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Diversão

Música e fotos levam realidade guarani-kaiowá ao Municipal do Rio

Réquiem de Cyro Delvizio reúne mais de 100 artistas e fotografias feitas em comunidades indígenas

Por Thailla Torres | 14/09/2026 15:08
Música e fotos levam realidade guarani-kaiowá ao Municipal do Rio
Fotografias em preto e branco ajudam a levar ao palco a relação dos Guarani-Kaiowá com seus territórios. (Foto: Ana Mendes)

O povo Guarani-Kaiowá de Mato Grosso do Sul vai ocupar nesta terça-feira (15) um dos palcos mais conhecidos do Brasil. Música, vozes e fotografias feitas dentro de comunidades indígenas se encontram no Theatro Municipal do Rio de Janeiro na estreia mundial de “Réquiem Guarani-Kaiowá”, obra do compositor campo-grandense Cyro Delvizio.

Com 70 minutos de duração, a composição será apresentada pela Orquestra Petrobras Sinfônica e reunirá mais de 100 artistas no palco, entre músicos, quatro solistas, coro adulto e coro infantil. A regência será do maestro Felipe Prazeres e os ingressos para a apresentação já estão esgotados.

Enquanto a obra é executada, o público também verá fotografias em preto e branco feitas em comunidades Guarani-Kaiowá pelos fotojornalistas Ana Mendes e Pablo Albarenga. As imagens serão projetadas durante a apresentação e ajudam a mostrar a realidade que inspirou a composição.

São registros como os que acompanham esta matéria, com indígenas em seus territórios, manifestações, momentos do cotidiano e a relação das comunidades com a terra. Assim, aquilo que aparece na música também ganha rosto e imagem no palco.

Música e fotos levam realidade guarani-kaiowá ao Municipal do Rio
Imagens feitas nas comunidades serão exibidas durante apresentação no Theatro Municipal do Rio. (Foto: Ana Mendes)

Batizada de “Réquiem Guarani-Kaiowá”, a obra tem libreto escrito por Gabriel Neves Camargo. Tradicionalmente, um réquiem é uma composição ligada à memória dos mortos. Neste trabalho, Cyro parte dessa forma musical para falar da história, da violência e dos conflitos enfrentados pelos povos Guarani-Kaiowá, mas também de esperança e da relação dessas comunidades com seus territórios.

“Compor um réquiem já é uma enorme responsabilidade. Mas quando essa forma musical, tradicionalmente ligada à memória dos mortos e à reflexão sobre a existência humana, encontra a cosmologia guarani-kaiowá, ela ganha uma nova dimensão. Esta obra nasceu de minha sensibilização diante da dura realidade desses povos, da violência histórica que sofreram e da profunda relação que possuem com a terra e a natureza”, comenta o autor.

Para criar a obra, o compositor aproximou a tradição da música sinfônica de referências que conheceu a partir de experiências de troca e aprendizado com povos indígenas na Amazônia e no Pantanal. Cyro cita nomes como Bach, Ligeti e Villa-Lobos entre as referências da tradição ocidental presentes nesse encontro.

“Busquei criar um diálogo entre duas tradições: a grande tradição sinfônica ocidental, representada por compositores como Bach, Ligeti e Villa-Lobos, e elementos livremente inspirados da musicalidade dos povos indígenas que conheci por meio de experiências de troca e aprendizado na Amazônia e no Pantanal, região onde nasci. O resultado é uma obra atravessada pela dor, pelo luto e pela indignação, mas também pela esperança, pela reconciliação e pela responsabilidade coletiva diante da crise territorial e ambiental que enfrentamos”, conclui.

Música e fotos levam realidade guarani-kaiowá ao Municipal do Rio
Cyro Delvizio é violonista, compositor, pesquisador e professor.

Aos 40 anos, Cyro Delvizio é violonista, compositor, pesquisador e professor. Nascido em Campo Grande, tem mais de 70 obras no currículo, com trabalhos já executados no Brasil e em países como Portugal, França, Alemanha, México, Estados Unidos, Japão e Finlândia.

Doutor em Artes/Performance Musical pela USP (Universidade de São Paulo), mestre em Musicologia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e bacharel em Violão também pela UFRJ, ele atualmente é professor substituto na Escola de Música da universidade.

A estreia do “Réquiem Guarani-Kaiowá” será ainda a primeira de duas grandes obras do compositor apresentadas em pouco mais de um mês no Rio de Janeiro.

Nos dias 23 e 24 de outubro, Cyro volta aos palcos com a estreia da ópera-monólogo “Santos Dumont: 120 anos do voo”, na Cidade das Artes. A primeira apresentação ocorre justamente no dia em que se completam 120 anos do voo do 14-bis, realizado em Paris.

Desta vez, o compositor muda completamente de assunto e de formato. A ópera é baseada nos escritos autobiográficos de Meus Balões e acompanha os últimos momentos de Santos Dumont no Hotel La Plage, no Guarujá (SP). Cyro assina tanto a música quanto o libreto.

“Talvez Santos Dumont seja uma das figuras brasileiras mais conhecidas e, ao mesmo tempo, menos compreendidas. Todos conhecem o inventor do avião, mas poucos conhecem suas inquietações, sua sensibilidade e o sofrimento de ver sua criação utilizada para fins de guerra. A ópera busca justamente esse encontro: celebrar o herói e revelar o ser humano”, destaca Cyro Delvizio.

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Registro feito em comunidade Guarani-Kaiowá integra conjunto de imagens que será projetado durante o réquiem. (Foto: Ana Mendes)


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