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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

18/02/2017 07:20

Bloco quer apoio para continuar projeto que ensina bateria a crianças e adultos

Thailla Torres
Bateria que já conquistou moradores do bairro, chama atenção especialmente das crianças. (Foto: Thailla Torres)Bateria que já conquistou moradores do bairro, chama atenção especialmente das crianças. (Foto: Thailla Torres)

Com cuícas afinadas e ouvidos atentos ao mestre, todo mundo está pronto para o ensaio de pré-carnaval. Mas ali, os sons dos tambores ecoam muito mais do que a vontade da festa mais divertida do Brasil. No primeiro ano do bloco A Força do Tigre, o desejo não é só vencer em animação, mas ganhar apoio para um trabalho social que a bateria desenvolve há oito anos.

O projeto Tocar, é iniciativa dos integrantes da Bateria Independente a Fúria do Tigre, para ocupar o tempo de crianças e adolescentes que, sem opções de lazer, perdem muito tempo nas ruas.

Rose é presidente do projeto e participa do carnaval há 10 anos. (Foto: Thailla Torres)Rose é presidente do projeto e participa do carnaval há 10 anos. (Foto: Thailla Torres)

“Sabemos que as pessoas amam o Carnaval, mas nos preocupamos o ano inteiro. A festa é importante, mas colocamos a valorização dos ritmistas em primeiro lugar. Seja um carnavalesco antigo ou um jovem que recém chegou na música. A proposta é social, fazer com que através da arte e da cultura, as pessoas se encontrem e saiam de problemas sociais que encontramos aí fora”, explica a presidente do bloco, Rose Amorim, 30 anos.

Veterana no samba, ela diz que foi criada no ritmo carnavalesco e agora quer mudar a vida da comunidade no ritmo do samba. “Essa ideia surgiu entre amigos, éramos todos participantes de escolas de samba, mas vimos que podíamos fazer mais. Já fui rainha de bateria, percussionista e hoje estou me formando em Educação Física. Os planos são continuar ajudando jovens e adultos, além de fazer inclusão social”.

No Bairro Buriti, os ensaios do bloco ocorrem de quinta a sábado, mas são pouco mais de 30 integrantes, mesmo aberto à população. Quem tem experiência faz questão de ensinar, apesar de poucos instrumentos. Mas ninguém se cansa de revezar para o que o outro aprenda.

O mais novo entre eles é o adolescente Alan Gomes Marques, de 13 anos. Tocando caixa, a proximidade com o instrumento surgiu por acaso, enquanto passava na rua, “Eu não pensava em tocar, mas um dia eu passei e fiquei curioso. Voltei pra Campo Grande há pouco tempo, tinha ido embora com a família para São Paulo, mas agora quero continuar aqui”, resume.

Damião respira carnaval há anos e hoje está na bateria ao lado dos filhos. Damião respira carnaval há anos e hoje está na bateria ao lado dos filhos.

E é claro que tem corumbaense nessa história. Damião Zacarias Souza da Silva tem 41 anos e um prazer enorme em ensinar. Deficiente visual, é guiado pelo filho de 4 anos e a emoção é ver que a família também entrou no ritmo. “É um apoio que vale a pena. Eu já estou na percussão há alguns anos, fiz várias participações e agora acho importante passar um pouco do que a gente sabe, e quem sabe ver esses jovens sendo novos integrantes”, diz.

Até as crianças fazem questão de mostrar o que sabem, Lucas tem só 2 anos e não larga o instrumento durante o ensaio, “É a Força do Tigre”, grita antes de ecoar os tambores. O pai, Edgar Junior, de 33 anos, é só orgulho. “É uma emoção muito grande. Fazer parte da bateria é uma diferença na vida e agora o bloco veio para animar. A ideia é trazer mais pessoas para esse universo e fazer com que elas se envolvam com a música o ano inteiro”, diz.

Quem vai só para assistir, fica encantada, Enilda Gonçalves, 58 anos não toca, mas se diz fã número um da comunidade. “A gente que conhece praticamente todo mundo, acha lindo, eu venho em todo ensaio. É muito melhor do que esses jovens estarem na rua, correndo riscos. Aqui eles estão perto da arte”, comenta.

Com sonho de vencer a competição de blocos neste ano, a galera segue firme e na raça durante os ensaios. “É uma sensação gostosa, porque todo mundo vai sair na avenida e quer se divertir. Então, a gente tem que ralar com empolgação, criatividade, animação e a percussão em si”, diz Rose.

Fã número um, Enilda faz questão de assistir todos os ensaios. (Foto: Thailla Torres)Fã número um, Enilda faz questão de assistir todos os ensaios. (Foto: Thailla Torres)

Por isso, neste sábado, o bloco vai aproveitar a feira livre que acontece no bairro para fazer um pré-carnaval no Centro Comunitário do Buriti, no ritmo da bateria e axé. A entrada é gratuita.

Com cerca de 32 instrumentos, Rose busca apoio para conseguir aumentar o número de participantes do projeto. “Hoje, são 68 integrantes, então a gente precisa revezar porque não tem para todo mundo. O que conseguimos foi através de eventos e fundos dos próprios integrantes”.

A bateria também realiza um trabalho com crianças carentes na ONG Maria Santana, no bairro Nossa Senhora das Graças, aos sábados, crianças curtem a bateria e aproveitam um pouco dos instrumentos durante o projeto. “Por isso, a bateria participa de alguns eventos para conseguir dinheiro e construir sede própria. Lá nossa ideia é ter uma oficina para produzir os instrumentos e trazer mais pessoas para perto da música”.

Quem quiser participar dos ensaios e do pré-carnaval que acontece neste sábado (18), o evento será na rua Jaime Costa, 557, Bairro Buriti.

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Com ensaio três vezes na semana, grupo quer vencer no desfile de blocos deste ano. Com ensaio três vezes na semana, grupo quer vencer no desfile de blocos deste ano.


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