:

Mesmo salário, destino diferente: só 12% dos “apertados” fecham mês com dinheiro

Quatro maneiras de lidar com o dinheiro

O maior grupo identificado pela pesquisa é o dos “Consolidados”, com 34% dos entrevistados. São trabalhadores em situação mais estável e com maior preocupação com objetivos financeiros de longo prazo.

Logo atrás aparecem os que estão “Organizando o Futuro”, com 33%. Nesse grupo estão pessoas que já apresentam maior controle das contas e conseguem pensar em planejamento.

Os “Apertados” correspondem a um em cada cinco trabalhadores ouvidos. São pessoas submetidas a maior pressão financeira e com dificuldade para equilibrar receitas e despesas.

Já os classificados como “Vivem o Agora”, 13%, têm comportamento mais concentrado no presente e menor nível de planejamento financeiro.

Somados, “Organizando o Futuro” e “Consolidados” representam 67% dos participantes. Outros 33% estão entre os “Apertados” e aqueles que priorizam o presente.

Tecnologia também entrou nas contas

A pesquisa também encontrou um novo personagem no momento de decidir o que fazer com o dinheiro: a inteligência artificial.

Seis em cada dez entrevistados disseram recorrer a ferramentas de IA para esclarecer dúvidas relacionadas às finanças. Além disso, 74% afirmaram confiar nesse tipo de tecnologia para auxiliar em decisões financeiras, embora parte dessa confiança seja acompanhada de ressalvas.

O levantamento ouviu 1.008 profissionais de diferentes regiões e regimes de trabalho do País.