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Diversão

Ingrid saiu de Dourados e cruzou o Salar de Uyuni em uma moto Biz

Servidora encarou quase 6 mil quilômetros entre Brasil, Bolívia e Argentina

Por Thailla Torres | 08/05/2026 15:55
Ingrid saiu de Dourados e cruzou o Salar de Uyuni em uma moto Biz
Ingrid Arruda e a Biz que saiu de Dourados para cruzar o Salar de Uyuni, na Bolívia. (Foto: Arquivo Pessoal)

Tem gente que compra moto pensando em economizar gasolina. A Ingrid Arruda comprou uma Biz e foi parar no meio do Salar de Uyuni, na Bolívia.

Aos 38 anos, a servidora técnica da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) de Dourados transformou uma moto de baixa cilindrada em companhia de estrada, passaporte emocional e, aos poucos, numa espécie de projeto de vida. Primeiro vieram viagens curtas. Depois Campo Grande. Três Lagoas. Minas Gerais. Quando percebeu, já estava atravessando fronteiras e encarando quase 6 mil quilômetros entre Bolívia e Argentina. Tudo isso em cima de uma Honda Biz.

A história começa sem grandes planos cinematográficos. Em 2021, Ingrid fez uma viagem curta de garupa e alguma coisa mudou ali. Gostou da sensação de movimento, da liberdade da estrada e daquela estranha paz que existe quando o mundo passa devagar ao lado do capacete.

Ingrid saiu de Dourados e cruzou o Salar de Uyuni em uma moto Biz
Entre montanhas, estradas e lhamas, a viagem pela América do Sul virou coleção de histórias para Ingrid Arruda. (Foto: Arquivo Pessoal)

Em 2022 comprou a Biz. E foi aprendendo até onde conseguia ir. “Comecei com pequenas viagens a cidades próximas de Dourados, até que um dia fui a Campo Grande, depois outro dia a Três Lagoas, até que tomei consciência de quantos quilômetros eu conseguia rodar no dia”, conta.

No ano passado, encarou Minas Gerais. Rodou pela Serra da Canastra, visitou São Thomé das Letras e voltou diferente. Talvez porque exista um momento em que viajar deixa de ser passeio e vira parte de quem a pessoa é. Foi aí que a América do Sul começou a parecer logo ali.

Ingrid acompanha viajantes pela internet, pesquisa rotas, culturas, cidades pequenas e lugares que quase nunca aparecem em guia turístico. O Salar de Uyuni entrou nessa lista como uma obsessão silenciosa. “Aquele lugar é surreal de lindo, sem explicação.”

E ainda tinha um detalhe importante: estava relativamente perto de Mato Grosso do Sul. O caminho, claro, não foi simples. Em viagens assim, as pessoas costumam perguntar mais sobre a moto do que sobre a coragem. Muita gente riu da ideia de uma Biz cruzando estradas internacionais. Outros disseram que ela não conseguiria. Ela ouviu tudo.

“Falaram que a Biz não daria conta. Ouvi muitos relatos negativos da Bolívia. Mas acredito que a experiência de viagem é única pra cada um. Se você tem vontade, deve ir realizar seu sonho.”

Ingrid saiu de Dourados e cruzou o Salar de Uyuni em uma moto Biz
No meio do “infinito de sal”, Ingrid realizou um dos maiores sonhos sobre duas rodas.

Antes de sair, a moto passa por revisão completa numa concessionária Honda em Dourados, onde Ingrid diz confiar “de olhos fechados”. Pneus, peças, ajustes. Tudo revisado para a estrada.

Na Bolívia vieram os desafios que não aparecem nas fotos. Curvas longas em estradas de altitude, insegurança nas ultrapassagens, o vácuo das carretas passando perto demais. Em determinado momento, ela parou a moto no acostamento durante uma crise de ansiedade. Respirou. Esperou passar. E continuou.

Também houve um policial pedindo propina na fronteira, além de um posto que se recusou a abastecer a moto estrangeira e de uma pane mecânica na moto da amiga que viajava com ela em uma região considerada perigosa.

Mesmo assim, quando Ingrid fala da viagem, nada disso parece ocupar muito espaço. O que fica mesmo é o instante em que o Salar apareceu pela primeira vez.

“Estávamos numa curva com subida. Quando a curva terminou e a visão abriu, vimos o infinito do sal de longe. Eu me emocionei.”

Sozinha na estrada, Ingrid diz que pensa muito sobre liberdade. Sobre viver viajando. Sobre encontrar uma forma de ganhar dinheiro nesse estilo de vida. Também pensa no pai, que ensinou desde cedo que coragem não tem relação com privilégio ou facilidade. “Sempre agradeço a Deus e ao meu pai por ter me feito uma mulher de coragem.”

Agora, de volta ao Brasil, ela já planeja o próximo destino com a amiga Rapha. A rota passa novamente pela Bolívia e por lugares que ficaram pendentes porque as férias acabaram antes da estrada.

Ingrid também compartilha sua aventura no Instagram @ingridarruda88

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